Pugilato judicial no STF
A providencial intervenção do presidente do STF , Edson Fachin , serviu para conter as cenas de pugilato judicial entre ministros da corte. É um primeiro passo necessário, mas fica ainda muito aquém de uma estratégia de saída para a crise em que as mais altas autoridades da Justiça do país se enredaram. Serão necessárias também medidas de curto e de longo prazo, sobre cuja viabilidade sou pouco otimista. Leia mais (09/10/2026 - 15h06)

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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A providencial intervenção do presidente do STF , Edson Fachin , serviu para conter as cenas de pugilato judicial entre ministros da corte. É um primeiro passo necessário, mas fica ainda muito aquém de uma estratégia de saída para a crise em que as mais altas autoridades da Justiça do país se enredaram. Serão necessárias também medidas de curto e de longo prazo, sobre cuja viabilidade sou pouco otimista.
O mais difícil é o curtíssimo prazo, que é a semana que vem . Não vejo como o STF possa recobrar a imagem de integridade necessária para desempenhar suas funções mantendo em seus quadros ministros sobre os quais pesam a suspeita de terem, mediante paga, defendido os interesses de um banqueiro metido em fraude grossa. Não sei se os juízes chegaram a cometer crimes e não seria fácil prová-lo. Mas isso só piora a situação do tribunal, já que uma investigação demandaria meses de trabalho policial e poderia terminar inconclusiva. E ainda tenho sérias dúvidas de que as apurações serão autorizadas pelo plenário.
O corporativismo é uma força poderosa. Mas o STF cometerá uma espécie de suicídio reputacional se nem sequer fingir que mandou investigar a si mesmo.

Num curto prazo um pouco mais estendido, isto é, daqui até outubro, será preciso tentar isolar o STF do espectro das interferências eleitorais. Deixar de fazê-lo traz o risco de contaminar não só o Judiciário mas a própria democracia. O caminho é levantar todos os sigilos de todas as investigações com potencial impacto eleitoral que estão sob supervisão da corte. Não é impossível, mas é difícil. Há muita gente muito poderosa interessada em ficar sob as sombras.
O longo prazo é a parte fácil. Supondo que o STF e o Brasil sobrevivam, precisaremos pensar em reformas que ajudem a despolitizar a corte. Criar regras que impeçam presidentes de indicar cupinchas é um bom começo. Eu também revisaria a competência originária do STF para casos criminais de políticos, além de reduzir o tempo máximo de permanência de ministros na corte .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/pugilato-judicial-no-stf.shtml.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin - Adriano Machado - 9.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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