Putin e Trump empurram mundo para a bomba
Eu sou muito novinho, mas a geração de meus pais viveu dias de pânico em outubro de 1962, durante a crise dos mísseis em Cuba , quando a perspectiva de enfrentamento nuclear entre EUA e URSS não apenas era real como pôde ser acompanhada de perto por jornais e rádio. Eu e meus coetâneos fomos poupados daqueles momentos de tensão, mas ainda crescemos num mundo sobre o qual pairava a ameaça de holocausto atômico . Leia mais (08/18/2026 - 12h42)

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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Eu sou muito novinho, mas a geração de meus pais viveu dias de pânico em outubro de 1962, durante a crise dos mísseis em Cuba , quando a perspectiva de enfrentamento nuclear entre EUA e URSS não apenas era real como pôde ser acompanhada de perto por jornais e rádio. Eu e meus coetâneos fomos poupados daqueles momentos de tensão, mas ainda crescemos num mundo sobre o qual pairava a ameaça de holocausto atômico .
O clima de apreensão foi, contudo, arrefecendo. A própria crise dos mísseis e seu desfecho não catastrófico contribuíram para solidificar o chamado tabu nuclear, a ideia de que armas atômicas jamais seriam usadas. Serviam só para dissuasão, já que sua utilização seria sob qualquer análise irracional. Não foram só pessoas que chegaram a essa conclusão, mas também nações.
Nos anos 1990, após o fim da URSS, países nuclearizados se desfizeram de seus arsenais. Ucrânia, Cazaquistão e Belarus, que herdaram mísseis soviéticos, os entregaram à Rússia . Houve, é claro, intensa pressão política, mas essas nações aceitaram trocar as armas por "garantias de segurança". De forma mais espontânea, a África do Sul também decidiu se desfazer das bombas que desenvolvera em segredo.

E não são tantos assim os países que percorreram a trilha oposta. Tirando as cinco potências nucleares oficiais, só quatro produziram ogivas: Índia, Israel, Paquistão e Coreia do Norte.
Ainda que com estresse, o mundo não estava se saindo mal na meta de evitar a proliferação nuclear. Até que vieram Vladimir Putin e Donald Trump com ações que mudam os cálculos dos países. A Ucrânia se arrependeu de ter desistido dos mísseis. Se os tivesse conservado, talvez não tivesse sido invadida pela Rússia. Trump, ao fragilizar as alianças militares dos EUA, está empurrando aliados para a bomba. A Coreia do Sul já está considerando fabricar a sua . E a Europa não ficará inerte. No mínimo desenvolverá um sistema de defesa independente do americano.
Espero que meus filhos não tenham de experimentar os dias de pânico que meus pais viveram.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/08/putin-e-trump-empurram-mundo-para-a-bomba.shtml.

O presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo norte-americano, Donald Trump, após reunião sobre a guerra da Ucrânia - Kevin Lamarque - 15.ago.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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