Política

    PT tem menor número de candidaturas desde as eleições de 1994

    Levantamento do TSE mostra recuo na disputa por vagas no Legislativo e no Executivo em mais de 3 décadas de pleitos

    Poder360
    19 de agosto de 2026 às 23:20
    PT tem menor número de candidaturas desde as eleições de 1994
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    Levantamento do TSE mostra recuo na disputa por vagas no Legislativo e no Executivo em mais de 3 décadas de pleitos

    O PT chega às eleições de 2026 com o menor número de candidaturas de sua história recente. São 1.097 nomes disputando vagas no Legislativo e no Executivo, segundo dados do TSE . É a 4ª eleição seguida em queda. O partido tinha 1.313 candidatos em 2018 e 1.119 em 2022.

    Neste ano, o PT também terá menos candidatos nas faixas etárias de 21 a 44 anos, mas ampliará a presença de candidatos mais velhos. O maior crescimento está entre os petistas de 70 a 74 anos, com alta de 77,4%, e entre os de 65 a 69 anos, com aumento de 26,3%.

    Imagem mostra o total de candidaturas do PT nas eleições gerais desde 1994
    Imagem mostra o total de candidaturas do PT nas eleições gerais desde 1994 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Ao todo, os dados indicam uma maior concentração de candidaturas do PT nas faixas acima dos 60 anos em 2026. A exceção está na faixa dos 75 aos 79 anos, que terá 1 candidato a menos ante 2022 (queda de 5,9%).

    O esvaziamento é mais um sintoma de um problema que a legenda tenta driblar há anos: a dificuldade de renovar quadros e formar novas lideranças fora do núcleo histórico que fundou o partido há 46 anos .

    A retração é puxada quase inteiramente pelos homens. Em 1994, o PT lançou 1.093 candidatos homens; hoje são 693, uma queda de 36,6%. As mulheres seguiram o caminho inverso por décadas, saindo de 161 candidaturas em 1994 para um pico de 443 em 2018 (alta de 175,2%).

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    Mas esse crescimento também parou. Em 2026, são 404 candidatas –2ª queda seguida. Elas somam 36,7% do total de candidaturas do partido, ante 63,3% dos homens.

    O partido terá 542 candidatos negros (pardos e pretos), o que representa 49,5% do total no PT em 2026. O número é menor que os 652 que disputaram o pleito em 2018 e os 559 registrados em 2022. Supera o total de brancos, com 509.

    O esvaziamento eleitoral aparece ao lado de outro sinal de fadiga organizacional: a falta de um nome capaz de suceder Lula. Internamente, ninguém no PT se apresenta como herdeiro enquanto o presidente de 80 anos segue na ativa. Quem se movimenta antes disso vira alvo tanto da oposição a Lula quanto de grupos lulistas dentro do próprio partido.

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    Nomes como Fernando Haddad , Guilherme Boulos e, mais recentemente, Camilo Santana já circularam como possíveis substitutos. Nenhum deles, porém, reúne consenso dentro da legenda.

    Além de Haddad, Boulos e Santana, Lula citou em 14 de agosto nomes como Rui Costa , Rafael Fonteles e João Campos (PSB-PE) como sucessores, mas insistiu que todos precisam ainda precisam “virar líderes” e “viajar pelo Brasil” para ganhar densidade nacional antes de 2030.

    A dificuldade de renovação dos quadros fica evidente com o aumento de candidatos acima de 60 anos. A sigla tem apostado em nomes da velha guarda para puxar votos, como José Dirceu , João Paulo Cunha e Delúbio Soares, que disputarão vagas na Câmara em 2026.

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    O congraçamento dos 46 anos do partido, em fevereiro, em Salvador, expôs o mesmo dilema. O evento foi dominado por quadros históricos enquanto lideranças jovens do PT tiveram presença tímida , tanto no palco quanto na plateia.

    Para a cúpula petista, o resultado de 2026 vai funcionar como um referendo do governo Lula. Será um cenário mais apertado do que em 2022, quando a disputa foi marcada pela rejeição a Jair Bolsonaro (PL).

    Com menos candidaturas na rua e sem um sucessor definido, o desafio do partido deixou de ser só ganhar a eleição. Os petistas querem assegurar que ainda existirá força organizada para disputar o próximo pleito.

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    O Poder360 utilizou dados do TSE atualizados até 19 de agosto de 2026, às 16h30. O prazo para registro de candidaturas terminou em 15 de agosto. O TSE ainda está consolidando as informações, que podem sofrer atualizações.

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    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/pt-tem-menor-numero-de-candidaturas-desde-as-eleicoes-de-1994/.

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