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    Programas auxiliam no desmame de anabolizantes

    As mortes recentes de Gabriel Ganley , Mailson Araújo e Dwayne Quamina por cardiopatias alertam usuários de anabolizantes para fins estéticos . Essa mudança foi sentida por Clayton Macedo, diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e coordenador do programa "Saindo do Suco", do Núcleo de Endocrinologia da Disciplina de Medicina Esportiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp). Leia mais (09/04/2026 - 15h30)

    Folha de S.Paulo
    4 de setembro de 2026 às 18:30
    Programas auxiliam no desmame de anabolizantes
    Um homem sem camisa está em uma pose dramática, segurando algo em suas mãos. Ele está em um ambiente com iluminação suave, que destaca seus músculos e cria um contraste com o fundo escuro. O foco está em suas mãos, que contêm objetos pequen — Foto: Folha de S.Paulo

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    Rodrigo Braga - 3.dez.2010/Folhapress · Rodrigo Braga - 3.dez.2010/Folhapress
    Rodrigo Braga - 3.dez.2010/Folhapress · Rodrigo Braga - 3.dez.2010/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As mortes recentes de Gabriel Ganley , Mailson Araújo e Dwayne Quamina por cardiopatias alertam usuários de anabolizantes para fins estéticos . Essa mudança foi sentida por Clayton Macedo, diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e coordenador do programa "Saindo do Suco", do Núcleo de Endocrinologia da Disciplina de Medicina Esportiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp).

    Clayton diz que as mortes fazem repensar o uso dessas substâncias. A maioria busca tratamento por medo de efeitos colaterais ou por incentivo de pessoas próximas. Gratuita e anônima, a iniciativa multiprofissional atende 140 pessoas e tem mais de 200 na fila.

    Para Paulo Muzy, médico e fisiculturista, esse tipo de projeto não deve reforçar preconceitos nem falar só entre pares, sob risco de ineficácia. O acolhimento profissional é essencial.

    Estudo da USP identifica, além de anabolizantes, uso de cocaína, maconha e efedrina entre praticantes de musculação
    Estudo da USP identifica, além de anabolizantes, uso de cocaína, maconha e efedrina entre praticantes de musculação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A pessoa usa o esteroide na esperança de se conectar consigo, mas, sob o transtorno dismórfico, essa ideia de si é uma fantasia", diz, já que a distorção da autoimagem é uma possibilidade na busca por um físico irreal associada a predisposições. "Além de o consumo de anabolizantes piorar a saúde de forma evidente, os medicamentos sozinhos não produzem resultado", explica.

    Os anabolizantes, que são derivados naturais ou sintéticos da testosterona, aumentam proteínas e massa muscular, e têm efeito androgênico, explica Carlos Minanni, endocrinologista do Hospital Albert Einstein.

    Testosterona, oxandrolona, estanozolol, boldenona e trembolona estão entre os mais conhecidos. Parte não é aprovada para uso humano e é obtida clandestinamente; a Anvisa lista anabolizantes sob controle especial na C5.

    Essas drogas elevam hematócritos, tornam o sangue viscoso e aumentam pressão e risco de trombos. Há risco de cardiomiopatia, em que o músculo cardíaco adoece, deforma-se e passa a exigir maior esforço mecânico para bombear o sangue, podendo causar morte súbita mesmo em jovens sem histórico de doenças. Fígado e rins também podem ser afetados.

    De acordo com Bruno Leandro de Souza, médico do Conselho Federal de Medicina, há ainda risco de depressão e surto psicótico em pessoas predispostas. Irritabilidade, insônia, impulsividade e ansiedade podem ser potencializados em quem já lida com esses quadros.

    O medo de mudanças na aparência dificulta o desmame. As substâncias podem inibir a testosterona natural em homens, cuja recuperação exige acompanhamento multidisciplinar.

    Homens podem ter atrofia testicular, infertilidade e crescimento das mamas. Entre 13 mil homens tratados por Muzy desde 2005, apenas 2 voltaram a produzir testosterona nativa, diz. Em mulheres, a virilização pode ser irreversível, com voz mais grossa, acne e hipertrofia do clitóris.

    "Não existe dose segura", diz Clayton. A Resolução CFM n.º 2.333/2023 proíbe a prescrição de esteroides , hormônios androgênicos, SARMs e a a gestrinona (o " chip da beleza ") para fins de desempenho ou estética. Ciclos, alternância ou adição de produtos também não protegem órgãos e agravam danos cardiovasculares, hepáticos e renais, explica.

    Com base em falsas orientações, há também quem pense que o uso de substâncias concomitante a uma rotina regular de exames médicos previna complicações de saúde. "Não é verdade", alerta o médico Bruno Leandro de Souza.

    Em casos específicos e num contexto com cuidados aliados, o tratamento com hormônios como a testosterona pode, sim, ser indicado. "Mas dificilmente um hormônio resolve sozinho uma questão de saúde", finaliza.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/nao-tem-cabimento/2026/09/programas-auxiliam-no-desmame-de-anabolizantes.shtml.

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    Rodrigo Braga - 3.dez.2010/Folhapress · Rodrigo Braga - 3.dez.2010/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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