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    Primeiro-ministro diz que Canadá está agora em guerra comercial com os EUA

    O Canadá está "em guerra" comercial com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump "errou nos cálculos" ao intensificar sua ofensiva tarifária, afirmou o primeiro-ministro Mark Carney . Leia mais (08/22/2026 - 16h13)

    Folha de S.Paulo
    22 de agosto de 2026 às 19:13
    Primeiro-ministro diz que Canadá está agora em guerra comercial com os EUA
    Homem de cabelos grisalhos, vestindo terno escuro e camisa branca, fala gesticulando com a mão direita em púlpito com microfone. Fundo desfocado em ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Canadá está "em guerra" comercial com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump "errou nos cálculos" ao intensificar sua ofensiva tarifária, afirmou o primeiro-ministro Mark Carney .

    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, em entrevista coletiva neste sábado (22) em Ottawa - Chris Tanouye/Reuters · Chris Tanouye/Reuters
    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, em entrevista coletiva neste sábado (22) em Ottawa - Chris Tanouye/Reuters · Chris Tanouye/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Carney fez um pronunciamento desafiador à nação neste sábado (22), após suspender durante a noite as negociações comerciais com os EUA, e disse que o que o governo Trump havia exigido era um "mau acordo".

    O colapso das negociações abre caminho para uma nova rodada de tarifas sobre US$ 20 bilhões (R$ 103,2 bilhões) em exportações canadenses, além das taxas já existentes sobre aço, alumínio, madeira e veículos.

    "Você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados", disse Carney a jornalistas em Ottawa.

    Fumaça de incêndios florestais sufoca Toronto
    Fumaça de incêndios florestais sufoca Toronto — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo ele, o presidente Trump subestimou a disposição do Canadá de suportar dificuldades econômicas, em um "erro de cálculo" que intensificou a guerra comercial .

    "Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não daremos o que eles pediram", afirmou.

    Carney disse que as mudanças de última hora propostas pelos EUA eram inaceitáveis para Ottawa. O Canadá não havia apresentado nenhuma nova exigência e ficava "continuamente decepcionado" com as respostas americanas às questões levantadas por integrantes do governo Trump, à medida que se aproximava o prazo final da meia-noite, acrescentou.

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    O presidente dos EUA, que se apresenta como um mestre das negociações, ainda não comentou o fracasso das conversas comerciais, depois de afirmar na tarde de sexta-feira (21): "Deveríamos conseguir fechar um acordo com o Canadá".

    Carney disse que Ottawa estava disposta a retirar tarifas retaliatórias sobre setores estratégicos, especialmente aço e alumínio, caso os EUA "reduzissem substancialmente" as suas sobre empresas canadenses.

    "Em troca de um acordo justo, incentivaríamos nossas províncias a recolocar as bebidas alcoólicas americanas nas prateleiras", afirmou.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas, apesar do "progresso rumo a um possível acordo" nesta semana, os EUA mudaram repentinamente de posição, disse ele.

    "Eles pediram demais e ofereceram muito pouco", afirmou. "É uma demonstração de força."

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    Carney enumerou as várias concessões feitas pelo Canadá para atender à lista mutável de queixas dos EUA, desde questões relacionadas ao tráfico de fentanil até anúncios contra as tarifas que haviam despertado a ira do presidente americano.

    O Canadá havia agido "de boa-fé para tentar chegar a um entendimento e garantir um acordo abrangente que atendesse aos interesses tanto dos canadenses quanto dos americanos", afirmou.

    Carney disse que não havia "nenhuma justificativa" para as novas exigências dos EUA em relação à indústria automobilística e acrescentou: "Isso tornaria a produção cada vez menos viável economicamente".

    Na última hora, os EUA também introduziram medidas para restringir a capacidade do Canadá de fechar acordos comerciais com outros países, disse ele. Também levantaram novas preocupações sobre supostas barreiras comerciais decorrentes de normas linguísticas na província francófona de Quebec.

    Como resultado, pouco antes da meia-noite de sexta-feira, as negociações fracassaram, intensificando a guerra comercial entre o governo Trump e seu vizinho ao norte.

    "Era um mau acordo", disse no sábado o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford. "Donald Trump está tentando causar sofrimento a todos os canadenses; nós responderemos na mesma moeda."

    O Canadá buscava a redução das tarifas de 50% sobre seus setores de aço e alumínio e de 25% sobre veículos, além de tarifas e taxas antidumping sobre a madeira, que, nos últimos 18 meses, provocaram o fechamento de fábricas e a perda de empregos.

    Carney disse que o Canadá responderia às novas tarifas americanas "dólar por dólar" após o fracasso das negociações.

    "As novas tarifas dos EUA foram concebidas para nos prejudicar e nos dividir; são um erro de cálculo", afirmou.

    O Canadá abandonou a mesa de negociações em um momento em que Trump enfrenta pressão interna devido à situação da economia americana, com as eleições de meio de mandato a apenas alguns meses de distância. A população está cada vez mais preocupada com o custo da guerra no Irã , a dívida em nível recorde, a disparada dos preços dos combustíveis e as sufocantes taxas de juros dos financiamentos imobiliários.

    O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse mais cedo no sábado que era "difícil dizer" se as negociações com o Canadá voltariam aos trilhos.

    "Não temos novas conversas planejadas com os canadenses", disse ele à Fox News. "Estamos avançando com medidas em resposta à retaliação canadense."

    Greer disse a jornalistas na noite de sexta-feira que se tratava de "uma oportunidade perdida para o Canadá", acrescentando que a oferta americana representava "o melhor tratamento concedido a qualquer grande exportador para o nosso mercado".

    Trump "receberá opções para equilibrar as condições de concorrência" em relação à retaliação do Canadá, afirmou.

    Dan Kelly, presidente da Federação Canadense de Empresas Independentes, disse que o impacto sobre as pequenas empresas seria imediato e significativo.

    "Nada menos que 40% dos pequenos exportadores canadenses serão diretamente atingidos por essas tarifas, e quase um terço espera que suas receitas caiam 50% ou mais como consequência", afirmou.

    Subrata Bhattacharjee, advogado especializado em regulamentação e políticas públicas do escritório Borden Ladner Gervais, em Toronto, disse que a situação era "decepcionante" para empresas em busca de segurança.

    Haverá um "impacto severo", especialmente em Ontário e Quebec, afirmou.

    "Sem dúvida, Ottawa também avaliava a forte opinião pública contrária a um acordo a qualquer custo, e a mensagem do primeiro-ministro reflete isso claramente", disse ele.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/mark-carney-diz-que-canada-esta-agora-em-guerra-comercial-com-os-eua.shtml.

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    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, em entrevista coletiva neste sábado (22) em Ottawa - Chris Tanouye/Reuters · Chris Tanouye/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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