Propostas da Live Nation, Construcap e mais empresas para arena em Pinheiros incluem shopping e hotel
Quatro grupos apresentaram contribuições para o PPMI (Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse) aberto pela Prefeitura de São Paulo para a construção de arena multiuso para até 20 mil pessoas e hub de inovação na marginal Pinheiros, na zona oeste . Leia mais (08/14/2026 - 09h00)

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Quatro grupos apresentaram contribuições para o PPMI (Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse) aberto pela Prefeitura de São Paulo para a construção de arena multiuso para até 20 mil pessoas e hub de inovação na marginal Pinheiros, na zona oeste .

A lista traz grandes empresas do setor de entretenimento e gestão de arenas, como a Live Nation e a Construcap.
As sugestões incluem construções adicionais no mesmo complexo, como shopping, prédio corporativo, hotel, domo para shows e esplanada.
Um dos grupos também defendeu a criação de incentivos fiscais para que empresas de inovação se instalem no hub, como redução de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto Sobre Serviços).

O PPMI é voltado a colher subsídios para o desenvolvimento de uma concessão ou PPP (Parceria Público-Privada) do chamado Hub Pinheiros. A proposta em estudo abrange terreno da subprefeitura de Pinheiros cobiçado há décadas pelo setor privado, além de incluir a praça Victor Civita.
A possível mudança tem sido criticada por uma parte da vizinhança. O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil em andamento e solicitou esclarecimentos à gestão Ricardo Nunes (MDB) após ser procurado por duas associações de bairros vizinhos.
A SAAP (Associação dos Amigos de Alto de Pinheiros) também criou abaixo-assinado virtual, com cerca de 3.800 apoiadores. Nele, defende a suspensão imediata do PPMI até a realização de estudos de impacto e a promoção de audiências públicas na atual proposta, entre outras demandas.

Com 53.795 m² ao todo, o espaço abrange a sede da subprefeitura e instalações da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da Unidade de Vigilância em Saúde Lapa/Pinheiros.
Diversos prefeitos cogitaram a permuta ou venda ao longo de anos, como Marta Suplicy (PT) , Gilberto Kassab (então PFL, hoje PSD) e João Doria (então PSDB).
A gestão Ricardo Nunes ( MDB ) tem destacado que realizará audiência e consulta pública. Também tem afirmado que serão definidos após a análise das contribuições do PPMI os custos da obra e a nova localização dos órgãos públicos que precisariam deixar o local.

A contribuição mais robusta foi a da Live Nation, com 131 páginas, feita em conjunto com as empresas de inteligência Arena Assessoria de Projetos e Urban Systems. A documentação inclui análise de mercado e modelagem econômico-financeira de empreendimento multiuso com prédio corporativo de alto padrão e shopping.
Hoje, o grupo Live Nation é um dos maiores no setor de promoção de grandes eventos no mundo, com aumento de 25 para 41 no número de arenas próprias e que opera, de 2024 para 2025. Em São Paulo, recentemente anunciou parceria para implantação de espaço do tipo em conjunto com o Center Norte e tem contrato para realização de apresentações com o São Paulo Futebol Clube.
Como referência, nos subsídios, foi apresentado empreendimento hipotético de 17.069 m², com custo de implantação de R$ 120,12 milhões. Esses valores não incluem as demais construções, e envolvem modelagem de parceria por 30 ou 40 anos.

No material remetido à prefeitura, é ressaltado que a chamada "Marginal Oeste" é um polo de alta atratividade a empresas de tecnologia, finanças e serviços.
Também indicou a inclusão de um shopping, mais tradicional ou no modelo de "strip mall". Esse segundo é um tipo de centro comercial de menor porte, com estabelecimento âncora (como supermercado) junto a lojas, lanchonetes e serviços.
Além disso, o documento defende incentivos fiscais inspirados no Porto Digital, no Recife, como a redução da alíquota de ISS.

Com 97 páginas de documentos, o grupo Construcap apresentou plantas e croquis referenciais assinados pelo BCMF Arquitetos. O escritório é o mesmo com quem trabalhou em projetos para a concessão dos estádios Mineirão e Serra Dourada, em Belo Horizonte e Goiânia.
O material traz todas as construções propostas conectadas por uma esplanada elevada. A arena seria revestida de policarbonato translúcido, enquanto o hub de inovação seria um prédio com jardim no terraço.
"A arena, o Hub de Inovação, a infraestrutura operacional e a esplanada deixam de funcionar como elementos autônomos e passam a integrar um único sistema urbano, concebido para permanecer ativo durante todo o dia e adaptável às transformações da cidade", resumiu o documento.

A documentação tem 79 páginas, apresentada por uma nova empresa do mercado: a In Entretenimento, criada no fim de 2025 e que tem entre os diretores Luís Fernando Casari Davantel, antigo executivo da WTorre no mesmo setor, responsável pelo então Allianz Parque.
Os subsídios destacam a implantação de hotel com centro de convenções, além de comércios, serviços e restaurantes como usos complementares para a viabilidade econômico-financeira. Estimativas consideram um período de parceria por até 50 anos, dos quais de 5 a 7 anos para implantação.
No material, há o reconhecimento de potenciais impactos no trânsito, no microclima e na vizinhança, com medidas de mitigação indicadas, como controle de horários de eventos.

Menos ligado ao setor do que os demais participantes do PPMI, o Instituto Idea apresentou documentação de 54 páginas. O relatório de subsídios defende que a arena seja poliesportiva e para público de 10 a 12 mil pessoas, com infraestrutura flexível, climatizada e com arquibancada retrátil.
Desse modo, o espaço teria foco especial em eventos esportivos de média capacidade — como de vôlei, tênis, ginástica, e-sports e basquete —, mas também poderia receber programação cultural e corporativa.
O relatório destaca que público superior ao que sugere teria grande impacto no tráfego, exigindo projeto mais complexo e caro. Ainda defende que as contrapartidas exigidas incluam melhorias urbanas no entorno da estação e do terminal Pinheiros.
Além disso, o instituto propõe a construção de um domo de 5.000 m², para até 1.000 pessoas, voltado a apresentações nos períodos em que a arena não está em uso.
Nas justificativas do PPMI, a prefeitura apontou que os lotes têm "baixo grau de aproveitamento social e econômico". No caso da arena, exige mínimo de 20 dias com eventos pela prefeitura por ano.
Além disso, destacou a localização estratégica em região com intensa atividade empresarial, como a avenida Brigadeiro Faria Lima, e próxima de eixos de transporte, como o terminal Pinheiros (de metrô, trem e ônibus).
Há a previsão também de edifício-garagem de 6.000 m² e hub de inovação de 8.000 m² — com coworking, salas de reunião, auditórios, áreas de convivência e outros espaços voltados em parte a temáticas de cidades sustentáveis, mobilidade inteligente e tecnologia.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/propostas-da-live-nation-construcap-e-mais-empresas-para-arena-em-pinheiros-incluem-shopping-e-hotel.shtml.

Croqui apresentado pela Construcap com BCMF Arquitetos mostra iluminação cênica do complexo à noite, com arena ao centro - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo
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