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    Promotoria de SP denuncia PMs seguranças da Transwolff e pede prisão de tenente-coronel

    O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro policiais militares sob a acusação de integrarem uma organização criminosa que fazia a segurança privada de dirigentes da Transwolff, de seus familiares e das garagens da empresa de ônibus investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC . Leia mais (08/27/2026 - 13h32)

    Folha de S.Paulo
    27 de agosto de 2026 às 16:32
    Promotoria de SP denuncia PMs seguranças da Transwolff e pede prisão de tenente-coronel
    Vários maços de cédulas de real brasileiro organizados em fileiras sobre uma mesa branca. As cédulas estão agrupadas e amarradas com elásticos amarelos e azuis, formando pilhas retangulares. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro policiais militares sob a acusação de integrarem uma organização criminosa que fazia a segurança privada de dirigentes da Transwolff, de seus familiares e das garagens da empresa de ônibus investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC .

    Dinheiro apreendido durante operação contra PMs investigados por fazer escolta de dono da Transwolff - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo
    Dinheiro apreendido durante operação contra PMs investigados por fazer escolta de dono da Transwolff - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A denúncia, apresentada nesta quarta-feira (26) à Justiça Militar, também pede a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores, apontado como administrador de empresas usadas para formalizar os serviços de segurança e dar aparência legal aos pagamentos.

    Os outros três denunciados —capitão Alexandre Paulino Vieira, sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e sargento reformado Nereu Aparecido Alves— estão presos preventivamente desde 4 de fevereiro, quando a Corregedoria da PM deflagrou a Operação Kratos.

    A Promotoria pediu a manutenção das três prisões. A denúncia ainda precisa ser recebida pela Justiça.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os advogados Mauro Ribas e Renato Soares, que defendem o coronel Paulino, afirmam que ele "nunca integrou, participou ou prestou serviço para qualquer organização criminosa". Segundo eles, o militar administrava serviços de segurança privada por meio de uma empresa regularmente inscrita.

    Procuradas, as defesas dos sargentos Nereu e Romano afirmaram que se manifestarão em breve. O advogado do tenente-coronel Flores foi acionado, mas não de manifestou até o momento.

    Segundo o Ministério Público, o grupo formou um núcleo encarregado de proteger o então dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, Cícero de Oliveira, o Té, outros dirigentes e seus familiares, além da seda da empresa de transporte paulistana.

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    Para a Promotoria, ao contratar policiais, alguns deles integrantes da Rota, a Transwolff não buscava apenas mão de obra para vigilância, mas também o treinamento e a credibilidade institucional associados à tropa de elite da PM. "A blindagem reputacional era, ela própria, o produto contratado", diz a denúncia.

    Os promotores afirmam que o núcleo dos policiais funcionava em conjunto com uma estrutura empresarial e financeira da qual faziam parte Pandora, Té e Robson Flares Lopes Pontes.

    Os três são acusados em outro processo, resultante da Operação Fim da Linha, de integrar uma organização criminosa que teria usado a Transwolff para ocultar recursos supostamente provenientes do PCC. A empresa e as defesas de seus dirigentes negam vínculo com a facção.

    O tenente-coronel Flores é acusado de fornecer a estrutura empresarial, administrativa e fiscal necessária para os pagamentos.

    De acordo com a denúncia, ele era o administrador de fato do Grupo AM3, formado por empresas de segurança e serviços registradas em nome de sua mãe e de seu padrasto, moradores de Fernandópolis, a mais de 500 km da sede das companhias, na zona norte de São Paulo.

    A mãe do oficial, segundo a Promotoria, afirmou que era o filho quem administrava de fato a AM3 juntamente com o gestor formal, Edmar Santos Silva.

    Flores também teria apresentado o capitão Paulino ao administrador da empresa e pedido a emissão de notas fiscais relacionadas aos serviços prestados à Transwolff.

    Além de organização criminosa, Flores e Paulino foram denunciados por exercício de comércio por oficial, crime previsto no Código Penal Militar. O tenente-coronel continua na ativa.

    Ao pedir sua prisão, os promotores afirmam que ele poderia interferir na produção de provas por exercer influência sobre funcionários, familiares e policiais de patentes inferiores. Um celular e um computador apreendidos com ele ainda aguardavam perícia.

    O capitão Paulino é descrito como o "elo central" do núcleo. Segundo a denúncia, era ele quem contratava policiais, montava escalas, fazia pagamentos e decidia sobre admissões e dispensas.

    Paulino afirmou em interrogatório que conheceu Té e Pandora durante visitas dos empresários ao gabinete do então presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil). Na época, trabalhava na Assessoria Policial Militar do Legislativo.

    A denúncia não indica que Leite participasse do esquema. Em fevereiro, a Folha mostrou que mensagens atribuídas ao capitão tratavam o ex-vereador como "chefe". Leite negou ter indicado policiais para a Transwolff ou possuir participação na empresa.

    Nas conversas citadas pela Promotoria, Paulino chamava Cícero e Pandora de "chefe", discutia valores e horários e dava instruções para reforçar rondas nas garagens.

    O sargento Romano é acusado de fazer escoltas, trabalhar nas garagens e recrutar policiais.

    Em setembro de 2020, ele consultou no sistema Muralha Paulista os nomes de Robson e Gilberto Flares Lopes Pontes. Robson atuava na Transwolff, e Gilberto, conhecido como Dinamarca, era apontado como liderança financeira do PCC.

    Após a Operação Sharks, deflagrada naquele mês, o comando da Rota determinou que os policiais se afastassem dos serviços prestados à empresa.

    Segundo a Promotoria, Romano deixou o grupo de elite da PM para continuar trabalhando para os empresários.

    "Depois de 27 anos dedicados, eu não serviria mais para estar naquela unidade e pedi para ser transferido", escreveu a Cícero. "Eu já estou decidido a ficar com vocês."

    Nereu é acusado de atuar como segurança, motorista e responsável pelo transporte e pela distribuição de dinheiro. Além de organização criminosa, foi denunciado por lavagem de capitais.

    Na casa dele, a Corregedoria encontrou uma mala com R$ 1,18 milhão em espécie: R$ 700 mil em notas de R$ 200 e R$ 480 mil em cédulas de R$ 100.

    O sargento disse que o dinheiro pertencia ao empresário Ricardo Barnabé, para quem trabalhava como segurança, e que havia buscado a mala em Bauru um dia antes da operação.

    Em fevereiro, a Folha revelou que Barnabé havia reivindicado a quantia . Ele disse que os recursos eram lícitos e prometeu apresentar documentos que comprovariam sua origem.

    A denúncia reconhece que os papéis foram encaminhados pela defesa, mas afirma que sua suficiência não chegou a ser analisada durante o inquérito.

    Para os promotores, atribuir o dinheiro a um terceiro não esclarece por que Nereu mantinha a quantia em sua casa, em uma mala e organizada em maços.

    O Ministério Público também pediu o arquivamento da investigação criminal contra outros policiais que fizeram trabalhos pontuais para a Transwolff. Segundo a Promotoria, não foram encontrados indícios de estabilidade e permanência necessários para caracterizar participação em organização criminosa.

    Em manifestação anterior, a Transwolff afirmou repudiar qualquer associação com organizações criminosas e disse não haver fundamento nas alegações de vínculo da empresa, de seus representantes ou dos policiais com atividades ilícitas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/promotoria-de-sp-denuncia-pms-segurancas-da-transwolff-e-pede-prisao-de-tenente-coronel.shtml.

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