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    Qual régua mede as contas estaduais?

    A Folha inaugurou uma bem-vinda série (" Estado das Contas ") sobre as finanças públicas dos estados mais populosos do país. O tema é relevante e oportuno. O acompanhamento sério e sistemático da questão deve começar pela escolha da régua. Leia mais (08/31/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 01:00
    Qual régua mede as contas estaduais?
    Homem de camisa branca com broche no peito está no centro da imagem, cercado por outras pessoas, algumas com uniformes e outras com câmeras e celulares, em ambiente externo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participa da inauguração da Linha 17-Ouro, em São Paulo - Zanone Fraissat - 31.mar.2026/Folhapress
    O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participa da inauguração da Linha 17-Ouro, em São Paulo - Zanone Fraissat - 31.mar.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Secretário da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo

    A Folha inaugurou uma bem-vinda série (" Estado das Contas ") sobre as finanças públicas dos estados mais populosos do país. O tema é relevante e oportuno. O acompanhamento sério e sistemático da questão deve começar pela escolha da régua.

    O país já possui uma, a Lei de Responsabilidade Fiscal . O arcabouço da LRF, com as resoluções do Senado que dela decorrem, fixa limites de endividamento e de pessoal e disciplina a liquidez dos entes. Esse conjunto específico de indicadores existe porque não se mede um estado como se faz com a União, nem como uma empresa, nem por fotografias do cofre, mas sim pelo filme completo, sob a régua legal.

    Veja glossário de termos econômicos e fiscais
    Veja glossário de termos econômicos e fiscais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E o que essa régua diz do estado de São Paulo ? A dívida consolidada líquida encerrou 2025 em 124% da receita corrente líquida (RCL), ante um limite de 200%, o segundo melhor resultado em 11 anos, com três dos cinco melhores resultados da série obtidos em 2023, 2024 e 2025. A despesa com pessoal no Executivo fechou em 41% da mesma receita, ante um limite legal de 49%, abaixo de qualquer ano entre 2015 e 2020.

    A disponibilidade de caixa líquida do Relatório de Gestão Fiscal, considerados todos os Poderes, incluídos os recursos vinculados, somou R$ 29,4 bilhões, segundo melhor nível da série e 3,5 vezes o de 2019. O resultado primário foi superavitário em todos os exercícios da história recente. Vale lembrar que um ente subnacional não precisa de trajetória primária crescente e sim de primário compatível com a sustentabilidade de sua dívida, pois, diferentemente da União, não rola dívida em mercado.

    Por que, então, se fala em uma "piora gradativa" ? Porque a régua usada foi outra: o resultado orçamentário, indicador que registra decisão alocativa, não solvência. Pela lei 4.320, empréstimo é receita orçamentária. Uma reserva criada em ano anterior, não. Um estado que se endividasse para encher o cofre "melhoraria" seu resultado orçamentário. Um estado que usa reservas acumuladas para investir ou para quitar passivos o "piora". Os resultados de São Paulo foram programados nas leis orçamentárias, lastreados no superávit financeiro apurado e aprovados pela Assembleia Legislativa.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E o que as reservas viraram? Ativos e quitação de passivos. Pelos dados publicados na própria série do jornal, as obrigações e restos a pagar do estado caíram 42%, em termos reais, entre 2022 e 2025. O estado reduziu, e não acumulou, compromissos a pagar. O investimento, comparados os três exercícios já encerrados de cada quadriênio, cresceu 23% em termos reais, mesmo pelo conceito mais estreito da reportagem. Pelo conceito amplo, que inclui os aportes que constroem o Metrô e as moradias populares, subiu 26%.

    A contabilidade manda separar investimentos de inversões financeiras, e assim é feito. Uma avaliação acurada do investimento estadual, porém, não deve ignorar um terço da conta. No mesmo período, todos os benefícios fiscais do ICMS paulista foram avaliados: 88 foram suprimidos, e o gasto tributário caiu de cerca de 33,5% para 30% da receita do imposto.

    Resta a base de comparação. O quadriênio de 2019 a 2022 conjugou expressivo auxílio federal, suspensão dos pagamentos do serviço da dívida, vedação de reajustes de pessoal por lei federal e um ciclo raro de arrecadação, com gasolina, energia e comunicações ainda tributadas a 25%. Dois desses fatores passaram a produzir efeito oposto, e a RCL de 2023 ficou nominalmente estagnada, com queda real de 4,3%. Registre-se, ainda, que parte dos valores atribuídos ao quadriênio atual é projeção de 2026, não execução. Comparar o pico de uma maré excepcional com o início da vazante não é mera aferição, mas uma escolha metodológica que precisa ser declarada.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nada disso significa negar desafios. A questão previdenciária, por exemplo, é estrutural, comum a todos os grandes entes e condicionada por balizas constitucionais nacionais. E a vigilância da imprensa sobre as contas públicas é parte da solução, não um incômodo.

    Por isso, encerro com um compromisso. Entendo ser desejável que os cinco estados da série jornalística sejam medidos pela mesma régua, a legal. A Fazenda paulista está à disposição para construir essa aferição homogênea , capaz de fomentar debate qualificado e avanço compartilhado por toda a sociedade.

    TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/qual-regua-mede-as-contas-estaduais.shtml.

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    O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participa da inauguração da Linha 17-Ouro, em São Paulo - Zanone Fraissat - 31.mar.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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