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    Quando jogar videogame deixa de ser só diversão?

    Mais do que contar horas na tela, especialistas indicam observar se os jogos começam a interferir no sono, na escola, nas relações e em outras rotinas

    CNN Brasil
    16 de setembro de 2026 às 08:30
    Quando jogar videogame deixa de ser só diversão?
    Foto: CNN Brasil

    Pais de adolescentes gamers já se acostumaram com a resposta: “zerei, mas ainda não platinei”. É a desculpa para recusar o convite para sair, deixar a lição para depois e empurrar a hora de dormir. Cenas assim levantam uma pergunta simples: em que momento gostar muito de videogame deixa de ser diversão e passa a exigir atenção?

    Jogar, por si só, não é o problema. Para crianças e adolescentes, o videogame também é lazer, é conversa com os amigos e, dependendo do título, até uma forma de aprendizagem. As coisas mudam quando o jogo passa a ocupar o espaço de atividades importantes — e esses jovens perdem a capacidade de simplesmente parar quando deviam .

    “O ponto de atenção não é o jogo em si, mas o momento em que ele passa a atrapalhar atividades do dia a dia, como as refeições em família, a rotina escolar, o sono e o convívio social”, afirma a psicóloga e neuropsicóloga Juliana Gois, orientadora educacional de apoio à aprendizagem do Colégio Rio Branco.

    Para especialistas, o problema não é o jogo em si, mas o que ele pode passar a substituir na rotina • Magnific · • Magnific
    Para especialistas, o problema não é o jogo em si, mas o que ele pode passar a substituir na rotina • Magnific · • Magnific — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul , publicado em agosto de 2026, apontou risco de transtorno de jogo em 3,4% de quem jogou videogame no último mês. Extrapolado para a população brasileira com 14 anos ou mais, isso equivale a cerca de 1,3 milhão de pessoas — número que aponta sinal de alerta, não diagnóstico confirmado.

    Essa diferença importa porque o entusiasmo por um jogo, mesmo quando envolve muitas horas de dedicação, não é suficiente para dizer que existe um transtorno . O que interessa é se esse padrão se repete ao longo do tempo e resiste a qualquer tentativa de colocar um limite.

    Alguns comportamentos indicam que o jogo já passou do ponto. O primeiro é a dificuldade de desligar: insistir em continuar mesmo com a comida esfriando ou o sono batendo, e reagir mal quando pedem para parar. Isolado, não quer dizer nada — o problema é quando vira padrão.

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    Plantas: como escolher a melhor para cada ambiente da casa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Outro sinal é a mudança na própria rotina. Atividades antes prazerosas — esporte, encontro com amigos, programas de família e até não fazer nada — vão cedendo espaço, aos poucos, sem que ninguém perceba muito bem quando começou. Quanto mais dessas áreas o jogo ocupa, maior o motivo para prestar atenção .

    O desempenho escolar também pode ser um sinal — mas a associação entre jogar muito e tirar notas piores não é automática . Tem adolescente que joga horas e segue dando conta de tudo. A preocupação surge quando o jogo fura um compromisso atrás do outro, até deixar de competir com a rotina e passar a comandá-la.

    Juliana observa que, às vezes, o jogo tem uma função: alguns adolescentes recorrem a ele para evitar interações sociais, ou como fuga de situações difíceis — bullying, dificuldade de aprendizagem, entre outras. Nesses casos, só cortar o acesso ao videogame, sem entender o motivo por trás, dificilmente resolve o problema.

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    Na verdade, a solução não está no relógio. Uma tarde inteira jogando pode não ser problema para quem dorme bem, estuda e mantém os amigos por perto; já um período menor preocupa se substitui o que antes fazia parte da rotina. O estudo da UFRGS confirma: os fatores mais associados ao risco foram sintomas depressivos moderados a graves e ansiedade frequente — não o tempo de jogo.

    Duas mudanças simples já fazem diferença. A primeira é definir as regras antes que a próxima partida comece — não no meio da birra. Horário para jogar, momentos em que a tela fica de lado e compromissos inegociáveis: quando isso já está combinado de antemão, vira rotina, não uma negociação nova todo dia.

    Mais do que controlar o tempo, os pais também precisam entender o que o filho está jogando — sem precisar jogar junto . Perguntar como se joga, como funcionam as interações com outros jogadores e se existem compras dentro do jogo já revela riscos que o cronômetro sozinho não revela.

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    Chegada do bebê: como se preparar para os primeiros dias — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Juliana recomenda também que a família preserve espaços em que o jogo não entre — não para tratá-lo como inimigo, mas para garantir que ele continue sendo uma atividade entre várias outras. Somente regras claras, consistentes e compatíveis com a idade facilitam a percepção de que alguma coisa está saindo do eixo.

    É normal que uma mudança de regra gere resistência no início — irritação, negociação, reclamação. A psicóloga lembra que isso, isoladamente, não é diagnóstico de transtorno. Mas a conversa muda quando as reações são muito intensas e persistentes, e vêm acompanhadas de prejuízos que a própria família já não consegue resolver sozinha.

    Nesses casos, vale buscar ajuda profissional — psicólogo, pediatra ou a escola ajudam a diferenciar resistência passageira de um sinal mais sério . Juliana explica o motivo: a criança costuma reagir mal porque, antes, já conseguiu o que queria agindo assim. “Se os pais cederem diante da irritação, fica cada vez mais difícil estabelecer qualquer tipo de limite depois”, conclui.

    Insistir em continuar jogando mesmo diante de compromissos básicos é um dos primeiros sinais de alerta, segundo especialistas • Magnific
    Insistir em continuar jogando mesmo diante de compromissos básicos é um dos primeiros sinais de alerta, segundo especialistas • Magnific — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

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    Participar do jogo, mesmo que ocasionalmente, ajuda os pais a entender riscos e estabelecer limites mais eficazes • Magnific
    Participar do jogo, mesmo que ocasionalmente, ajuda os pais a entender riscos e estabelecer limites mais eficazes • Magnific — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Insistir em continuar jogando mesmo diante de compromissos básicos é um dos primeiros sinais de alerta, segundo especialistas • Magnific
    Insistir em continuar jogando mesmo diante de compromissos básicos é um dos primeiros sinais de alerta, segundo especialistas • Magnific — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Participar do jogo, mesmo que ocasionalmente, ajuda os pais a entender riscos e estabelecer limites mais eficazes • Magnific
    Participar do jogo, mesmo que ocasionalmente, ajuda os pais a entender riscos e estabelecer limites mais eficazes • Magnific — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Plantas: como escolher a melhor para cada ambiente da casa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Por que aniversário incomoda tanta gente? Veja o que diz a psicologia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Chegada do bebê: como se preparar para os primeiros dias
    Chegada do bebê: como se preparar para os primeiros dias — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/.

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