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    Príons alterados provocam declínio severo na Doença de Creutzfeldt-Jakob

    O diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) do influenciador e piloto Lito Sousa , 59, chama atenção para um grupo raro de doenças neurodegenerativas que não têm tratamento capaz de interromper sua evolução e nem cura. Leia mais (09/01/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 18:00
    Príons alterados provocam declínio severo na Doença de Creutzfeldt-Jakob
    Homem deitado em cama hospitalar com camisa verde do Palmeiras, shorts e meias brancas. Ele está apoiado em travesseiros, com sonda nasal e ambiente clínico ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) do influenciador e piloto Lito Sousa , 59, chama atenção para um grupo raro de doenças neurodegenerativas que não têm tratamento capaz de interromper sua evolução e nem cura.

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    Lito no Instagram · Lito no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pertencente ao grupo de doenças priônicas , a DCJ é causada por uma alteração na estrutura de uma proteína que temos no cérebro, provocando uma rápida deterioração neurológica.

    Os príons não são vírus, bactérias ou fungos, mas proteínas do sistema nervoso que protegem neurônios e atuam na memória, no aprendizado e no sistema imunológico.

    O problema ocorre quando uma dessas proteínas assume estrutura diferente da normal e induz outras proteínas semelhantes a fazerem o mesmo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As proteínas saudáveis possuem o formato "enrolado" e maleável. Quando sofrem alteração passam a ter formato reto e insolúvel, passando a se chamar de príon infeccioso, e perdem suas funções benéficas. É o que acontece na Doença de Creutzfeldt-Jakob.

    O resultado é uma reação em cadeia: as proteínas anormais se acumulam no cérebro e destroem progressivamente os neurônios, fazendo com que haja perda de funções motoras e declínio cognitivo severo.

    A morte neuronal dá aspecto esponjoso ao cérebro, origem do termo "encefalopatia espongiforme".

    A estrutura simples, formada apenas por proteína, dificulta combater os príons.

    "Essas proteínas possuem uma estrutura celular única e é justamente isso que dificulta o seu combate porque é difícil de atacá-la. Ao contrário dos vírus e bactérias, que possuem sua formação estrutural com mais de um elemento, dando mais alternativas para atacá-lo", explica Victor Calil, neurologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) especialista em Cognição e membro da Academia Brasileira de Neurologia.

    Príons são proteínas naturais do organismo, cuja eliminação pode causar problemas.

    "A proteína em si é importante, é ela quem protege o nosso cérebro e faz com que ele funcione. Só quando ela assume essa conformação anômala é que ela passa a causar dano. Por isso, não podemos eliminá-la completamente", acrescenta Matheus Castro, geneticista, coordenador do Núcleo de Genética do Hospital Sírio-Libanês e do Departamento Científico de Neurogenética da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM).

    Nessa forma alterada, a proteína também se torna resistente às proteases, enzimas responsáveis pela degradação de proteínas no organismo, o que dificulta sua eliminação.

    As causas são desconhecidas; a alteração pode ser esporádica, adquirida ou hereditária.

    Segundo o Ministério da Saúde, a forma esporádica responde por cerca de 85% a 90% dos casos no Brasil; causa e fonte infecciosa são desconhecidas.

    Casos hereditários somam 5% a 15%, e os adquiridos, menos de 1%.

    Nos casos hereditários a alteração vem da genética dos pais. Cada filho de uma pessoa com uma alteração genética no gene PRNP tem 50% de chance de herdar a variante e desenvolver a doença.

    Já a forma iatrogênica pode ocorrer em situações específicas como durante procedimentos médicos, onde há a introdução de eletrodos de profundidade não esterilizados —como, por exemplo, em transplantes de córneas, uso do hormônio do crescimento, transplantes de fígado, procedimentos neurocirúrgicos, transfusão de sangue e instrumentação cirúrgica. Essa forma de infecção é bem rara.

    "A doença não é transmitida por abraço, convivência, tosse, saliva ou contato social comum", acrescenta Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, pesquisador em Neurociências, Genômica e Bioinformática e diretor Científico do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito).

    A relação entre príons e DCJ é conhecida há décadas, mas seu mecanismo não é totalmente compreendido.

    Ainda se desconhece quando a proteína muda, como se espalha pelo cérebro e leva à morte neuronal.

    Quando surgem sintomas, o dano neurológico pode ser irreversível.

    A DCJ pode causar alterações cognitivas, comportamentais, de coordenação e visuais, sintomas que dificultam o diagnóstico inicial por também ocorrerem no Alzheimer.

    "Essa anomalia da proteína ocorre lá dentro da célula, dentro do neurônio ou na sua membrana. Nós temos bilhões de neurônios em cada indivíduo. Então, é difícil conseguir acesso a cada um desses neurônios para tratar de uma maneira direcionada", diz Castro.

    A doença costuma avançar em poucos meses após os primeiros sintomas.

    "Até o momento não existe nenhum medicamento comercializado e aprovado especificamente para interromper a doença de Creutzfeldt-Jakob ou para corrigir e reduzir a proteína priônica de forma terapêutica. Existe tratamento de suporte para sintomas, como agitação, dor, espasmos e dificuldades de sono ou alimentação. As terapias que atuam diretamente sobre a proteína estão em ensaios clínicos e não podem ser prescritas ou compradas como tratamento convencional", acrescenta Abreu.

    Assim como a Creutzfeldt-Jakob, o Alzheimer também é uma doença neurodegenerativa causada por uma proteína: a tau, produzida pelos neurônios, que ajuda a manter sua estrutura.

    No Alzheimer, a proteína tau sofre alterações e se acumula de forma anormal dentro das células nervosas, o que causa a degeneração dos neurônios.

    Diferentemente dos príons, ela não induz outras proteínas a mudar de conformação.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/prions-alterados-provocam-declinio-severo-na-doenca-de-creutzfeldt-jakob.shtml.

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