Produção industrial no Brasil avança 0,2% em julho, diz IBGE
Na comparação com o mesmo período de 2025, a produção apresentou um recuo de 0,50%; índice também ficou abaixo da expectativa de alta do mercado de 0,60%

A produção industrial brasileira teve alta de 0,2% em julho na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (2).
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção recuou 0,5%.
Mas os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação na base anual.

"Não é uma mudança de trajetória, mas para cair. Voltar a subir é algo positivo, mas não se recupera das perdas dos dois meses anteriores ", disse o gerente de pesquisa do IBGE, André Macedo.
“Os indicadores mais amplos mostram essa perda de intensidade e dinamismo da indústria brasileira nos últimos meses, apesar do crescimento na margem”.
A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo.

A política monetária restritiva, com a taxa Selic atualmente em 14,0% , deve continuar pesando sobre o setor.
No segundo trimestre a indústria desacelerou o ritmo de alta para 0,1%, de 1,2% no período anterior, de acordo com os dados do PIB divulgados na terça-feira (1º).
“O que tem travado a indústria é a política monetária restritiva, mesmo com a redução modesta dos juros. Isso traz impacto sobre a economia e o setor produtivo, causa adiamento de investimentos, de ampliação do parque produtivo e as famílias também adiam o seu consumo, e ainda afeta o endividamento das famílias”, completou Macedo.

Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%), com as três categorias interrompidas dois meses consecutivos de queda na produção .
Na outra ponta, a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% em junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva, com destaque para a produção de minérios, segundo o IBGE.
Também se destacam resultados de impressão e produção de gravação (-17,2%), produtos diversos (-9,0%), metalurgia (-1,4%), produtos químicos (-0,8%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,3%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo contidos (3,2%), bens de capital (2,4%) e bens de consumo semi e não retidos (0,5%) obtiveram ganhos, enquanto o segmento de bens intermediários (-0,2%) assinalou o único resultado negativo em julho.
"O cenário da produção industrial segue delicado, a despeito da alta observada em julho , com os últimos resultados apontando uma inflexão negativa", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
"Com um ambiente adverso, as metas afetadas pelas elevadas taxas de juros, esperamos que a produção industrial em particular, e a atividade em geral, siga moderando seu crescimento no restante do ano."


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/producao-industrial-no-brasil-avanca-02-em-julho-diz-ibge/.

Indústria do Brasil volta a crescer em junho mas vendas recuam, mostra PMI — Foto: CNN Brasil
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