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    Promotoria de SP denuncia nove sob acusação de esquema de 'compra de dinheiro' ligado a bet ilegal e PCC

    OUTRO LADO: defesa fala em

    UOL
    4 de setembro de 2026 às 10:00
    Promotoria de SP denuncia nove sob acusação de esquema de 'compra de dinheiro' ligado a bet ilegal e PCC
    Diversos feixes de cédulas de dinheiro amarrados com elásticos estão organizados sobre uma superfície plana. Ao fundo, há pilhas maiores de cédulas empilhadas. As notas aparentam ser de diferentes valores e estão agrupadas em quantidades co — Foto: UOL

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    O Ministério Público de São Paulo denunciou nove pessoas acusadas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, da exploração de jogos clandestinos e de outros crimes atribuídos, inclusive, a suspeitos que teriam ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

    Maços de dinheiro vivo em foto compartilhada por um dos investigados na Operação Falsa Las Vegas, que apurou esquema de lavagem de dinheiro na Grande SP - Reprodução · Reprodução
    Maços de dinheiro vivo em foto compartilhada por um dos investigados na Operação Falsa Las Vegas, que apurou esquema de lavagem de dinheiro na Grande SP - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo a acusação, o grupo prestava um serviço clandestino chamado pelos próprios envolvidos de "compra de dinheiro". Empresários recebiam grandes quantidades de dinheiro vivo e, em contrapartida, faziam transferências bancárias a pessoas e empresas indicadas pelos fornecedores do numerário. Eram cobradas comissões que variavam de 1,5% a 4% pelas operações.

    A denúncia, protocolada na última segunda-feira (31), estima em R$ 126,8 milhões o valor inicialmente movimentado pela engrenagem.

    A Polícia Civil considera conservadora a estimativa, tratada no relatório como um piso da movimentação financeira ilícita documentalmente identificada. O cálculo excluiu planilhas com divergências aritméticas, registros ilegíveis e programações de pagamento.

    Veículos apreendidos na Operação Falso Mercúrio, contra lavagem de dinheiro do PCC - Francisco Lima Neto/Folhapress · Francisco Lima Neto/Folhapress
    Veículos apreendidos na Operação Falso Mercúrio, contra lavagem de dinheiro do PCC - Francisco Lima Neto/Folhapress · Francisco Lima Neto/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O valor ainda será consolidado pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil. O Ministério Público ressalva que a consolidação técnica poderá produzir ajustes para mais ou para menos.

    O caso é resultado da Operação Falsa Las Vegas , realizada em maio, que levou ao bloqueio de R$ 6 bilhões em contas ligadas a dezenas de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

    Entre os alvos da operação estavam a Aposte Fácil, casa de apostas credenciada pela Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro), e um site clandestino chamado Black Vegas, hospedado no exterior.

    Helicóptero Airbus apreendido durante a Operação Falsa Las Vegas, da Polícia Civil e do MPSP; aeronave é ligada a operador financeiro do esquema investigado - Reprodução · Reprodução
    Helicóptero Airbus apreendido durante a Operação Falsa Las Vegas, da Polícia Civil e do MPSP; aeronave é ligada a operador financeiro do esquema investigado - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Eduardo Moreno Lopes, conhecido também como Tio, é apontado como o coordenador do esquema de lavagem. Ele está foragido. De acordo com mensagens interceptadas e depoimentos de testemunhas, Eduardo controlava a movimentação financeira de diversas empresas acusadas de receber dinheiro sujo.

    A defesa de Eduardo afirmou, em nota, que "refuta completamente as acusações" e disse que a denúncia foi feita "com base numa investigação incompleta e parcial".

    A nota, assinada pelo escritório TFV Advogados, afirma que ele "exerce há mais de 25 anos atividades empresariais absolutamente lícitas", que ele nega veementemente a acusação de vínculo com organização criminosa.

    Seis carros pretos e um azul estão alinhados em vagas de estacionamento ao lado de uma rua movimentada. Ao fundo, há árvores, postes de luz e edifícios comerciais.
    Seis carros pretos e um azul estão alinhados em vagas de estacionamento ao lado de uma rua movimentada. Ao fundo, há árvores, postes de luz e edifícios comerciais. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Acrescenta, ainda, que ele foi denunciado sem ter sido ouvido "embora tenha se oferecido para prestar depoimento em quatro diferentes oportunidades".

    Na denúncia, são citados ao menos 29 CNPJs —de setores como venda de autopeças, aluguel de veículos, indústrias de embalagens, lojas de materiais de construção e até softwares educativos— como participantes da rede financeira clandestina.

    O grupo supostamente atuava nas cidades de Osasco , Barueri , Itapevi, Carapicuíba e na capital paulista, todas da região metropolitana.

