Brasil

    PT e PL aliam apoios táticos e chapas puras nos estados por palanque nacional

    Protagonistas da disputa presidencial, PT e PL chegam ao fim das convenções partidárias com apoios táticos a partidos de centro nos estados e apostando em chapas puras para ancorar a disputa nacional entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro . Leia mais (08/08/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de agosto de 2026 às 02:00
    PT e PL aliam apoios táticos e chapas puras nos estados por palanque nacional
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Protagonistas da disputa presidencial, PT e PL chegam ao fim das convenções partidárias com apoios táticos a partidos de centro nos estados e apostando em chapas puras para ancorar a disputa nacional entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro .

    Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) selaram suas respectivas candidaturas nas convenções partidárias - Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP · Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP
    Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) selaram suas respectivas candidaturas nas convenções partidárias - Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP · Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O PL terá candidatos próprios em 14 estados, enquanto o PT concorre a governos estaduais em 12 unidades da federação. Na maioria deles, os dois partidos ficaram restritos aos seus respectivos campos políticos, sem conquistar apoios de legendas mais ao centro.

    O cenário de polarização, que se mantém desde a última eleição, fez com que as principais legendas da esquerda se unissem na maioria dos estados. Na direita, o cenário é mais fragmentado, com disputas políticas e busca por protagonismo dentro do próprio campo.

    Esse cenário fez crescer o número de chapas puras do PL. Em 2022, o partido disputou as eleições com candidato a governador e vice do partido em três estados. Na eleição deste ano, essa formação chega a dez estados, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

    O presidente Lula em 2026
    O presidente Lula em 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As alianças mais amplas ficaram restritas a estados de Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello disputa a reeleição, além do Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.

    PT e PL entram na eleição tendo como prioridade a eleição para a Presidência, mas esbarraram em ampliar o arco de alianças nacional.

    De um lado, Flávio não conseguiu repetir o pai na parceria com PP e Republicanos de 2022 e vai para a eleição sem nenhum partido aliado. Lula será o único candidato à Presidência ancorado por uma coligação , com sete partidos, mas falhou na busca pelo apoio formal de legendas como PSD e MDB.

    Flávio Bolsonaro em pré-campanha à Presidência da República
    Flávio Bolsonaro em pré-campanha à Presidência da República — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para compensar a falta de aliados no centro, PT e PL costuraram acordos informais nos estados. O PT vai apoiar cinco candidatos a governador do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil, tendo como contrapartida o apoio a Lula.

    Exemplo disso é o Rio de Janeiro, onde o ex-prefeito Eduardo Paes ( PSD ) saiu do roteiro de distanciamento da disputa nacional ao indicar o objetivo de garantir a vitória de Lula no estado.

    "Nós temos palanques bem estruturados no Sul, no Sudeste e principalmente no Nordeste. E os partidos mais ao centro, eles liberaram [os diretórios locais]. A preocupação deles é mais eleger deputados e senadores", afirma José Guimarães (PT), ministro de Relações Institucionais do governo Lula.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O PL articulou apoios para candidatos a governador de outros partidos em 11 estados, com prioridade para PP, União Brasil e Republicanos. Flávio Bolsonaro, contudo, não terá o apoio no primeiro turno de ACM Neto (União Brasil-BA) Ciro Gomes (PSDB-CE) e Dr. Furlan (PSD-AP).

    Em Pernambuco, não houve acordo com a governadora Raquel Lyra (PSD): o PL lançou o deputado Mendonça Filho como candidato ao Senado, sem candidato ao governo. Em Alagoas, a aliança com o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, segue em negociação.

    Ainda assim o saldo é considerado positivo pela cúpula do partido: "Estamos com 22 palanques de candidaturas aos governos do estado que nos apoiam", disse Flávio Bolsonaro em uma live na quinta-feira (6), lembrando que terá o apoio de mais de um candidato em alguns estados.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mesmo com disposição em ceder espaço para os aliados, novos acordos travaram por causa da indecisão de aliados ou da existência de mais de um nome competitivo no mesmo campo político. Assim, o embate direto entre PT e PL vai se replicar em apenas quatro estados.

    Um deles é Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o PT decidiu lançar o deputado Patrus Ananias (PT) buscando um palanque fiel ao presidente Lula.

    O PL decidiu pela candidatura de Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, no fim do prazo para encerramento das convenções. A decisão foi tomada após aguardar semanas de indecisão do senador Cleitinho (Republicanos), que liderava as pesquisas para o governo.

    Além de Minas, PL e Republicanos não conseguiram chegar a um acordo e serão adversários diretos em Mato Grosso e Roraima. No Maranhão, Flávio Bolsonaro vai apoiar ex-senador Roberto Rocha (PRTB) para o governo, mas o PL não estará na coligação do candidato.

    A disputa pelo Senado será outro campo de batalha entre PT e PL, sendo encarada como prioridade para os dois partidos. A formação de uma maioria na Casa é apontada como decisiva para possíveis embates com o STF (Supremo Tribunal Federal), incluindo possíveis pedidos de impeachment de ministros.

    O PL lançou nada menos que 33 candidatos ao Senado em 25 unidades da federação, deixando de indicar nomes para a disputa apenas no Amapá e em Alagoas. Neste último, o deputado Alfredo Gaspar deixou a disputa pelo Senado para compor a chapa de Flávio Bolsonaro como vice.

    A legenda vai concorrer às duas vagas em disputa em sete unidades da federação, incluindo Rio de Janeiro, Distrito Federal , Goiás e Santa Catarina.

    Para contrapor um possível avanço do bolsonarismo, o PT vai apoiar candidatos de partidos aliados ao Senado e lançou 19 candidaturas próprias em 17 estados. O partido concorre às duas vagas na Bahia, com o senador Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa , e no Paraná, com Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha.

    Na maioria dos estados do Nordeste, as chapas ao Senado da base de Lula serão formadas por nomes mais à esquerda. Em Pernambuco, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes ( PDT ) vão fazer uma dobradinha na chapa liderada por João Campos (PSB).

    No Ceará, depois da escolha de Cid Gomes (PDT) para concorrer ao Senado, a chapa foi completada com a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. Sem espaço no PT, ela deixou o partido após 37 anos, se filiou à Rede Sustentabilidade e entra na disputa com o aval de Lula.

    Nesse cenário de disputa política acirrada entre os polos, candidatos ligados a partidos de centro desistiram de concorrer ao Senado na última semana, caso de Álvaro Dias (MDB-PR), Irajá Abreu (PSD-TO), Nelsinho Trad (PSD-MS) e Aécio Neves (PSDB-MG).

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/pt-e-pl-aliam-apoios-taticos-e-chapas-puras-nos-estados-por-palanque-nacional.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) selaram suas respectivas candidaturas nas convenções partidárias - Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP · Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)