Protestos abalam a França em crise fiscal
A França é famosa por seus vinhos, queijos e protestos. O país se vê mais uma vez tomado por uma onda de manifestações , iniciada há cerca de 20 dias por estudantes secundaristas que reclamavam de falta de recursos e de professores, mas que rapidamente conquistou a adesão de outros setores. Leia mais (10/08/2026 - 22h00)

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A França é famosa por seus vinhos, queijos e protestos. O país se vê mais uma vez tomado por uma onda de manifestações , iniciada há cerca de 20 dias por estudantes secundaristas que reclamavam de falta de recursos e de professores, mas que rapidamente conquistou a adesão de outros setores.
Estima-se que mais de 250 mil pessoas tenham comparecido às últimas marchas, enquanto os protestos chegaram a mobilizar quase um quarto dos liceus.
Embora a maior parte dos manifestantes proteste pacificamente, registram-se episódios recorrentes de violência, com depredações, incêndios, saques, agressões e confrontos com a polícia. O ministro do Interior informou, na segunda (7), que 761 policiais, 215 estudantes e 89 funcionários de escolas foram feridos; ocorreram mais de 6.000 detenções, muitas delas de menores.

Protestos na França têm pedigree. Vão da Revolução Francesa (1789), passam pela Comuna de Paris (1871) e pelo chamado Maio de 1968. Mesmo quando não atingem a dimensão de eventos históricos, afetam as percepções da sociedade e têm o poder de influenciar as políticas dos governos.
Neste século, houve protestos contra a violência policial, em 2005, os preços dos combustíveis, em 2018 e 2019, e a reforma da Previdência, em 2023. Em janeiro, agricultores fecharam ruas de Paris contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
Governos de diferentes matizes ideológicos, ainda que reprimam alguns eventos, não deixam de ouvir os cidadãos e, muitas vezes, atender às reivindicações.

Na França, é muito difícil cortar ou redesenhar benefícios sociais. Mas, se os protestos sensibilizam autoridades, não alteram realidades demográficas e econômicas. Desde 1974, a França não executou nenhum Orçamento equilibrado. A dívida pública está em € 3,6 trilhões, o equivalente a 119% do PIB . Num contexto global de alta de juros, a deterioração fiscal torna-se alarmante.
Politicamente, as manifestações representam mais desgaste para o presidente Emmanuel Macron e, pior, tendem a impulsionar forças autoritárias. Macron não poderá concorrer à reeleição em abril e não parece ter herdeiro competitivo.
Marine Le Pen , da ultradireita, aparece nas pesquisas como grande favorita, e Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, está entre os mais bem cotados para chegar a um segundo turno.
A se confirmar esse cenário, será interessante ver como um governante ilib https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/franca-mergulha-em-crise-fiscal-sob-fogo-cruzado-dos-mercados-e-das-ruas.shtml eral lida com protestos, que, dada a tradição francesa, não desaparecerão.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/protestos-abalam-a-franca-em-crise-fiscal.shtml.

Policiais diante de manifestação de estudantes, em Paris (França) - Abdul Saboor - 8.out.26/Reuters · Abdul Saboor - 8.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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