    Helicóptero cinza com detalhes pretos estacionado em hangar com piso de concreto e paredes metálicas. A aeronave está parada, sem pessoas ao redor.
    Helicóptero cinza com detalhes pretos estacionado em hangar com piso de concreto e paredes metálicas. A aeronave está parada, sem pessoas ao redor. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A investigação colheu depoimentos de testemunhas que confirmaram parte das suspeitas.

    Segundo um relatório policial, Marcelo Lopes, diretor da Center Lopes Distribuidora e irmão de Eduardo, confirmou trocas de dinheiro vivo por depósitos bancários com o grupo Key Car , também investigado. Os sócios do Key Car se entregaram à polícia em dezembro após serem alvos de mandados de prisão.

    Marcelo afirmou que seu irmão tinha liberdade total para administrar as contas bancárias da empresa, apesar de não estar formalmente nos quadros da Center Lopes.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Procurada, a empresa afirmou que não é investigada e não foi denunciada. Em nota, a Center Lopes disse que toda sua receita tem origem lícita e documentada, contratos formais junto a órgãos públicos do Estado de São Paulo, locando viaturas para a Guarda Civil Metropolitana e o Corpo de Bombeiros e ambulâncias no município de Barueri.

    Marcelo e um funcionário afirmaram, também, que Eduardo administrava uma empresa aberta no nome do funcionário. Embora estivesse registrado como sócio-proprietário, esse funcionário afirmou que cuidava apenas do almoxarifado. Proprietários de outras firmas investigadas também disseram à polícia que não controlavam as contas das empresas.

    "Eduardo era o verdadeiro operador de empresas formalmente registradas em nome de terceiros", diz o relatório policial.

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    Durante uma ação de busca e apreensão em dezembro de 2025, policiais encontraram anotações com referências a uma casa de apostas e a um site clandestino na sede da empresa ASX Participações e Tecnologia, em Barueri, além de comprovantes de compra de 150 máquinas de pagamento.

    A ASX tem contratos com prefeituras da Grande São Paulo para fornecimento de softwares educacionais. Ela é uma das empresas que tinha transações financeiras operadas por Eduardo Lopes.

    As anotações indicavam que o site clandestino Black Vegas seria adquirido pela Aposte Fácil por R$ 1 milhão, divididos em 40 parcelas. ASX e Aposte Fácil tinham um sócio em comum: Sandro Calliari.

    Preso, Calliari foi interrogado e "admitiu durante que a ASX 'comprava dinheiro' de Eduardo, pagando comissão de 3% a 4%, e foi categórico ao afirmar que os beneficiários dos pagamentos eram '100% indicados por ele'", diz trecho de relatório da Polícia Civil.

    Ele também reconheceu as anotações sobre o site Black Vegas, mas afirmou que a compra não se concretizou.

    Calliari, segundo o relatório, afirmou que havia questionado Eduardo sobre a origem do dinheiro, e ouvido como resposta que vinha dos próprios negócios dele. A investigação aponta que as transações eram operadas por Varlei Ramos da Silva, sócio de Calliari na ASX.

    Procuradas, as defesas de Calliari e Silva afirmaram que eles são inocentes e que não têm qualquer relação com a exploração ilegal de jogos, com organizações criminosas ou lavagem de dinheiro.

    Os advogados Eduardo Pereira da Silva e Adriana Campos, que defendem Calliari, dizem que todas as movimentações financeiras atribuídas a ele "são estritamente lícitas e regulares", decorrentes de atividades econômicas e comerciais.

    Afirmam ainda que ele "responderá a todos os atos do processo em cada momento processual oportuno, permanecendo à inteira disposição da Justiça", que a acusação se sustenta em falsas premissas, e que ele "tem plena convicção de que a instrução restabelecerá a verdade, culminando em sua total absolvição". Eles afirmaram que Calliari ainda não foi formalmente citado da denúncia.

    Augusto Araújo, advogado de Varlei Silva, afirmou que "a única relação empresarial de Varlei diz respeito à sua participação societária na empresa ASX, empresa que atua exclusivamente no ramo educacional". Ressaltou que ele foi o único investigado a ter sua liberdade restituída após a prisão, e disse que ele está convicto de que sua inocência será demonstrada ao fim do processo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/promotoria-de-sp-denuncia-nove-sob-acusacao-de-esquema-de-compra-de-dinheiro-ligado-a-bet-ilegal-e-pcc.shtml.

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    Maços de dinheiro vivo em foto compartilhada por um dos investigados na Operação Falsa Las Vegas, que apurou esquema de lavagem de dinheiro na Grande SP - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL

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