Prova de ciências da natureza no Enem exige conexão entre disciplinas; saiba o que cai mais
A prova de ciências da natureza do Enem está entre as mais exigentes do exame. Ao reunir questões de biologia, física e química, a prova demanda que o estudante domine conteúdos de diferentes áreas e consiga aplicá-los na interpretação de situações do cotidiano. Leia mais (10/08/2026 - 08h00)

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A prova de ciências da natureza do Enem está entre as mais exigentes do exame. Ao reunir questões de biologia, física e química, a prova demanda que o estudante domine conteúdos de diferentes áreas e consiga aplicá-los na interpretação de situações do cotidiano.

Para professores ouvidos pela Folha , conhecer os temas que mais caem ajuda na preparação, mas não basta decorar conceitos.
Arthur Antunes, professor de biologia e assessor educacional da Rede Alfa CEM Global Academy, considera a área uma das mais difíceis do exame nacional.
Segundo ele, o estudante precisa ter domínio suficiente de biologia, física e química e ainda conseguir transitar entre conhecimentos diferentes em uma mesma questão. "Às vezes, ele começa a questão pensando que ela é de biologia, mas, no final, percebe que precisa mobilizar conhecimentos de química ou de física", explica.

Realizada no segundo dia do exame, junto à prova de matemática, a prova de ciências da natureza tem 45 questões. Venerando Santiago, professor de física do Colégio Poliedro, lembra que o estudante precisa também de outras características para ir bem na prova. "Além de dominar os conteúdos, o estudante precisa ter resistência para conseguir manter a concentração até o final."
Na biologia, o tema da ecologia aparece como um dos principais conteúdos. A lista também inclui ainda citologia, metabolismo energético, microbiologia, parasitologia, fisiologia humana, evolução, biotecnologia e genética.
Na biologia, o estudante deve ter atenção às cadeias alimentares, ciclos da água, do carbono e do nitrogênio, biomas, biodiversidade, impactos ambientais e poluição.

As mudanças climáticas também podem aparecer associadas a diferentes biomas. Já os ciclos, por exemplo, podem exigir conhecimentos de biologia, química e física ao mesmo tempo.
Antunes explica que a preferência do Enem por esses conteúdos está relacionada à possibilidade de conectá-los a outras áreas. "A ecologia talvez seja o conteúdo que mais oferece possibilidade de diálogo entre essas três áreas", afirma o professor.
Outro eixo importante é a relação entre ciências e saúde. Temas como vacinação, parasitologia e saúde pública estão entre os temas que podem aparecer associados a problemas sociais e ambientais. Mais do que decorar nomes de doenças ou organismos, o candidato precisa compreender a relação desses conteúdos com o dia a dia.

A genética também pode ser cobrada a partir de situações práticas, como a análise e identificação de padrões de herança e a interpretação de informações sobre doenças hereditárias. Além disso, a genética pode aparecer relacionada à biotecnologia, à produção de medicamentos, aos testes genéticos e às discussões sobre organismos geneticamente modificados.
Na física, mecânica aparece como o principal eixo entre os conteúdos cobrados no Enem, seguida por eletricidade, física térmica, ondulatória, óptica e magnetismo. Segundo o professor Venerando, mecânica continua sendo a parte mais cobrada, embora a ondulatória também tenha ganhado espaço no exame.
A importância da ondulatória está, em parte, na quantidade de aplicações que o conteúdo permite. Exames médicos, radares, telecomunicações, forno de micro-ondas e radiação solar são exemplos citados pelo professor.

"Tem muitas situações do dia a dia que não são colisões, mas podem ser tratadas como colisões, então acabam sendo incluídas nesse conjunto também", afirma o professor ao explicar a presença de situações práticas na prova.
Apesar da presença de fórmulas, a recomendação é não transformar a preparação em uma tentativa de decorar equações. Venerando aponta como importantes conceitos e relações de mecânica envolvendo velocidade média, aceleração, segunda lei de Newton, energia cinética e impulso.
Antunes ressalta que o cálculo cobrado pelo Enem tende a ser mais simples do que muitos estudantes imaginam. O problema, segundo ele, é compreender qual conceito físico deve ser usado para chegar ao resultado. "Você precisa dominar muito mais os conteúdos por trás daquele cálculo do que o cálculo em si."
Na química, entre os conteúdos recorrentes estão transformações químicas, propriedades dos materiais, relações da química com tecnologia, leis e cálculos químicos e questões ambientais.
Para Antunes, uma das dificuldades da disciplina está na forma como o conhecimento é apresentado. Uma questão pode ser construída a partir de um tema associado à biologia ou ao meio ambiente, mas exigir do candidato um conceito específico de química. "O aluno se confunde", afirma. Segundo ele, o estudante pode passar boa parte da questão mobilizando conhecimentos de uma área e só perceber no comando que a resposta depende de um conceito químico.
Os cálculos também entram nesse desafio. Estequiometria, relações envolvendo mol e balanço de reações exigem que o candidato consiga combinar interpretação e resolução matemática.
Meio ambiente e fontes de energia aparecem como temas que podem atravessar as três disciplinas. Uma mesma temática pode ser abordada por diferentes caminhos, exigindo do estudante a capacidade de reconhecer qual conteúdo está sendo cobrado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/10/prova-de-ciencias-da-natureza-no-enem-exige-conexao-entre-disciplinas-saiba-o-que-cai-mais.shtml.

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