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    Procuradoria do Trabalho processa Uber em R$ 321 mi por taxa obrigatória a motoristas

    O MPT (Ministério Público do Trabalho) ajuizou uma ação civil pública de abrangência nacional contra a Uber por causa de um programa que cobra dos motoristas uma taxa para que possam aceitar corridas pelo aplicativo.

    UOL
    25 de agosto de 2026 às 19:00
    Procuradoria do Trabalho processa Uber em R$ 321 mi por taxa obrigatória a motoristas
    Logotipo branco da Uber exibido em tela de dispositivo móvel em primeiro plano, com o mesmo logotipo desfocado ao fundo em fundo preto. — Foto: UOL

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    O MPT (Ministério Público do Trabalho) ajuizou uma ação civil pública de abrangência nacional contra a Uber por causa de um programa que cobra dos motoristas uma taxa para que possam aceitar corridas pelo aplicativo.

    MPT processa Uber em R$ 321 milhões por cobrar taxa obrigatória para motoristas poderem trabalhar - Dado Ruvic - 5.ago.26/Reuters · Dado Ruvic - 5.ago.26/Reuters
    MPT processa Uber em R$ 321 milhões por cobrar taxa obrigatória para motoristas poderem trabalhar - Dado Ruvic - 5.ago.26/Reuters · Dado Ruvic - 5.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na ação, apresentada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região, na Bahia, o MPT pede que a Justiça determine a suspensão do programa em até 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão, além do pagamento de R$ 321 milhões por dano moral coletivo.

    Segundo a Procuradoria, o programa Passe para Motoristas gera risco de endividamento e o modelo pode levar motoristas parceiros a uma situação de servidão por dívida, com características associadas ao trabalho em condições análogas à escravidão.

    A Uber foi procurada por email às 12h, mas ainda não se manifestou.

    Trabalhadores por aplicativo protestam contra o PLP 152
    Trabalhadores por aplicativo protestam contra o PLP 152 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Lançado em 25 de maio deste ano em 12 cidades, entre elas Itabuna e Ilhéus, na Bahia, o Passe para Motoristas tem previsão de ser expandido pelo país. Com a ação civil pública, o MPT quer barrar essa expansão.

    O programa altera a forma como a plataforma cobra dos motoristas pelo uso do aplicativo. No modelo tradicional, a Uber desconta sua parcela à medida que as corridas são realizadas. Com o passe, o motorista paga antecipadamente para ter acesso às viagens, por meio da compra de um pacote.

    Segundo os termos e as condições publicados pela própria empresa, o programa oferece duas modalidades. No Passe por Tempo, o motorista paga uma taxa fixa para realizar corridas durante 24 h ou 72 h consecutivas, sem cobrança adicional de taxa de serviço nesse período.

    Mototáxi clandestino segue em atividade em SP
    Mototáxi clandestino segue em atividade em SP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Já no Passe por Ganhos, o motorista paga um valor único e fica isento da taxa de serviço até atingir um teto de ganhos previamente estabelecido. Em uma das opções oferecidas, o passe custa R$ 240, tem validade de até 180 dias e permite ganhos de até R$ 1.050 sem cobrança adicional da taxa de serviço.

    O valor do passe é debitado diretamente do saldo disponível na carteira do motorista no aplicativo. Se não houver recursos suficientes no momento da cobrança, o débito é feito assim que houver novos créditos na conta.

    Vídeos publicados na internet mostram que, em algumas cidades, o Passe por Tempo custa R$ 35 por 24 horas ou R$ 94 por 72 horas. Dependendo da frequência de adesão, o gasto com passes pode chegar a cerca de R$ 940 a R$ 1.050 ao longo de um mês.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A proposta da Uber, com esse modelo, é que, depois de adquirir o passe, o motorista possa ficar com uma parcela maior do valor das viagens. Porém, os próprios termos da empresa estabelecem que a compra do passe não garante um volume mínimo ou contínuo de corridas, que podem ser direcionadas pelo algoritmo da plataforma inclusive a motoristas que não aderiram ao programa.

    Assim, segundo o MPT, o trabalhador paga antecipadamente para ter acesso às viagens, mas assume o risco de não conseguir corridas suficientes para recuperar o valor investido.

    "O programa instituído pelo Passe para Motoristas, além de ser obrigatório, pois não haverá a cobrança da taxa ao final de cada corrida (modelo padrão anterior), será também contratado de maneira automática, ou seja, sem a necessidade de qualquer aceite por parte do motorista de aplicativo", diz o procurador do Trabalho Luiz Antônio Nascimento Fernandes, no documento.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo o MPT, o sistema de cobrança também pode levar ao endividamento dos motoristas. Caso o trabalhador não tenha saldo suficiente para pagar o passe, o valor devido é descontado automaticamente de seus ganhos futuros na plataforma, conforme previsto nos termos de adesão do programa.

    Para o órgão, esse mecanismo aumenta a dependência econômica do motorista em relação à Uber e pode criar um ciclo de endividamento, no qual o trabalhador precisa continuar realizando corridas para quitar uma dívida contraída para ter acesso ao próprio trabalho.

    Embora a ação não trate de responsabilização criminal, o MPT afirma que esse modelo apresenta características que podem ser associadas ao trabalho forçado por servidão por dívida. O órgão diz ainda que os fatos poderão ser comunicados às autoridades responsáveis pela apuração na esfera penal.

    Segundo o MPT, a ação não busca o reconhecimento de vínculo empregatício entre a Uber e os motoristas nem a reparação de prejuízos individuais. O objetivo é interromper uma prática que considera ilegal e de caráter coletivo.

    "Enquanto a questão estrutural do vínculo empregatício tramita nas instâncias superiores, a ré [Uber] avança com novas práticas lesivas aos trabalhadores que, se não combatidas imediatamente pela via coletiva, gerarão danos irreversíveis de dimensão bilionária —exatamente o tipo de situação para a qual o legislador constituinte criou o instrumento da ação civil pública", disse o MPT, no documento.

    O MPT aponta ainda outras possíveis consequências do modelo. Segundo o órgão, o pagamento antecipado do passe pode desestimular o uso de plataformas concorrentes, como 99 e inDrive, durante o período de vigência da assinatura. O tempo dedicado a outros aplicativos reduziria as chances de o motorista recuperar o valor já pago à Uber.

    O órgão também estima que a Uber pode conseguir uma arrecadação superior a R$ 1 bilhão por mês. O cálculo considera um custo médio mensal de R$ 920 por motorista e um universo de 1,4 milhão de trabalhadores cadastrados na plataforma. Segundo o MPT, esse valor seria bancado pelos próprios motoristas sem garantia de retorno financeiro.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/procuradoria-do-trabalho-processa-uber-em-r-321-mi-por-taxa-obrigatoria-a-motoristas.shtml.

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    MPT processa Uber em R$ 321 milhões por cobrar taxa obrigatória para motoristas poderem trabalhar - Dado Ruvic - 5.ago.26/Reuters · Dado Ruvic - 5.ago.26/Reuters — Foto: UOL

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