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    Produção do helicóptero usado nas tragédias de Brumadinho e no RS é encerrada no Brasil

    Foi emblemática a imagem de três grandes helicópteros praticamentes iguais no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte , durante a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG) , em 2019. Havia uma sutil diferença entre eles: as marcas do Exército, da FAB (Força Aérea Brasileira) e da Marinha. Eram do mesmo modelo, fabricanos na também mineira Itajubá, cuja última unidade está em produção. Leia mais (08/18/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de agosto de 2026 às 11:00
    Produção do helicóptero usado nas tragédias de Brumadinho e no RS é encerrada no Brasil
    Helicóptero militar cinza escuro voando em céu claro, visto de baixo para cima, com hélices em movimento. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Foi emblemática a imagem de três grandes helicópteros praticamentes iguais no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte , durante a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG) , em 2019. Havia uma sutil diferença entre eles: as marcas do Exército, da FAB (Força Aérea Brasileira) e da Marinha. Eram do mesmo modelo, fabricanos na também mineira Itajubá, cuja última unidade está em produção.

    Helicóptero H225M da Força Aérea Brasileira, que é chamado pela FAB de H-36 Caracal, faz manobra durante o Domingo Aéreo de São Paulo de 2025 - Fábio Pescarini - 28.set.25/Folhapress · Fábio Pescarini - 28.set.25/Folhapress
    Helicóptero H225M da Força Aérea Brasileira, que é chamado pela FAB de H-36 Caracal, faz manobra durante o Domingo Aéreo de São Paulo de 2025 - Fábio Pescarini - 28.set.25/Folhapress · Fábio Pescarini - 28.set.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A fabricação do helicóptero militar H225M chega ao fim na planta da Helibras , após 47 unidades produzidas a partir de um acordo de cooperação entre Brasil e França.

    Em 2008, o governo Lula (PT), em seu segundo mandato, encomendou 50 dessas aeronaves em um contrato na época orçado em 1,85 bilhão de euros (cerca de R$ 11,2 bilhões na cotação de hoje).

    O fim da produção ocorre antecipadamente porque as Forças Armadas pediram algumas mudanças no fim do contrato.

    Amaury Bastos, presidente da Helibras, diante do último helicóptero H225M em produção na empresa, em Itajubá (MG); unidade será destinada à Força Aérea Brasileira
    Amaury Bastos, presidente da Helibras, diante do último helicóptero H225M em produção na empresa, em Itajubá (MG); unidade será destinada à Força Aérea Brasileira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O total de 50 aeronaves encomendadas não será atingido, faltarão três. O Exército preferiu concluir sua parte no acordo com um contrato de manutenção. Aeronáutica e Marinha vão levar no lugar 15 e 12 unidades, respectivamente, de helicópteros H125, que são menores e têm outras funções.

    Chamado de programa H-XBR, o contrato com um consórcio formado na época com o fabricante Eurocopter, previa, além da produção dos EC725 (rebatizado no Brasil para H225M, na versão militar) para as três Forças e para a Presidência da República.

    Ele também garantia transferência de tecnologia e que ao menos metade da aeronave fosse nacionalizada, o que ocorreu.

    Veja imagens do helicóptero H225M
    Veja imagens do helicóptero H225M — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O programa representa uma virada de chave para a fabricante, que é uma subsidiária brasileira da gigante europeia Airbus .

    "Esse projeto virou a página da história da Helibras e da indústria de helicópteros no Brasil", afirma Amaury Cardoso Bastos Júnior, presidente da empresa. "Com ele conseguimos duplicar nossa capacidade industrial", diz.

    Com produção iniciada em 2012, o primeiro deles foi entregue em 2014 para a Marinha. O último, destinado à FAB, está na linha de montagem que será usada para a fabricação de outro modelo da Airbus.

    Homem de cabelos grisalhos e óculos está em primeiro plano dentro de uma fábrica. Ao fundo, há um helicóptero verde em manutenção com portas abertas e andaimes ao redor.
    Homem de cabelos grisalhos e óculos está em primeiro plano dentro de uma fábrica. Ao fundo, há um helicóptero verde em manutenção com portas abertas e andaimes ao redor. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para o executivo, o término da produção do H225M não significa o fim de uma era da aviação no país. "É a conclusão de uma etapa de sucesso", diz. "Temos do início ao fim, de toda concepção do projeto, transferência de tecnologia, preparação de equipes e a finalização com a última entrega."

    Cada força deu um nome diferente para o seu H225M. No Exército, é chamado de HM-4 Jaguar. Na FAB, de H-36 Caracal. E na Marinha, de UH-15 Super Cougar.

    No Exército, as 15 aeronaves estão distribuídas em São Paulo, Amazonas e Pará.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O modelo foi usado na Operação Taquari, em 2024, durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

    Entre outros, o HM-4 Jaguar levou suprimentos, auxiliou no resgate de pessoas ilhadas, transportou cargas pesadas por gancho externo e fez voos à noite com equipamentos de visão noturna. Um ano antes, o helicóptero foi empregado após as fortes chuvas em São Sebastião , no litoral norte paulista. Além de ajudar no resgate de pessoas e dar apoio logístico, transportou corpos —64 pessoas morreram por causa das enchentes no município.

    Na Marinha, a versão de guerra AH-15B, destinada a atacar embarcações, pode lançar o míssil Exocet AM-39, de grande porte e com alcance superior a 70 km.

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    "Essa capacidade faz do AH-15B o braço armado de maior alcance da esquadra [brasileira]", diz a Marinha, em nota.

    Por causa de sua autonomia de voo, ele é usado para resgate em navios que navegam a grandes distâncias da costa. As 14 aeronaves estão em bases da Marinha em São Pedro da Aldeia (RJ) e Belém .

    Os dois esquadrões da FAB que operam com o helicóptero também estão baseados no Rio de Janeiro e no Pará.

    Em novembro do ano passado, um deles, do Esquadrão Falcão, de Belém, decolou para resgatar um pescador com sintomas de apendicite a 62 milhas náuticas (cerca de 115 km) da costa do Ceará.

    Em 2018, o Jaguar, do Exército, voou em puro estilo militar, quando o governo Michel Temer ( MDB ) decretou em intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

    Mesmo saindo de linha no Brasil, a aeronave é considerada um helicóptero moderno. "É o estado da arte na categoria", diz o presidente da Helibras.

    O cockpit conta com painéis digitais e quatro monitores, sistemas de prevenção de proximidade do solo e colisão de tráfego aéreo. Indicações e alertas de guerra eletrônica são exibidas. Há capacidade de visão noturna.

    Segundo a Helibras, são quatro pacotes de armamentos, inclusive com display acoplado ao capacete do militar responsável pelo disparo.

    Em 2018, pela primeira vez, a FAB reabasteceu no ar um de seus H-36 Caracal, a partir de um cargueiro KC 130.

    A maior frota, segundo a Airbus, é das Forças Armadas do Brasil.

    No mundo, o helicóptero é empregado em áreas de conflitos no Líbano , Afeganistão (ambos na Ásia), Chade, Costa do Marfim, República Centro-Africana, Somália e Mali (todos na África).

    Também foi fabricada uma versão civil, o H225, usada em missões policiais e de defesa civil, ou mesmo transporte, principalmente para plataformas de petróleo em alto mar. A produção poderá ser retomada no Brasil se houver demanda.

    Jornalistas viajaram a Itajubá (MG) a convite da Airbus/Helibras

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/producao-do-helicoptero-usado-nas-tragedias-de-brumadinho-e-no-rs-e-encerrada-no-brasil.shtml.

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