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    Proteger as florestas é investir no agronegócio

    Neste momento em que lembramos da importância da ação coletiva para a conservação dos biomas brasileiros, devemos reconhecer que a estabilidade econômica do país depende diretamente dos serviços ambientais proporcionados por esses ecossistemas. Leia mais (08/17/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 11:00
    Proteger as florestas é investir no agronegócio
    A imagem mostra uma área de floresta amazônica ao lado de uma região desmatada. A parte desmatada é de solo exposto, com algumas áreas de vegetação remanescente nas bordas. Ao fundo, é possível ver uma densa floresta verde, contrastando com — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Área desmatada para o plantio de soja às margens da rodovia Transamazônica e vizinha da Terra Indígena Sawré Bap In do povo Munduruku - Lalo de Almeida - 04.maio.2025/Folhapress · Lalo de Almeida - 04.maio.2025/Folhapress
    Área desmatada para o plantio de soja às margens da rodovia Transamazônica e vizinha da Terra Indígena Sawré Bap In do povo Munduruku - Lalo de Almeida - 04.maio.2025/Folhapress · Lalo de Almeida - 04.maio.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Gerente de Agricultura e Florestas Pacto Global da ONU – Rede Brasil

    Neste momento em que lembramos da importância da ação coletiva para a conservação dos biomas brasileiros, devemos reconhecer que a estabilidade econômica do país depende diretamente dos serviços ambientais proporcionados por esses ecossistemas.

    Em um mundo marcado pela emergência climática , proteger as florestas significa preservar a capacidade do Brasil continuar produzindo, exportando e liderando a agricultura tropical nas próximas décadas.

    Desmatamento na cidade de Balsas, no Maranhão
    Desmatamento na cidade de Balsas, no Maranhão — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As florestas regulam o regime de chuvas, armazenam carbono, protegem nascentes, mantêm a fertilidade dos solos, reduzem temperaturas extremas e sustentam uma biodiversidade essencial para a produtividade no campo. Mais do que patrimônio ambiental, constituem parte da infraestrutura produtiva do país.

    Por aqui, nosso país abriga a maior floresta tropical do planeta , concentra uma das maiores biodiversidades do mundo e mantém cerca de dois terços do território cobertos por vegetação nativa. Essa riqueza natural garante a resiliência dos sistemas produtivos e faz do país uma potência agropecuária e ambiental.

    Durante décadas, produção e conservação foram tratadas como objetivos incompatíveis . Hoje, essa visão perdeu espaço. Economias competitivas serão aquelas capazes de produzir preservando os ecossistemas dos quais dependem.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda assim, o desafio permanece. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o planeta perdeu cerca de 420 milhões de hectares de florestas desde 1990 e ainda desmata aproximadamente 10 milhões de hectares por ano, sobretudo em regiões tropicais.

    No Brasil, dados do MapBiomas mostram que a conversão da vegetação nativa permanece concentrada no Cerrado e na Amazônia, evidenciando um risco ambiental e econômico.

    Ao mesmo tempo, mercados consumidores, investidores e instituições financeiras adotam critérios ambientais cada vez mais rigorosos. Rastreabilidade , comprovação da origem das matérias-primas e combate ao desmatamento deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos de acesso aos mercados internacionais. Transparência e responsabilidade passaram a integrar a lógica da competitividade.

    Nesse contexto, combater o desmatamento deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar uma estratégia de negócios. Empresas que incorporam conservação ambiental, rastreabilidade e produtividade ampliam sua competitividade, fortalecem sua posição perante investidores e aumentam a resiliência de suas operações.

    O Brasil reúne condições para liderar essa transformação, combinando agropecuária altamente produtiva, matriz energética majoritariamente renovável e o maior patrimônio de florestas tropicais do planeta.

    O setor empresarial exerce papel decisivo nesse processo. Decisões sobre investimentos, crédito, compras e gestão das cadeias de suprimentos influenciam diretamente a conservação dos ecossistemas. Além de atender às exigências regulatórias, as empresas podem impulsionar soluções como agricultura regenerativa, restauração florestal, bioeconomia, rastreabilidade e soluções baseadas na natureza.

    É nesse cenário que iniciativas como o Movimento Impacto Biomas, do Pacto Global da ONU – Rede Brasil , mobilizam empresas para acelerar ações de conservação, restauração e desenvolvimento sustentável nos biomas brasileiros.

    Ao promover a colaboração entre empresas, ciência, organizações da sociedade civil e setor público, o Movimento reforça um dos principais aprendizados da agenda climática: enfrentar o desmatamento exige alianças.

    A mensagem que quero deixar é esta: as florestas integram o patrimônio do agronegócio brasileiro. São elas que regulam o clima, garantem a disponibilidade de água e sustentam a produtividade no campo.

    Proteger esse patrimônio não significa impor limites ao desenvolvimento, mas assegurar que ele continue sendo possível. Afinal, o futuro da economia dependerá cada vez mais da nossa capacidade de produzir regenerando.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/08/proteger-as-florestas-e-investir-no-agronegocio.shtml.

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    Área desmatada para o plantio de soja às margens da rodovia Transamazônica e vizinha da Terra Indígena Sawré Bap In do povo Munduruku - Lalo de Almeida - 04.maio.2025/Folhapress · Lalo de Almeida - 04.maio.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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