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    Protestos em escolas tomam a França, e estudante perde a mão em embate com polícia

    Incidente com jovem ocorreu durante manifestação em colégio de ensino médio; Macron acusa esquerda pelos atos

    UOL
    5 de outubro de 2026 às 15:00
    Protestos em escolas tomam a França, e estudante perde a mão em embate com polícia
    Pessoa vestida com fantasia azul de tubarão está no centro de rua, cercada por grupo de manifestantes ao fundo e policiais com equipamentos de proteção na frente. — Foto: UOL

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    Centenas de escolas de ensino médio ficaram parcial ou totalmente bloqueadas nesta segunda-feira (5) na França , em meio aos protestos estudantis que se espalharam por todo o país para exigir mais recursos e denunciar a deterioração das condições de ensino.

    Estudante fantasiado de tubarão faz gestos diante de policiais em frente à escola de ensino médio Gustave Eiffel, em Bordeaux, na França - Christophe Archambault/AFP · Christophe Archambault/AFP
    Estudante fantasiado de tubarão faz gestos diante de policiais em frente à escola de ensino médio Gustave Eiffel, em Bordeaux, na França - Christophe Archambault/AFP · Christophe Archambault/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo o Ministério da Educação , 413 instituições registravam protestos ou distúrbios de manhã, número 27% menor que o verificado na sexta-feira (2) no mesmo horário, embora os sindicatos estudantis mantenham a convocação de uma nova jornada nacional de mobilização para terça-feira (6).

    Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos durante um protesto em Lens, no norte da França, informaram as autoridades locais.

    Segundo uma fonte policial, o acidente ocorreu depois que o adolescente recolheu uma granada , mas as autoridades ainda não forneceram detalhes.

    Manifestante é detido por policiais de choque durante confrontos perto da praça da Bastilha, em Paris - Lou Benoist/AFP · Lou Benoist/AFP
    Manifestante é detido por policiais de choque durante confrontos perto da praça da Bastilha, em Paris - Lou Benoist/AFP · Lou Benoist/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    François-Xavier Lauch, prefeito de Pas-de-Calais, recusou-se a comentar sobre as circunstâncias exatas, dizendo que cerca de 200 a 250 manifestantes estavam arremessando objetos, como pedras, contra a polícia.

    À imprensa francesa, Lauch afirmou que o estudante não corre risco de morte e que o adolescente foi transferido rapidamente para um hospital próximo.

    "A ordem dada pelo diretor interdepartamental da Polícia Nacional, evidentemente com a minha concordância, foi deslocar para cá um efetivo de segurança, e foi nesse contexto que esse incidente ocorreu", disse o prefeito.

    Quatro policiais com uniformes pretos e capacetes prendem um homem de capuz e mãos algemadas em uma calçada de rua. Dois policiais seguram o homem pelos braços, enquanto outros dois observam próximos. Ao fundo, há árvores e mais policiais.
    Quatro policiais com uniformes pretos e capacetes prendem um homem de capuz e mãos algemadas em uma calçada de rua. Dois policiais seguram o homem pelos braços, enquanto outros dois observam próximos. Ao fundo, há árvores e mais policiais. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Evidentemente, esses fatos são muito lamentáveis. Meus pensamentos estão com esse aluno de 15 anos. Meus pensamentos também estão com sua mãe e seu pai. Entrarei em contato com eles mais tarde, assim que os procedimentos judiciais tiverem sido realizados."

    Uma fonte sindical da polícia afirmou que se tratava de uma granada de efeito moral lançada por agentes antidistúrbios e que o estudante teria tentado jogala de volta antes que ela explodisse em sua mão.

    Grupos de direitos humanos acusam a polícia de usar táticas agressivascontra menores, incluindo cassetetes e gás lacrimogêneo.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Entre outras investigações sobre métodos policiais, as autoridades estão analisando o caso de um jovem de 16 anos que sofreu uma lesão ocular após a polícia disparar balas de borracha contra uma multidão de manifestantes, segundo seus amigos.

    Desde o fim de setembro, estudantes bloqueiam as entradas de suas instituições de ensino para protestar contra a falta de professores, a lotação das salas de aula e uma infraestrutura que consideram inadequada diante das altas temperaturas.

    "Estamos faltando às aulas para te dar uma lição", dizia um dos cartazes exibidos diante do liceu parisiense Turgot.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mobilizações semelhantes foram registradas em cidades como Rennes, no oeste do país. Em Lille, no norte, os protestos geraram incidentes, com danos a pontos de ônibus e incêndios em contêineres, o que levou à intervenção da polícia.

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    O movimento começou em meados de setembro na região de Paris e se espalhou pelo país entre os alunos do ensino médio, em sua maioria com idades entre 15 e 18 anos.

    O movimento ganhou força e se alastrou por toda a França, resultando, por vezes, em atos de vandalismo, como incêndios nos acessos a instituições de ensino e confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

    No mesmo dia em que os sindicatos estudantis planejam uma nova jornada nacional de mobilização, o governo realizará uma reunião com as regiões para tratar da crise no sistema educacional.

    O governo de Emmanuel Macron diz que tem procurado atender às reivindicações, ao mesmo tempo que acusa a esquerda radical de incentivar esses protestos. As eleições presidenciais francesas vão acontecer em seis meses.

    A A França Insubmissa (LFI), partido de esquerda radical liderado por Jean-Luc Mélenchon , nega incentivar a violência e acusa o governo de politizar a questão e negligenciar os interesses dos alunos.

    Na região de Paris , um terço das 468 escolas de ensino médio foi afetado pelo movimento nesta segunda-feira. Diante de várias instituições, grupos de alunos se reuniram para entoar palavras de ordem, enquanto motoristas buzinavam em sinal de apoio.

    Desde o início do movimento, 24 instituições de ensino foram "incendiadas ou saqueadas", denunciou o ministro da Educação, Edouard Geffray.

    Geffray afirma que o governo está avançando para enfrentar as dificuldades e expectativas dos estudantes do ensino médio. "28 conselhos acadêmicos de vida do ensino médio, representando quase 350 estudantes eleitos do ensino médio, se reuniram em toda a França esta semana", publicou no X.

    Segundo ele, o governo de Emmanuel Macron tenta diálogar desde o início da mobilização, para "resolver os problemas em termos concretos e proteger os estudantes da violência".

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    De acordo com o Executivo, mais de 5.000 pessoas foram detidas, 85% delas menores de idade.

    O governo também promove um projeto de lei para que os responsáveis pelos jovens que causaram danos ao patrimônio público assumam os custos dos reparos.

    A iniciativa prevê inclusive a possibilidade de descontar esses valores de determinados benefícios sociais, proposta criticada por sindicatos e organizações de esquerda.

    A secretária-geral da central sindical CGT, Sophie Binet, classificou a medida como um "anúncio populista" e advertiu que ela poderia acabar afetando as famílias mais vulneráveis.

    Colaborou DOUGLAS GAVRAS, de Buenos Aires.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/protestos-em-escolas-tomam-a-franca-e-estudante-perde-a-mao-em-embate-com-policia.shtml.

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