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    Professor tem nomeação anulada na UFPE após disputa sobre cotas raciais

    Um professor universitário teve a nomeação anulada pela Justiça de Pernambuco após seis meses de trabalho na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em decorrência de um recurso apresentado por uma candidata que questionou o sistema de distribuição de vagas para cotas raciais no concurso. Leia mais (08/13/2026 - 19h37)

    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 22:37
    Professor tem nomeação anulada na UFPE após disputa sobre cotas raciais
    Homem de camiseta azul apresenta slide projetado em parede branca dentro de sala de reunião. Mesa com laptop, microfone e cabos está à frente, cadeiras e teto com luminárias visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Um professor universitário teve a nomeação anulada pela Justiça de Pernambuco após seis meses de trabalho na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em decorrência de um recurso apresentado por uma candidata que questionou o sistema de distribuição de vagas para cotas raciais no concurso.

    Allison Ruan, aprovado para vaga de professor na UFPE, teve nomeação anulada após decisão judicial sobre aplicação de cotas raciais em concurso - @allisonruan via instagram - 26.jan.26 · @allisonruan via instagram - 26.jan.26
    Allison Ruan, aprovado para vaga de professor na UFPE, teve nomeação anulada após decisão judicial sobre aplicação de cotas raciais em concurso - @allisonruan via instagram - 26.jan.26 · @allisonruan via instagram - 26.jan.26 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Allison Ruan de Morais Silva, 31, foi aprovado para a vaga que ocupou no Departamento de Engenharia Química da UFPE até ter sua nomeação anulada em uma decisão judicial em julho deste ano.

    Natural de Uiraúna (PB), Allison é doutor em Engenharia Química pela UFC (Universidade Federal do Ceará) desde janeiro desse ano.

    No mesmo mês, ele foi nomeado para o cargo de professor e empossado em 10 de fevereiro, após ser aprovado no concurso realizado em 2025 e passar por uma banca de heteroidentificação racial, para o cargo de docente de Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos. A vaga era a única disponível para essa área.

    Cronologia da Lei de Cotas no Brasil
    Cronologia da Lei de Cotas no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A anulação da nomeação partiu de um pedido da professora Brígida Maria Villar da Gama, que fez o concurso pela ampla concorrência. A defesa dela argumentou que a vaga em questão não era destinada a cotistas.

    A reportagem não conseguiu identificar um contato direto do representante para comentários sobre a medida.

    Na ação, a defesa da professora afirmou que, por ser a única vaga para aquela especialidade, ela não deveria ser oferecida obrigatoriamente a um candidato cotista por limitar o acesso da ampla concorrência.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O edital previa o cálculo de vagas reservadas sobre o total do concurso, não área por área.

    A anulação foi proferida em primeira instância no dia 10 de julho. A defesa de Allison apresentou recurso, mas a decisão foi executada em 28 de julho, antes do término do prazo para análise do pedido. Desde então, Allison está sem trabalhar.

    O recurso segue em análise. "Minha intenção é defender um direito, denunciar uma insegurança jurídica grave e alertar para o risco de enfraquecimento das cotas raciais em concursos docentes", disse Allison em publicação nas redes sociais.

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    logo do produto folha de redação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ele diz que a decisão tem base legal frágil e que interpreta a legislação sobre cotas de forma questionável.

    Em nota, a UFPE disse que a anulação ocorreu em cumprimento a determinação judicial, não por decisão administrativa da universidade, e reafirmou compromisso com a implementação de políticas de ações afirmativas.

    "Como órgão da Administração Pública, a UFPE tem o dever legal de cumprir as decisões judiciais que lhe são dirigidas, independentemente de eventual possibilidade de interposição de recurso", diz o texto.

    Este é o segundo caso de judicialização do mesmo concurso em 2026.

    A professora Rafaela Niels da Silva foi nomeada em janeiro e começou a lecionar em 19 de março na área de saúde da mulher, no Núcleo de Ciências da Vida da UFPE. Seis dias depois, a nomeação foi suspensa após uma ação de outra candidata da ampla concorrência, que obteve na Justiça uma tutela de urgência.

    A sentença foi confirmada em 22 de julho, seis dias antes da decisão que determinou a saída de Allison.

    O edital do concurso, publicado em junho de 2025, previa 52 vagas, das quais 33 eram de ampla concorrência. Das vagas de ações afirmativas, 13 eram destinadas a pessoas negras, duas a pessoas indígenas, uma a quilombolas e três a pessoas com deficiência.

    A legislação determina reserva de 25% para pessoas negras, 3% para indígenas, 2% para quilombolas e 5% para pessoas com deficiência.

    A instrução normativa da nova lei de cotas, vigente desde 2025, estabelece três critérios possíveis para a reserva de vagas: levantamento de disparidades raciais entre departamentos, sorteio ou lista única com os candidatos negros mais bem classificados por nota, independentemente da área. Cabe a cada universidade escolher qual regra adotar.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/08/professor-tem-nomeacao-anulada-na-ufpe-apos-disputa-sobre-cotas-raciais.shtml.

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