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    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano

    Iniciativas gratuitas movimentam regiões administrativas e ultrapassam os desafios para descentralizar a produção cultural no DF

    Metrópoles
    1 de outubro de 2026 às 15:57
    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano
    Foto: Metrópoles

    Caetano Veloso cantando em Taguatinga , Denise Fraga se apresentando no Gama e Mateus Solano na região administrativa de Água Quente. Quando o palco muda de endereço e os artistas chegam a outras regiões do Distrito Federal, a cultura deixa de ser apenas idealizada para se tornar uma opção de lazer acessível.

    Para quem vive longe do centro de Brasília, assistir a um grande show ou espetáculo muitas vezes exige mais do que comprar o ingresso. É preciso calcular horas de deslocamento, gastos com transporte e alimentação e, em alguns casos, reorganizar a rotina. Quando o programa está mais perto de casa — e, principalmente, se tem entrada gratuita — a distância deixa de ser uma barreira.

    Iniciativas de descentralização cultural , que tiram as atrações do circuito habitual de palcos, estão aumentando no Distrito Federal. A tendência se verifica por meio da realização de grandes shows e eventos fora do Plano Piloto e pela ocupação de equipamentos públicos que já existem em outras regiões administrativas.

    Iniciativas no DF ajudam a levar a cultura para além do Plano Piloto
    Iniciativas no DF ajudam a levar a cultura para além do Plano Piloto — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Os números ajudam a dimensionar o alcance. Entre janeiro e agosto, os teatros do Sesc-DF receberam 373 ações de teatro, música, dança e literatura, que reuniram 76.914 pessoas. Só nas artes cênicas, foram 45.411 espectadores, sendo que quase 80% desse público esteve nas ações realizadas em Taguatinga, Ceilândia e Gama.

    Os eventos que unem músicas e outras atividades, como Sesc + Axé, Semana S, Sesc + W3 Sul, Sesc Tradições Juninas, Sesc Soundsystem, Festival de Inverno Sesc e Virada Cultural Sesc, reuniram 113.570 pessoas. Sendo que três deles ocorreram fora do Plano Piloto, ampliando o alcance da programação para outras regiões do DF.

    O diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo, considera a descentralização como uma das principais diretrizes da atual gestão. “Além de ampliar a circulação de espetáculos, a política cultural do Sesc-DF busca fortalecer os territórios como espaços permanentes de produção, formação e fruição artística”, afirma.

    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano
    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Valcides de Araújo, diretor regional do Sesc-DF

    Valcides de Araújo considera a descentralização como uma das principais diretrizes da gestão

    Em 2026, o Sesc-DF levou artistas de projeção nacional a palcos de Taguatinga, Ceilândia, Gama e Recanto das Emas, entre outras regiões administrativas

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    Moradora de Ceilândia, Rhalima Shanaya esteve no show de Luísa Sonza, promovido pelo Sesc em Taguatinga. “Gostei bastante, achei bem animado e super organizado. A experiência foi muito boa: é interessante facilitar o acesso aos eventos para quem mora fora do Plano Piloto”, conta.

    Em Ceilândia, o Sesc + Rap reuniu nomes como Djonga, Duquesa e Ndee Naldinho. Para quem vive na cidade, os shows com artistas conhecidos nacionalmente despertaram orgulho e identificação. “É importante para a comunidade, pois permite que os fãs assistam artistas que, talvez, não teriam condições de acompanhar”, afirma Jefferson Santos, morador do P Norte.

    Para Jefferson, o show de Djonga teve uma forte dimensão simbólica. “Foi incrível e muito representativo, principalmente por ser um artista preto e periférico se apresentando na Ceilândia. Acho que é muito importante ter esse tipo de programação cultural acontecendo fora do Plano Piloto”, opina.

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    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A agenda do Sesc no DF também contou com uma celebração pelos 80 anos da instituição no Taguaparque, em Taguatinga, com apresentações de Caetano Veloso, Ju Marques e Dillo D’Araujo. Realizado em 13 de setembro, o evento reuniu cerca de 25 mil pessoas .

    Caetano Veloso reuniu 25 mil pessoas em show do Sesc

    O Sesc + Axé levou Terra Samba, Cheiro de Amor e Babado Novo ao Recanto das Emas

    Valcides de Araújo considera a descentralização como uma das principais diretrizes da gestão
    Valcides de Araújo considera a descentralização como uma das principais diretrizes da gestão — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em Taguatinga Sul, a Semana S teve Luísa Sonza como uma das principais atrações

    Já o Sesc Tradições Juninas levou a banda Calcinha Preta à Ceilândia

    O São João do Cerrado – evento que celebra a cultura nordestina no DF – retornou à Ceilândia após uma edição na Esplanada dos Ministérios. A festa gratuita, organizada por Edilane Oliveira com apoio do Governo do Distrito Federal, reuniu atrações como Mari Fernandez, Michel Teló e Alceu Valença. A estimativa é de que mais de 150 mil pessoas tenham passado pela festa.

