PT pede ao STF quebra de sigilo nas apurações do caso Master
Partido protocolou duas petições, uma para Mendonça e outra para Dino, e cita “vazamentos seletivos” com impacto na disputa eleitoral

Partido protocolou duas petições, uma para Mendonça e outra para Dino, e cita “vazamentos seletivos” com impacto na disputa eleitoral
O PT protocolou na noite de 4ª feira (9.set.2026) 2 petições no STF para pedir a retirada do sigilo de investigações relacionadas ao Banco Master. Os documentos foram encaminhados aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, que conduzem apurações sobre diferentes frentes do caso.
A cobrança pela abertura dos dados do Master passou a fazer parte do discurso público de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do partido nos últimos dias. Internamente, passaram a associar a atuação de André Mendonça na condução das investigações à permanência sob sigilo de informações que envolvem Flávio Bolsonaro (PL).

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A avaliação é que a divulgação de documentos que atingem adversários políticos de Flávio, enquanto o conteúdo das apurações que envolvem o senador permanece reservado, produz tratamento seletivo com efeito eleitoral.
Segundo o partido, parte das informações relacionadas ao Master vem a público enquanto os autos principais permanecem sob sigilo. O PT afirma que isso cria uma “publicidade em mosaico” , na qual documentos isolados chegam ao debate público sem o contexto completo das investigações.

Mendonça conduz inquéritos relacionados aos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse , sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), além de apurações sobre irregularidades envolvendo o INSS e o Banco Master. Eis a íntegra do pedido direcionado a Mendonça (PDF – 584 kB).
Dino, por sua vez, conduz investigações relacionadas a emendas que têm conexões com o banco – incluindo possível desvio para o financiamento do filme de Bolsonaro. Eis a íntegra do pedido direcionado a Dino (PDF – 584 kB).
Dino recebeu o pedido mais enxuto. O PT pediu a abertura de só 4 processos: os que tratam da prisão de Vorcaro e da compra do Master pelo BRB. Para Mendonça, o PT pediu a abertura de 9 processos, porque é ele quem conduz a maior parte do caso, incluindo as investigações sobre o filme de Bolsonaro e o INSS.
Nos 2 casos, o partido ressalva que dados pessoais de terceiros, diligências em curso e delações premiadas continuariam protegidos mesmo com a abertura dos autos.
No mesmo dia do pedido, o presidente pediu a abertura de todos os sigilos relacionados ao Banco Master. O presidente também classificou o caso como o maior crime financeiro da história do Brasil e afirmou que o país precisa conhecer o conteúdo completo das apurações.
O partido afirma que a divulgação de informações de forma parcial e descontextualizada pode interferir na disputa eleitoral. O 1º turno será realizado em 4 de outubro, a menos de 1 mês do protocolo das petições.
Nas 2 manifestações, os advogados do PT defendem que a publicidade deve ser a regra em investigações de interesse público. Para a legenda, a divulgação integral dos autos reduziria o efeito de vazamentos seletivos.
Os advogados dizem que esse modelo pode produzir desequilíbrio entre os candidatos.
As petições citam como precedente a operação Spoofing, que envolveu mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato. Lula fez a mesma referência em sua manifestação.
O partido lembra que, em 2020, o então ministro Ricardo Lewandowski permitiu que a defesa de Lula tivesse acesso às mensagens apreendidas na operação. A 2ª Turma do STF entendeu que os diálogos não estavam protegidos pelo sigilo quando relacionados ao exercício das funções públicas.
Para o PT, o precedente reforça que o interesse público pode prevalecer quando as informações envolvem agentes públicos e fatos relacionados ao exercício de suas funções.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/pt-pede-ao-stf-quebra-de-sigilo-nas-apuracoes-do-caso-master/.

Lula e Fachin durante a sanção de leis para o Judiciário — Foto: Poder360
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