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    Proteína que causa morte de neurônios faz doença de Creutzfeldt-Jakob avançar rapidamente

    Apenas 41 dias após o anúncio de que havia recebido diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) , o influenciador Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º) , aos 59 anos. O corpo de Lito foi velado na manhã desta sexta (2) , em São Paulo, e o sepultamento deve ocorrer nas próximas horas. Leia mais (10/02/2026 - 14h29)

    Folha de S.Paulo
    2 de outubro de 2026 às 17:29
    Proteína que causa morte de neurônios faz doença de Creutzfeldt-Jakob avançar rapidamente
    Homem de camiseta preta e mulher de jaqueta azul sentados juntos em varanda com vidro, com vista para cidade ao fundo em dia claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Apenas 41 dias após o anúncio de que havia recebido diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) , o influenciador Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º) , aos 59 anos. O corpo de Lito foi velado na manhã desta sexta (2) , em São Paulo, e o sepultamento deve ocorrer nas próximas horas.

    Lito Sousa e a esposa, Mila Seidl, em vídeo gravado quando descobriu a doença de Creutzfeldt-Jakob, em agosto - Reprodução · Reprodução
    Lito Sousa e a esposa, Mila Seidl, em vídeo gravado quando descobriu a doença de Creutzfeldt-Jakob, em agosto - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A DCJ é uma doença rara de evolução rápida. Neurodegenerativa, a condição provoca a morte progressiva dos neurônios e é causada pelo acúmulo anormal de uma proteína chamada príon no cérebro. Trata-se de uma doença rara, com incidência estimada de 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano, segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

    Segundo o neurologista especialista em cognição Victor Calil, membro da ABN (Academia Brasileira de Neurologia), a doença progride muito rapidamente porque a proteína priônica anormal contamina outras proteínas saudáveis, provocando a degeneração e a morte dos neurônios de forma agressiva.

    "Uma proteína anormal gera duas [proteínas], que gera quatro, que gera oito. Quando ela está presente em um número mais alto, a evolução é muito rápida e muito agressiva", diz Calil.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A partícula priônica se espalha como se fosse um vírus pelos neurônios", acrescenta o neurologista Fábio Porto.

    Porto afirma que já atendeu um paciente com diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob que morreu em três meses, e outro que sobreviveu por mais de dois anos. Para ele, um fator decisivo está no tempo até o diagnóstico, que pode demorar, visto que é uma condição rara.

    Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 90% dos pacientes com DCJ morrem em até um ano. Alguns especialistas dizem que o tempo de sobrevida vai de quatro a seis meses.

    "Tem paciente em que a doença evolui de maneira mais rápida, outros em que o quadro progride mais lentamente. Se a pessoa tem alguma doença ou comorbidade, pode acelerar a progressão", explica o médico da ABN.

    Lito recebeu o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob em agosto, após revelar um quadro de câncer de próstata em julho.

    A DCJ não tem cura, e os pacientes são geralmente submetidos a tratamento paliativo. Também não há medicamento específico para tratar a condição, mas remédios para aliviar os sintomas e oferecer mais qualidade de vida ao paciente.

    "Se ele estiver tendo espasmo, dor, crise convulsiva, o tratamento vai no sentido de oferecer o máximo de conforto e bem-estar possível, considerando que a gente não tem como tratar a doença em si, apenas os sintomas", afirma Calil.

    Lito recebeu em setembro uma substância experimental desenvolvida pela Regeneron Pharmaceuticals, dos Estados Unidos. Chamada ALN-6457, a droga ainda está em estágio prévio ao desenvolvimento clínico, sem estudos formalmente iniciados em seres humanos.

    No dia 14 de setembro, a esposa de Lito Sousa , Mila Seidl, informou que o marido havia recebido a substância e que não havia tido intercorrências causadas pelo tratamento. Na ocasião, ele já estava na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein devido à evolução da doença.

    Os médicos ouvidos pela reportagem afirmam não ser possível dizer se a droga experimental recebida por Lito pode ter causado algum efeito adverso ou acelerado a morte de Lito.

    "É impossível dizer se o remédio ajudou ou atrapalhou. O remédio está em teste, ainda na fase 1, e a gente não pode esperar nada dele. É uma medida de desespero mesmo [se submeter ao tratamento]", afirma Calil.

    É impossível dizer se o remédio ajudou ou atrapalhou. O remédio está em teste, ainda na fase 1, e a gente não pode esperar nada dele. É uma medida de desespero mesmo [se submeter ao tratamento]

    médico neurologista membro da ABN (Academia Brasileira de Neurologia)

    Mila e Lito pediram acesso à substância experimental por meio do uso compassivo, em que um paciente recebe um medicamento ainda em testes quando não há outras opções disponíveis para o tratamento da doença. À época, Mila explicou que não via outra saída.

    "Se você usar aquele medicamento fora dos estudos [clínicos] você tem um risco, porque não estão 100% validadas as partes de eficácia e segurança. Mas, se você não toma, também, o desfecho já é aquele. Então é quando você não tem nenhuma saída mais, não existe o que você possa fazer. E se você não fizer nada o desfecho não tem como não ser a morte", disse no vídeo publicado em 14 de setembro .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/proteina-que-causa-morte-de-neuronios-faz-doenca-de-creutzfeldt-jakob-avancar-rapidamente.shtml.

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    Lito Sousa e a esposa, Mila Seidl, em vídeo gravado quando descobriu a doença de Creutzfeldt-Jakob, em agosto - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo

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