    Em 2026, o Sesc-DF levou artistas de projeção nacional a palcos de Taguatinga, Ceilândia, Gama e Recanto das Emas, entre outras regiões administrativas
    Em 2026, o Sesc-DF levou artistas de projeção nacional a palcos de Taguatinga, Ceilândia, Gama e Recanto das Emas, entre outras regiões administrativas — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “A gente estava com saudades de Ceilândia e sabe que muita gente daqui também ficou com saudades do “maior São João do cerrado”. Voltar para cá é reencontrar pessoas, histórias e memórias que fazem parte da nossa trajetória”, afirmou a organizadora do evento, Edilane Oliveira.

    No início de setembro, a tradicional Festa do Morango de Brazlândia também levou atrações nacionais à região administrativa localizada a 50 quilômetros do Plano Piloto. Joelma, Léo Santana e Bell Marques se apresentaram em shows gratuitos promovidos pela organização. Com uma programação que incluiu gastronomia, parque de diversões e feira de artesanato, o evento reuniu 380 mil pessoas.

    A descentralização da cultura no DF também movimenta a economia das cidades. A realização dos espetáculos envolve o trabalho de profissionais de segurança, limpeza e montagem, e gera renda para ambulantes, donos de food trucks e motoristas de aplicativo.

    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano - destaque galeria
    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Promovido pela Secretaria de Turismo do DF, o Expocidades é um exemplo bem sucedido da associação entre lazer, economia e cultura. O evento, que combina apresentações musicais e atrações gastronômicas, passou pela Vila Planalto, pelo Riacho Fundo I e pelo Park Way neste ano, reunindo aproximadamente 8,3 mil pessoas.

    “O Expocidades gera trabalho e renda e valoriza a cultura e os empreendedores locais. É uma forma de levar o turismo e a programação cultural para diferentes áreas do DF”, comemora Bernardo Antunes, secretário de Turismo.

    Se por um lado instituições e poder público têm ampliado a oferta cultural de grandes atrações nas regiões administrativas, por outro, alguns territórios possuem produção artística consolidada, que também merece ser celebrada e valorizada.

    O Sesc + Axé levou Terra Samba, Cheiro de Amor e Babado Novo ao Recanto das Emas
    O Sesc + Axé levou Terra Samba, Cheiro de Amor e Babado Novo ao Recanto das Emas — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Um exemplo é o Samba do Chester, evento realizado no Guará gratuitamente todo dia 25 de dezembro. Organizado pelo músico Jeferson Feijão, a festa nasceu de uma reunião entre amigos e cresceu ao longo dos anos.

    A celebração anual reúne cerca de 2 mil pessoas, moradores de diferentes regiões do DF. Segundo Feijão, o público vem principalmente de locais próximos ao metrô, como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras.

    O Samba do Chester é realizado gratuitamente todo dia 25 de dezembro

    Em Taguatinga Sul, a Semana S teve Luísa Sonza como uma das principais atrações
    Em Taguatinga Sul, a Semana S teve Luísa Sonza como uma das principais atrações — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A iniciativa nasceu de uma reunião entre amigos e cresceu ao longo dos anos

    Em 2025, o evento reuniu aproximadamente 2 mil pessoas

    Durante a primeira década, o evento foi financiado pelos próprios organizadores, familiares e colaboradores. Em 2026, pela primeira vez, recebeu apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), utilizado em itens como estrutura de som, tendas, banheiros químicos, divulgação, limpeza e pagamento das bandas.

    Já o Sesc Tradições Juninas levou a banda Calcinha Preta à Ceilândia
    Já o Sesc Tradições Juninas levou a banda Calcinha Preta à Ceilândia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para Feijão, o problema não é necessariamente a inexistência de cultura nas regiões administrativas, mas a diferença de visibilidade entre o centro e as periferias. “A cultura no DF é bem distribuída, porém não há tanta divulgação nas partes periféricas como há no centro de Brasília”, avalia.

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    Quando a cultura atravessa o DF: eventos levam artistas para além do Plano - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    A iniciativa nasceu de uma reunião entre amigos e cresceu ao longo dos anos
    A iniciativa nasceu de uma reunião entre amigos e cresceu ao longo dos anos — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Em 2025, o evento reuniu aproximadamente 2 mil pessoas
    Em 2025, o evento reuniu aproximadamente 2 mil pessoas — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/entretenimento/quando-a-cultura-atravessa-o-df-eventos-levam-artistas-para-alem-do-plano.

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