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    Putin tem vitória recorde em eleição parlamentar criticada

    Na primeira eleição parlamentar realizada na Rússia após a invasão da Ucrânia , o partido de sustentação ao governo de Vladimir Putin teve uma vitória recorde em termos de ganhos de cadeiras na Duma, a Câmara dos Deputados do país. Leia mais (09/21/2026 - 08h37)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 11:37
    Putin tem vitória recorde em eleição parlamentar criticada
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Na primeira eleição parlamentar realizada na Rússia após a invasão da Ucrânia , o partido de sustentação ao governo de Vladimir Putin teve uma vitória recorde em termos de ganhos de cadeiras na Duma, a Câmara dos Deputados do país.

    Painel com números de votação na Comissão Eleitoral Central, em Moscou - Chamil Jumatov/Reuters · Chamil Jumatov/Reuters
    Painel com números de votação na Comissão Eleitoral Central, em Moscou - Chamil Jumatov/Reuters · Chamil Jumatov/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo anunciou nesta segunda-feira (21) a Comissão Eleitoral Central, a sigla Rússia Unida deverá passar de 315 para 355 vagas. O máximo que já ganhou havia sido 343 em 2016.

    Seus aliados diretos terão 29 cadeiras, enquanto os algo mais distantes Partido Comunista e Novo Povo caíram respectivamente de 57 para 40 e de 15 para 4 lugares. Foram apurados 95% dos votos , divididos em lista partidária e candidaturas individuais, e o resultado final sai na sexta (25).

    Com isso, o plano de Putin de envernizar sua liderança e o conflito iniciado em 2022 com o respaldo popular foi concretizado: o comparecimento de 60% foi o maior desde 2003. No jogo de poder russo, esse apoio é central para a manutenção do controle do Kremlin.

    Guerra e eleição na Moscou de 2024
    Guerra e eleição na Moscou de 2024 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esta eleição foi a menos livre da história da Rússia pós-soviética, menos pelas usuais alegações de fraude que são mais comuns nas disputas regionais, e mais pela calcificação final do sistema político sob Putin. A guerra lhe deu instrumentos para enterrar de vez o que havia de oposição no país.

    O pleito apenas confirmou o cenário político único sob a liderança de Putin neste momento, em que mesmo o voto de protesto pontual foi coibido.

    Leis aprovadas após a invasão punem severamente a crítica ao conflito ou às Forças Armadas. Assim, o único partido de uma oposição consentida pelo Kremlin, o liberal Iabloko (maçã, em russo), foi barrado pela Justiça de concorrer no voto em lista.

    Ucrânia ataca sistema energético da Rússia
    Ucrânia ataca sistema energético da Rússia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não que tivesse muita chance, num país em que a avaliação positiva de Putin até caiu recentemente, mas flutua acima dos 70% em pesquisas oficiais e independentes. Nenhum deputado do Iabloko, dos poucos que puderam concorrer individualmente, foi eleito.

    O partido encolheu também nas eleições legislativas em nível regional, passando de representação em três Parlamentos para apenas um. Houve também pleito para governos, com domínio de aliados de Putin, notavelmente o tchetcheno Ramzan Kadirov, reeleito com folclóricos 99,85% do voto.

    No voto federal, o Rússia Unida, criado em 2001 para apoiar Putin, teve quase 58%, um pouco abaixo do recorde de 64% de 2007 —quando de resto só havia voto em partidos, não em candidatos avulsos.

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    Veteranos da guerra, que o Kremlin vende ao eleitorado como "a nova elite do país", somarão 86 deputados na nova legislatura. Não alinhados oficialmente ao governo, os comunistas e os integrantes do Novo Povo votam por políticas pró-Putin invariavelmente.

    A guerra esteve bastante presente no pleito. No domingo (20), terceiro dia da votação, Kiev promoveu o maior ataque aéreo contra a região de Moscou desde o começo da guerra, com mais de 450 dos 1.000 drones lançados contra o país. Ao menos três pessoas morreram em áreas próximas da capital, e uma refinaria de petróleo foi atingida.

    A campanha ucraniana contra o sistema energético e logístico russo, que tem levado a uma troca ainda mais intensa de fogo entre os rivais, gerou uma crise de abastecimento de combustível no segundo maior produtor de petróleo do mundo.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Putin teve de banir exportações de derivados como diesel, afetando países como o Brasil, e há racionamento de gasolina em todo o território russo. O presidente afirma que a crise é passageira, mas não há sinais de que esteja arrefecendo.

    O estrago tem preocupado o americano Donald Trump , que retomou o papel de tentar mediar um fim do conflito neste mês. Neste domingo, segundo o jornal britânico Financial Times, ele ligou pela segunda vez ao colega Volodimir Zelenski para pedir o fim desses ataques.

    Na lógica que Trump tenta emplacar, a disrupção da produção russa tem pressionado o preço do diesel mundo afora, e não sua própria guerra no Irã e o muito mais grave fechamento do estreito de Hormuz .

    O americano enfrenta sua eleição parlamentar em condições bem menos vantajosas do que Putin, e seu Partido Republicano pode perder o controle do Congresso. A inflação de até 50% nos preços de combustíveis nos Estados Unidos é um dos itens de descontentamento do eleitorado.

    Trump havia até anunciado uma trégua desse tipo de ataque no conflito europeu, mas Moscou e Kiev apenas elogiaram a iniciativa, ignorando-a.

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    A Presidência ucraniana disse que a conversa com Trump foi positiva e que os líderes deverão se encontrar às margens da Assembleia-Geral da ONU , na terça (22).

    Ao mesmo tempo, o republicano aumentou a pressão sobre Putin ao sancionar, na sexta , um novo pacote de sanções que permitirá aos EUA punir países que comprem petróleo russo, como Índia e China. O Kremlin voltou a dizer nesta segunda que a iniciativa não facilitará um acordo de paz.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/putin-tem-vitoria-recorde-em-eleicao-parlamentar-criticada.shtml.

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