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    Previsíveis, Lula e Flávio correm atrás do eleitor-pêndulo

    Como seria previsível, a estreia dos principais rivais da disputa presidencial no horário eleitoral gratuito de rádio e TV neste sábado (28) trouxe Lula ( PT ) e Flávio Bolsonaro ( PL ) demonstrando cautela. Leia mais (08/29/2026 - 14h29)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 17:29
    Previsíveis, Lula e Flávio correm atrás do eleitor-pêndulo
    À esquerda, homem de barba branca e chapéu de palha claro fala ao microfone, vestindo camisa branca. À direita, homem de cabelo escuro e terno preto segura microfone, com alfinete de tesoura na lapela, em fundo escuro com outra pessoa desfo — Foto: Folha de S.Paulo

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    Na justaposição de fotos, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que disputam o Planalto
    Na justaposição de fotos, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que disputam o Planalto — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como seria previsível, a estreia dos principais rivais da disputa presidencial no horário eleitoral gratuito de rádio e TV neste sábado (28) trouxe Lula ( PT ) e Flávio Bolsonaro ( PL ) demonstrando cautela.

    O mantra do falecido marqueteiro Duda Mendonça (1944-2021), o homem que tornou palatáveis para o eleitor Paulo Maluf e o próprio Lula, sempre assombra a largada das disputas: "Quem bate, perde".

    A primeira rodada de propagandas trouxe o presidente e o filho do antecessor apenado Jair Bolsonaro em modo paz e amor quase completo, apenas com pitadas ácidas. Foi um aperitivo do que deve vir, tematicamente, em termos de ataques.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O senador fluminense associou brevemente Lula à insegurança, um tema fácil de colar em governos de esquerda, enquanto o petista lançou mão da vinheta negativa que circulara na véspera com a ficha de suspeitas sobre Flávio antes de seu programa começar de fato, tática conhecida e eficaz.

    Mas o prato principal de ambos foi a agenda positiva. Na falta de experiência administrativa, Flávio se apresentou como homem de família, reduziu a presença do pai a um aposto, e enfatizou a juventude de seus 45 anos ante os 80 do rival. Sem dancinha.

    Apenas pincelou o que deve ser explorado à frente, como o endividamento de famílias e a crise das empresas. Talvez ciente da própria vulnerabilidade, deixou o caso Lulinha para depois.

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Dedicou boa parte de seus 4min20s de tempo para se dirigir às mulheres em que seu desempenho nas pesquisas é pior, ainda que tenha escorregado ao falar que elas mandam "em casa" —sugerindo o lugar em que elas devem estar.

    Lula, por sua vez, fez uma recapitulação de sua trajetória, insinuando temas de propaganda futura, como a defesa da escala 6x1, talvez a única coisa novidadeira que tenha a dizer —se a bagagem de três mandatos lhe traz trunfos, o desgaste e a falta de inovação são evidentes.

    O presidente surge como um estadista, com direito a imagem apertando a mão do seu malvado favorito, Donald Trump, ao mesmo tempo em que é vendido como o antagonista dos "traidores da pátria" —o clã Bolsonaro, não nomeado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como Lula e Flávio têm a rejeição de quase metade do eleitorado cada, eles miram neste momento o eleitor que de fato interessa, o pendular que costuma ser identificado aos 24% que se dizem não alinhados ao lulismo ou ao bolsonarismo, segundo o Datafolha. Afinal, 49% deles dizem que podem mudar de voto.

    Essa equação de saída tende a ser substituída ao longo do pleito. Se a aposta de Lula na escala 6x1 vingar, é provável que a positividade ocupe mais espaço do que a agressividade do presidente na embalagem da TV e rádio.

    Por outro lado, a caixa de ferramentas, como bem deve lembrar a reconvertida Marina Silva acerca de sua experiência em 2014, estará de prontidão em cenário adverso.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na rabeira da corrida, os dois outros candidatos com direito a tempo de TV e rádio, Ronaldo Caiado ( PSD ) e Augusto Cury ( Avante ) fizeram o esperado.

    O ex-governador de Goiás, com razoáveis 2min02s, conseguiu modular uma cara à sua candidatura. Explicitou-se como antipetista e, ao mesmo tempo, empregou tempo para fazer o que não conseguiu nas entrevistas ao longo da semana: apresentar sua gestão estadual, muito bem avaliada.

    Já Cury, com 35s, tentou criar uma imagem calmante, ao estilo autoajuda . Mas o slogan "Não tem cura sem escuta" parece mais adequado para a disputa da presidência da Sociedade Brasileira de Psicanálise.

    As campanhas voltaram a apostar no horário eleitoral, certo sintoma dos excessos virtuais —com efeito, o candidato mais próximo das redes, Renan Santos (Missão), não decolou até aqui.

    Com isso, o cenário único de 2018 não soa reproduzível. Lá, o então tucano Geraldo Alckmin tinha um latifúndio de 5min32s, e acabou em quarto lugar com 4,76% dos votos. Já o então outsider Bolsonaro tinha míseros 8s, abocanhando 46% dos votos primeiro turno e se elegendo no segundo.

    Após 13 faces na tela em 2018 e 6 em 2022, as 4 de 2022 facilitaram a legibilidade das propagandas —e explicitaram como são quase idênticas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/previsiveis-lula-e-flavio-correm-atras-do-eleitor-pendulo.shtml.

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