Produção do helicóptero usado nas tragédias de Brumadinho e no RS é encerrada no Brasil
Foi emblemática a imagem de três grandes helicópteros praticamentes iguais no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte , durante a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG) , em 2019. Havia uma sutil diferença entre eles: as marcas do Exército, da FAB (Força Aérea Brasileira) e da Marinha. Eram do mesmo modelo, fabricanos na também mineira Itajubá, cuja última unidade está em produção. Leia mais (08/18/2026 - 08h00)

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Foi emblemática a imagem de três grandes helicópteros praticamentes iguais no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte , durante a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG) , em 2019. Havia uma sutil diferença entre eles: as marcas do Exército, da FAB (Força Aérea Brasileira) e da Marinha. Eram do mesmo modelo, fabricanos na também mineira Itajubá, cuja última unidade está em produção.

A fabricação do helicóptero militar H225M chega ao fim na planta da Helibras , após 47 unidades produzidas a partir de um acordo de cooperação entre Brasil e França.
Em 2008, o governo Lula (PT), em seu segundo mandato, encomendou 50 dessas aeronaves em um contrato na época orçado em 1,85 bilhão de euros (cerca de R$ 11,2 bilhões na cotação de hoje).
O fim da produção ocorre antecipadamente porque as Forças Armadas pediram algumas mudanças no fim do contrato.

O total de 50 aeronaves encomendadas não será atingido, faltarão três. O Exército preferiu concluir sua parte no acordo com um contrato de manutenção. Aeronáutica e Marinha vão levar no lugar 15 e 12 unidades, respectivamente, de helicópteros H125, que são menores e têm outras funções.
Chamado de programa H-XBR, o contrato com um consórcio formado na época com o fabricante Eurocopter, previa, além da produção dos EC725 (rebatizado no Brasil para H225M, na versão militar) para as três Forças e para a Presidência da República.
Ele também garantia transferência de tecnologia e que ao menos metade da aeronave fosse nacionalizada, o que ocorreu.

O programa representa uma virada de chave para a fabricante, que é uma subsidiária brasileira da gigante europeia Airbus .
"Esse projeto virou a página da história da Helibras e da indústria de helicópteros no Brasil", afirma Amaury Cardoso Bastos Júnior, presidente da empresa. "Com ele conseguimos duplicar nossa capacidade industrial", diz.
Com produção iniciada em 2012, o primeiro deles foi entregue em 2014 para a Marinha. O último, destinado à FAB, está na linha de montagem que será usada para a fabricação de outro modelo da Airbus.

Para o executivo, o término da produção do H225M não significa o fim de uma era da aviação no país. "É a conclusão de uma etapa de sucesso", diz. "Temos do início ao fim, de toda concepção do projeto, transferência de tecnologia, preparação de equipes e a finalização com a última entrega."
Cada força deu um nome diferente para o seu H225M. No Exército, é chamado de HM-4 Jaguar. Na FAB, de H-36 Caracal. E na Marinha, de UH-15 Super Cougar.
No Exército, as 15 aeronaves estão distribuídas em São Paulo, Amazonas e Pará.

O modelo foi usado na Operação Taquari, em 2024, durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Entre outros, o HM-4 Jaguar levou suprimentos, auxiliou no resgate de pessoas ilhadas, transportou cargas pesadas por gancho externo e fez voos à noite com equipamentos de visão noturna. Um ano antes, o helicóptero foi empregado após as fortes chuvas em São Sebastião , no litoral norte paulista. Além de ajudar no resgate de pessoas e dar apoio logístico, transportou corpos —64 pessoas morreram por causa das enchentes no município.
Na Marinha, a versão de guerra AH-15B, destinada a atacar embarcações, pode lançar o míssil Exocet AM-39, de grande porte e com alcance superior a 70 km.

"Essa capacidade faz do AH-15B o braço armado de maior alcance da esquadra [brasileira]", diz a Marinha, em nota.
Por causa de sua autonomia de voo, ele é usado para resgate em navios que navegam a grandes distâncias da costa. As 14 aeronaves estão em bases da Marinha em São Pedro da Aldeia (RJ) e Belém .
Os dois esquadrões da FAB que operam com o helicóptero também estão baseados no Rio de Janeiro e no Pará.
Em novembro do ano passado, um deles, do Esquadrão Falcão, de Belém, decolou para resgatar um pescador com sintomas de apendicite a 62 milhas náuticas (cerca de 115 km) da costa do Ceará.
Em 2018, o Jaguar, do Exército, voou em puro estilo militar, quando o governo Michel Temer ( MDB ) decretou em intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.
Mesmo saindo de linha no Brasil, a aeronave é considerada um helicóptero moderno. "É o estado da arte na categoria", diz o presidente da Helibras.
O cockpit conta com painéis digitais e quatro monitores, sistemas de prevenção de proximidade do solo e colisão de tráfego aéreo. Indicações e alertas de guerra eletrônica são exibidas. Há capacidade de visão noturna.
Segundo a Helibras, são quatro pacotes de armamentos, inclusive com display acoplado ao capacete do militar responsável pelo disparo.
Em 2018, pela primeira vez, a FAB reabasteceu no ar um de seus H-36 Caracal, a partir de um cargueiro KC 130.
A maior frota, segundo a Airbus, é das Forças Armadas do Brasil.
No mundo, o helicóptero é empregado em áreas de conflitos no Líbano , Afeganistão (ambos na Ásia), Chade, Costa do Marfim, República Centro-Africana, Somália e Mali (todos na África).
Também foi fabricada uma versão civil, o H225, usada em missões policiais e de defesa civil, ou mesmo transporte, principalmente para plataformas de petróleo em alto mar. A produção poderá ser retomada no Brasil se houver demanda.
Jornalistas viajaram a Itajubá (MG) a convite da Airbus/Helibras
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/producao-do-helicoptero-usado-nas-tragedias-de-brumadinho-e-no-rs-e-encerrada-no-brasil.shtml.

Helicóptero H225M da Força Aérea Brasileira, que é chamado pela FAB de H-36 Caracal, faz manobra durante o Domingo Aéreo de São Paulo de 2025 - Fábio Pescarini - 28.set.25/Folhapress · Fábio Pescarini - 28.set.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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