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    Publicidade de conteúdo adulto deve ser vetada em clubes de futebol? SIM

    Um espanhol e um brasileiro assinam este artigo: um deles, com fartos motivos para estar satisfeito com o futebol . O outro, com razões para estar decepcionado: dias antes de testemunhar a eliminação brasileira da Copa do Mundo , viu seu time do coração firmar um contrato multimilionário com uma conhecida plataforma de conteúdo adulto -cujos proprietários detêm, também, um site de acompanhantes. Leia mais (08/07/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de agosto de 2026 às 01:00
    Publicidade de conteúdo adulto deve ser vetada em clubes de futebol? SIM
    Parte inferior do corpo de jogador de futebol com shorts pretos e camisa branca. Shorts exibem o número 52, logo da Nike e patrocínio 'fatal fans'. Fundo desfocado de campo de futebol. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Patrocinador Fatal Fans no uniforme do Corinthians durante o jogo com o Remo realizado na Neo Química Arena, em São Paulo, SP - Marco Galvão/Fotoarena/Folhapress - www.fotoarena.com.br · www.fotoarena.com.br
    Patrocinador Fatal Fans no uniforme do Corinthians durante o jogo com o Remo realizado na Neo Química Arena, em São Paulo, SP - Marco Galvão/Fotoarena/Folhapress - www.fotoarena.com.br · www.fotoarena.com.br — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Médico, é catedrático de medicina preventiva e saúde pública da Universidade de Navarra (Espanha) e professor-adjunto do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública T.H. Chan, da Universidade Harvard (EUA)

    Especialista em políticas públicas para a família pela Universidade da Catalunha (Espanha), é diretor-executivo da ONG Family Talks

    Um espanhol e um brasileiro assinam este artigo: um deles, com fartos motivos para estar satisfeito com o futebol . O outro, com razões para estar decepcionado: dias antes de testemunhar a eliminação brasileira da Copa do Mundo , viu seu time do coração firmar um contrato multimilionário com uma conhecida plataforma de conteúdo adulto —cujos proprietários detêm, também, um site de acompanhantes.

    Veja imagens do documentário 'Pornhub: Sexo Bilionário'
    Veja imagens do documentário 'Pornhub: Sexo Bilionário' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tendo imposto restrições ao acordo, o Corinthians não escapou às reações. Assim o caso foi narrado ao autor europeu: é como se, findos os festejos pelo triunfo mundial da seleção espanhola, o Barcelona, dono da segunda maior torcida do país, passasse a ostentar em seus uniformes —e, portanto, nos estádios, na TV, na internet — a logomarca de uma empresa que promove a pornografia e a prostituição.

    Se a atividade é lícita e a divulgação é institucional, sem exposição de teor erotizado, não há espaço para a intervenção estatal

    Pelo mundo afora, a idade da primeira exposição a conteúdo sexualmente explícito caiu vertiginosamente nas últimas décadas: na Espanha, dados oficiais falam em 11 anos, em média; no Brasil, pesquisas apontam que ocorre por volta dos 12 anos, com frequentes relatos de casos ainda mais precoces. Trata-se de mais um fenômeno atribuído à internet : o que antes estava sob a guarda dos donos de bancas de jornais ou restrito a horários tardios de televisão, hoje está à distância de um clique. Que as empresas que lucram com esse tipo de conteúdo, porém, passem a ocupar, sem qualquer pudor, os uniformes que dão vida à paixão de milhões de brasileiros é um problema ainda mais grave.

    Riscos da pornografia e educação sexual: 'Minhas expectativas sobre sexo foram distorcidas'
    Riscos da pornografia e educação sexual: 'Minhas expectativas sobre sexo foram distorcidas' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já não bastasse o desconhecimento geral acerca dos males do acesso precoce à pornografia —prejuízos que ultrapassam a esfera individual e têm impactos severos na saúde e na segurança públicas. Uma meta-análise de estudos conduzidos em sete países concluiu que o consumo pornográfico está associado a uma maior probabilidade de perpetração de agressões sexuais, verbais ou físicas (especialmente contra mulheres); outras pesquisas o vinculam a acasos de ansiedade, depressão, baixa autoestima, disfunções sexuais e comportamentos de risco.

    Na Espanha, o Ministério Público relacionou o consumo de "conteúdo adulto" ao salto dos delitos sexuais cometidos por menores e considera que, para 30% dos jovens espanhóis, a indústria da pornografia online é hoje a única fonte de "educação" afetivo-sexual disponível.

    Se o acesso precoce a conteúdos explícitos é inimigo do bem comum, extrapolando quaisquer disposições morais, por que o combate parece tão difícil? Revestido de boas intenções, um inimigo discreto pode corroer os poucos esforços movidos contra um mercado bilionário: muitas famílias creem ser as únicas responsáveis por manter crianças e adolescentes longe desse mal.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É verdade que, tal qual a epidemiologia demonstra que as vacinas são um dos ativos mais eficazes na prevenção de doenças graves em larga escala, famílias preparadas para dar bons exemplos e intervir quando necessário são uma barreira inestimável contra a pornografia e seus males. Mas, mesmo para os pais mais ciosos, é impossível passar incólume pela cultura: na prática, as melhores regras podem sucumbir ao telefone celular do colega de escola ao lado.

    Eis por que é urgente combater a onipresença da pornografia em todas as frentes: em primeiro lugar, repensando os limites de sua publicidade, dificultando o acesso de menores e, claro, negando-lhe a naturalidade com que hoje se insinua para dentro de nossas casas, por meio do que foi feito para nos unir.

    Como em toda epidemia, o tempo de agir é antes que o contágio pareça normal.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E o futebol não pode servir de vitrine para quem lucra destruindo a infância: uma derrota que nenhuma torcida deveria aceitar em silêncio.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/publicidade-de-conteudo-adulto-deve-ser-vetada-em-clubes-de-futebol-sim.shtml.

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    Patrocinador Fatal Fans no uniforme do Corinthians durante o jogo com o Remo realizado na Neo Química Arena, em São Paulo, SP - Marco Galvão/Fotoarena/Folhapress - www.fotoarena.com.br · www.fotoarena.com.br — Foto: Folha de S.Paulo

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