PT erra com evangélicos pela terceira eleição consecutiva
A Quaest apresentou Flávio Bolsonaro pela primeira vez à frente. Se Lula for derrotado em outubro, uma parte da responsabilidade será do PT , que, pela terceira vez, terá perdido a oportunidade de dialogar com os 26,9% de evangélicos brasileiros. Leia mais (09/14/2026 - 20h46)

Antropólogo e historiador, autor de 'Crentes' (Record) e 'Povo de Deus' (Geração), pesquisa cristianismo, mundo popular, mídias digitais e esportes de combate
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A Quaest apresentou Flávio Bolsonaro pela primeira vez à frente. Se Lula for derrotado em outubro, uma parte da responsabilidade será do PT , que, pela terceira vez, terá perdido a oportunidade de dialogar com os 26,9% de evangélicos brasileiros.
Nada mudou no desempenho do PT desde a derrota de Fernando Haddad em 2018. A pesquisa BTG/Nexus , divulgada em 8 de setembro, aponta que Flávio Bolsonaro abriu 18 pontos sobre Lula entre evangélicos no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Flávio marca 58%, e o presidente, 31%.
Quais foram os pecados do partido em relação a evangélicos? A direção não tem afinidade nem simpatia pelo segmento e permite que ele seja tratado de maneira amadora. Não existe um nome no partido com poder de decisão para ser cobrado por seu desempenho.

O PT tem o Setorial Inter-religioso e o Núcleo de Evangélico do PT (Nept) como interfaces para dialogar com esse grupo. O trabalho dos dois é discreto e sem ousadia. Neste momento, eles distribuem santinhos eletrônicos , que são imagens com mensagens como "Sou evangélico e voto em Lula" e "Fé não tem partido".
Há também a Frente Evangélicos pelo Estado de Direito, um coletivo de pastores e teólogos progressistas com acesso ao presidente e à primeira-dama. Representam igrejas pequenas e são mais influentes no Rio de Janeiro. Por esses motivos, sua mensagem não chega ao crente comum espalhado pelo país.
O nome mais conhecido e de confiança do presidente para lidar com evangélicos é um católico. Ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto de Carvalho já trabalhou para representar Lula e costurar diálogos institucionais do governo com grandes pastores e suas denominações.
O maior exemplo do amadorismo do PT para lidar com o segmento é a atuação da primeira-dama, Janja da Silva, como porta-voz informal da campanha para dialogar com mulheres evangélicas.
Janja é feminista —um termo rejeitado em igrejas, inclusive por mulheres— e se apresenta como representante das religiosidades de matriz afro, o grupo politicamente mais distante do movimento evangélico.
Apesar disso, Janja aparece cantando um jingle de inspiração gospel desde o lançamento da campanha, em agosto. E, na semana passada, pegou carona no debate sobre o ministro André Mendonça para chamar Lula de " verdadeiro ungido de Deus ".
É um vocabulário que ela não domina, e o gesto soa oportunista e eleitoreiro. Essas aparições públicas, falando como se fosse crente, dão origem a material negativo espalhado pela candidatura adversária.
Na semana passada, o Datafolha registrou que a crise no STF não muda o voto da maioria dos eleitores. A menos que surja algo muito grave, teremos Flávio e Lula no segundo turno, com eleitores evangélicos escolhendo o vencedor.
O que resta ao PT é esperar que haja alguma denúncia que exponha seu adversário no quesito moral. É a única coisa que, a esta altura do campeonato, desestimularia evangélicos a votar nele nesta eleição.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/juliano-spyer/2026/09/pt-erra-com-evangelicos-pela-terceira-eleicao-consecutiva.shtml.

Janja em campanha em Brasília - Sérgio Lima - 13.set.26/AFP · Sérgio Lima - 13.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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