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    Produção de petróleo e cuidado ambiental podem coexistir, diz especialista

    Em entrevista ao AGORA CNN, ex-presidente do IBP Eberaldo de Almeida Neto afirmou que recursos do petróleo podem financiar proteção ambiental, mas que descoberta ainda está em fase inicial

    CNN Brasil
    15 de agosto de 2026 às 18:34
    Produção de petróleo e cuidado ambiental podem coexistir, diz especialista
    Foto: CNN Brasil

    A descoberta de indícios de petróleo no Amapá , divulgada pela Petrobras nesta sexta-feira (14), reacendeu o debate sobre os impactos ambientais e econômicos da exploração de combustíveis fósseis no Brasil . Em entrevista ao AGORA CNN deste sábado (15), Eberaldo de Almeida Neto , ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) , avaliou qual deve ser o caminho até a eventual comercialização do produto e em que medida a descoberta muda a segurança energética do Brasil .

    "Há algo muito significativo nesse processo: a demora de 13 anos", relembrou Almeida Neto, se referindo ao fato de que o bloco onde o poço pioneiro foi perfurado foi licitado em 2013. "O governo federal leiloou um bloco há mais de uma década e agora uma empresa, cujo acionista controlador é o governo federal, conseguiu finalmente iniciar esse processo", recordou.

    O especialista explicou que a perfuração de um poço pioneiro representa apenas o começo de um longo processo técnico. "Ainda é necessário coletar material de calha, analisar a porosidade e a permeabilidade da rocha, examinar o fluido e verificar o volume disponível", explicou. "O que está lá embaixo é uma rocha ultrafechada, como se fosse um granito de pia de casa, mas com porosidade até menor, e o petróleo, o gás e o óleo estão ali dentro em altíssima pressão", detalhou. Ainda segundo o especialista, o poço foi perfurado em uma lâmina d'água de mais de 2.800 metros de profundidade.

    Chambriard: descoberta na Foz do Amazonas é passo para repor reservas
    Chambriard: descoberta na Foz do Amazonas é passo para repor reservas — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Almeida Neto destacou que a Petrobras ainda precisará realizar testes de produção, verificar a recuperação de pressão para estimar o volume e possivelmente perfurar poços adjacentes para dimensionar o reservatório. "Estamos no início do processo, mas antes tarde do que nunca", reforçou, acrescentando que este é o poço pioneiro de número 1.405 da estatal, o que demonstra a larga experiência da empresa em perfurações.

    Ao ser questionado sobre os possíveis impactos ambientais — tema que gerou embates judiciais e divergências dentro do próprio governo, com o Ministério Público Federal e o Ibama levantando questionamentos —, Almeida Neto citou a Noruega como exemplo de país que produz petróleo há décadas em uma região ambientalmente sensível e ainda assim preserva o meio ambiente. "É possível utilizar os recursos gerados pela produção de petróleo para financiar a proteção ambiental e gerar alternativas econômicas para as populações locais. O grande adversário do meio ambiente é a pobreza", afirmou.

    O especialista ressaltou que as participações governamentais oriundas da cadeia de petróleo no Brasil superam 250 bilhões de reais por ano. "Se bem aplicado em educação e em preservação da natureza, isso traz resultado. A pobreza é quem de fato destrói", disse. Ele também ponderou que o poço está localizado a mais de 170 quilômetros da costa, o que, segundo ele, torna praticamente nula a probabilidade de impacto sobre o litoral, devido às correntes marítimas da região.

    "Estávamos certos", diz Alcolumbre sobre descoberta de petróleo no Amapá
    "Estávamos certos", diz Alcolumbre sobre descoberta de petróleo no Amapá — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Sobre o risco de investimento em combustíveis fósseis diante do debate global sobre transição energética, Almeida Neto foi categórico: "Atualmente, 54% da energia fornecida ao planeta vem de petróleo e gás, enquanto outros 32% provêm do carvão, totalizando mais de 80% da matriz energética mundial baseada em fontes fósseis. É óbvio que a transição energética é interessante e que temos que fazê-la, mas não é pela falta de oferta que a gente vai transicionar. Temos que aliar a substituição com a demanda", argumentou.

    "O mais pobre não pode sofrer nesse processo, tendo que pagar duas vezes mais caro pela energia do que hoje". O especialista alertou ainda que, caso o Brasil opte por não explorar suas reservas , o petróleo será produzido em outros países, como Guiana, Suriname, Canadá, Noruega, Argentina, Colômbia, Rússia, Irã ou Iraque. "Mesmo que o petróleo caia percentualmente na oferta de energia, ele pode manter o volume de produção. A população mundial tem crescido e as pessoas vão passar a consumir mais energia. A tendência é que a demanda mundial de energia cresça. Deixar de produzir não vai queimar menos petróleo no mundo", concluiu Almeida Neto.

    Lula: Falta pouco para sabermos se há petróleo na Margem Equatorial
    Lula: Falta pouco para sabermos se há petróleo na Margem Equatorial — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Chambriard: descoberta na Foz do Amazonas é passo para repor reservas
    Chambriard: descoberta na Foz do Amazonas é passo para repor reservas — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Lula: Falta pouco para sabermos se há petróleo na Margem Equatorial
    Lula: Falta pouco para sabermos se há petróleo na Margem Equatorial — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/producao-de-petroleo-e-cuidado-ambiental-podem-coexistir-diz-especialista/.

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    Chambriard: descoberta na Foz do Amazonas é passo para repor reservas — Foto: CNN Brasil

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