Projeto solar em Fernando de Noronha remove 10 mil árvores e gera críticas de moradores
Árvores foram removidas para instalação de painéis solares Ana Clara Marinho/TV Globo A remoção de cerca de 10 mil árvores para a instalação de 30 mil painéis solares é alvo de críticas de moradores de Fernando de Noronha. A obra faz parte do projeto Noronha Verde, da Neoenergia, que prevê investimento de R$ 350 milhões. A iniciativa tem como objetivo substituir o uso de óleo diesel na geração de energia por fontes renováveis na ilha. Os moradores apontam possíveis impactos ambientais provocados pela retirada da vegetação e questionam o uso de uma área que, segundo eles, poderia ser destinada
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Árvores foram removidas para instalação de painéis solares — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo
A remoção de cerca de 10 mil árvores para a instalação de 30 mil painéis solares é alvo de críticas de moradores de Fernando de Noronha . A obra faz parte do projeto Noronha Verde, da Neoenergia, que prevê investimento de R$ 350 milhões. A iniciativa tem como objetivo substituir o uso de óleo diesel na geração de energia por fontes renováveis na ilha.
Os moradores apontam possíveis impactos ambientais provocados pela retirada da vegetação e questionam o uso de uma área que, segundo eles, poderia ser destinada à moradia da população local.

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O engenheiro agrônomo e doutor em Ciências do Solo Domício Cordeiro nasceu na ilha e foi administrador de Fernando de Noronha na década de 1990. Ele avaliou a execução do projeto.
“A remoção das árvores, do ponto de vista científico, me preocupa porque o solo de Fernando de Noronha é altamente frágil, suscetível à erosão. Isso vai assorear os cursos de água ou vai levar esse material para o mar”, afirmou Domício Cordeiro.
O agrônomo explicou que a vegetação ajuda a reduzir os impactos da chuva.
“As árvores funcionam como amortecedor. Sem a vegetação, o solo será arrastado. É a vida indo embora. A placa solar vai funcionar como telhado. No próximo período chuvoso, a única proteção que o solo terá será o capim. Além disso, os caranguejos foram esmagados e os pássaros perderam seus ninhos. O equilíbrio da natureza foi destruído. A ideia é boa, mas a execução está dolorosa”, disse.
O presidente da Assembleia Popular Noronhense (APN), Nino Alexandre Lehnemann, disse que o projeto chegou estruturado à ilha, mas que não era possível dimensionar, inicialmente, o impacto da intervenção.
“É assustador porque as áreas com remoção de vegetação são pontos vistos em Noronha. É evidente a retirada das árvores. Não combina com Fernando de Noronha, que conta com Parque Nacional e Área de Proteção Ambiental. Até parece cidade grande. Não é bonito”, declarou.
Segundo a Neoenergia, o projeto ocupa uma área de 23 hectares. Desse total, 16 hectares, o equivalente a cerca de 160 mil metros quadrados, têm remoção de vegetação.
Os moradores também afirmam que as áreas poderiam ser usadas para outras finalidades sociais.
“São menos áreas para a agricultura, criação de animais e, pior, menos áreas para moradias da população local”, avaliou Nino Lehnemann.
Domício Cordeiro também afirmou que a área fará falta para as famílias no futuro.
“Os lotes para moradia contam com 250 m². Em um hectare, seriam 40 lotes para a população local. Essa área vai fazer falta para os moradores”, afirmou.
Primeira etapa do projeto foi inaugurada em maio com a instalação de 4.800 placas solares na região do aeroporto — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo
O superintendente de Meio Ambiente da Neoenergia, Daniel Daibert, destacou a importância de substituir o óleo diesel usado na geração de energia por fontes renováveis. Segundo a empresa, são consumidos 10 milhões de litros de diesel por ano para produzir energia na ilha.
Daniel Daibert explicou que a obra tem autorização da Administração de Fernando de Noronha, da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ). Segundo ele, haverá compensação pela retirada das árvores.
“Nós demos início à produção de 20 mil mudas para plantar o dobro de árvores que foram removidas pelo projeto, em áreas definidas pela CPRH e pelo ICMBio para recuperação com espécies nativas. É importante esclarecer que 55% das espécies existentes eram exóticas, que prejudicam o meio ambiente, e vamos plantar árvores nativas”, informou Daniel Daibert ( veja vídeo abaixo ).
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/pe/pernambuco/blog/viver-noronha/post/2026/09/16/projeto-solar-em-fernando-de-noronha-remove-10-mil-arvores-e-gera-criticas-de-moradores.ghtml.

Retirada de árvores para instalação de painéis solares gera críticas em Noronha — Foto: G1
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