Proposta de Gilmar para retirar delegados do STF contraria decisão do Ministério da Justiça
Proposta recebe apoio do diretor-geral da PF, mas provoca críticas de integrantes da corporação

A proposta do ministro Gilmar Mendes , decano do Supremo Tribunal Federal (STF), para impedir que delegados da Polícia Federal atuem nos gabinetes dos ministros da Corte vai na contramão de uma decisão adotada recentemente pelo Ministério da Justiça. As informações são da CNN.
Em julho, a pasta determinou o retorno à PF de 52 servidores que estavam cedidos a outros órgãos públicos. A medida, porém, não incluiu os cinco profissionais que trabalham como assessores de ministros do Supremo.
Na ocasião, o Ministério da Justiça entendeu que a permanência desses servidores era necessária para auxiliar os magistrados na condução de inquéritos sob suas relatorias.
A convocação atingiu profissionais cedidos a instituições como Superior Tribunal de Justiça (STJ), Advocacia-Geral da União (AGU), Defensoria Pública da União (DPU), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Justiça Federal, entre outros órgãos.
Parte dos servidores recorreu da determinação e permaneceu nos postos após o Ministério da Justiça criar um grupo para reavaliar individualmente os casos. O STJ, por exemplo, solicitou a manutenção de sua equipe.
Delegados atuam em gabinetes de ministros do STF
A discussão sobre os servidores cedidos ganhou repercussão por causa das investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS. Relator dos dois casos, o ministro André Mendonça conta com dois delegados da Polícia Federal em seu gabinete.
Diante dos questionamentos sobre um eventual impacto nas investigações, o ministro da Justiça decidiu manter os profissionais no Supremo e indicou que as cessões seriam avaliadas individualmente.
Além dos servidores que trabalham com Mendonça, há delegados da PF atuando nos gabinetes de Alexandre de Moraes e Luiz Fux.
Nesta semana, porém, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, manifestou apoio à proposta apresentada por Gilmar Mendes. “Tem meu total apoio”, afirmou.
Proposta provoca críticas entre delegados
A iniciativa de Gilmar ocorre em meio à crise envolvendo o Supremo e a Polícia Federal, intensificada após a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, que revelou informações envolvendo Alexandre de Moraes.
Delegados da corporação têm criticado a proposta. Na avaliação desses investigadores, concentrar a discussão na presença de policiais nos gabinetes pode desviar o foco das questões que deram origem à atual crise no Supremo.
Gilmar defende que a presença de integrantes da Polícia Federal nos gabinetes pode gerar interferências nas investigações e provocar novos atritos entre a corporação e a Corte.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/politica/proposta-de-gilmar-para-retirar-delegados-do-stf-contraria-decisao-do-minis.
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