Economia

    Prévia da inflação acelera de forma disseminada e reduz margem para cortes de juros

    (Agência Brasil) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/04/17-09-2020_comida_restaurante-6.png?fit=1170%2C700&quality=70&strip=all" />Alta de 0,7% no IPCA-15 superou expectativas e pode afetar continuidade de cortes de juros pelo Banco Central, alertam economistas The post Prévia da inflação acelera de forma disseminada e reduz margem para cortes de juros appeared first on InfoMoney .

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    25 de setembro de 2026 às 15:00
    Prévia da inflação acelera de forma disseminada e reduz margem para cortes de juros
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    A alta de 0,7% na prévia da inflação de setembro , divulgada nesta sexta-feira (25) pelo IBGE, acelerou acima das expectativas, que estavam em torno de 0,53% a 0,55%. O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 ( IPCA-15 ) foi puxado pela alta de alimentos e pelos preços de energia após o fim do Bônus de Itaipu, mas a pressão da inflação de serviços e a piora em alguns núcleos pode acender o alerta para o ciclo de calibração de juros do Banco Central.

    No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,47%, quase encostado no teto da meta, de 4,5%.

    O principal motor da aceleração no mês veio do grupo Habitação, que registrou alta de 2,07% e contribuiu com o maior impacto positivo no índice geral. O dado foi puxado pela alta de 7,42% na energia elétrica residencial, uma consequência direta do fim da incorporação do Bônus de Itaipu, que havia garantido descontos no mês anterior.

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    Gabriel Foglieni, gerente de investimentos da Eleva Invest, destaca que este item, sozinho, respondeu por 40% do resultado.

    Além dos custos com moradia, houve uma forte pressão vinda do retorno da inflação dos alimentos, que interrompeu uma sequência de quedas sazonais que estava aliviando o bolso dos consumidores.

    O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,40% em setembro, influenciado pela retomada de alta da alimentação no domicílio, que encareceu 0,38% após recuar 0,97% em agosto.

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    Produtos essenciais na mesa do brasileiro tiveram altas acentuadas, com o tomate subindo 20,76%, seguido pelo arroz, com 2,39%, e as carnes, que avançaram 1,30%.

    Christian Meduna, economista do banco BV, explica que a saída da deflação do setor alimentar nos produtos in natura tem “correlação com a questão climática”.

    Na mesma linha, o economista Júlio Barros, do Daycoval, aponta que o resultado positivo encerra o período de sazonalidade benéfica. “Continuamos alertando para a expectativa de aceleração mais intensa dos preços dos alimentos no último trimestre deste ano em função de um clima mais adverso, com a ocorrência do El Niño intenso.”

    Os serviços também mantiveram a economia superaquecida. O grupo Transportes apresentou variação de 0,60%, influenciado pela disparada de 9,82% nas passagens aéreas, logo após terem recuado 13,30% na leitura de agosto.

    A economista da XP, Basiliki Litvac, avalia que os serviços seguem mostrando resiliência diante do mercado de trabalho aquecido e devem permanecer como o principal foco de atenção do Banco Central.

    Ela nota ainda uma surpresa altista por parte da gasolina, que avançou 0,30%, impulsionando desvios das projeções que aguardavam retração. Com o dado, a XP mudou a projeção para o IPCA de setembro, passando de 0,58% para 0,68%.

    O que mais gera apreensão entre os especialistas, contudo, é a piora no aspecto qualitativo da prévia da inflação.

    A pressão nos preços não se limitou a distorções isoladas, atingindo todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, e também todas as onze regiões monitoradas.

    André Matos, CEO da MA7 Capital, destacou que o que surpreendeu no IPCA-15 não foi a direção, mas a intensidade da variação de preços. Para o executivo, “se fosse apenas efeito da conta de luz, você veria energia subindo e o resto parado, e não foi isso”.

    Para ele, a pressão de preços nos nove grupos pesquisados “não é evento pontual, é inflação disseminada”.

    Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores), destaca que a média dos cinco núcleos de inflação que o Banco Central acompanha de perto acelerou de 0,23% para 0,34%, enquanto o índice de difusão saiu de 52% para 53,7%. “O número cheio assusta, mas o que preocupa o Banco Central está por baixo do capô”, avalia.

    Para Júlio Barros, economista do Banco Daycoval, apesar de o núcleo ter rodado em linha com o previsto, ele se mantém em patamar elevado e desafiador.

    Este retrato de uma inflação ampla e persistente impõe desafios à política monetária. Na mais recente reunião deste mês, o Comitê de Política Monetária ( Copom ) cortou a taxa Selic a 13,75% e deixou em aberto os próximos passos. Agora, a margem de manobra para continuar a flexibilização nos juros encolheu.

    Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, afirma que a reaceleração do índice reflete tanto a devolução pontual de itens voláteis e administrados quanto uma dinâmica qualitativa ainda pressionada. “O resultado reforça a cautela necessária em relação à convergência da inflação e valida a postura vigilante da política monetária”, diz.

    Barros, do Daycoval, projeta uma pausa na calibração dos juros na próxima reunião do Copom, em novembro. Foglieni, da Eleva Invest, diz que a decisão de novembro está “mais disputada”.

    Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, aponta que o dado do IPCA-15 não interrompe, necessariamente, o ciclo de queda da Selic, mas reduz espaço do Copom para acelerar os cortes.

    Fábio Muirad, da Wiser Asset, avalia que reduções aceleradas na Selic poderiam comprometer o diferencial de juros, pressionar a taxa de câmbio e gerar repasse inflacionário interno.

    Analisando o longo prazo, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, prevê que a manutenção de juros restritivos por mais tempo será o antídoto inevitável para controlar a inflação. “Se reduzir os juros rapidamente e as expectativas continuarem desancoradas, existe o risco de prolongar o próprio processo de desinflação”, afirma.

    Leonardo Costa, economista do ASA, reconhece a piora marginal, mas acredita que essa leitura não deve alterar a posição do Banco Central (BC), mantendo sua aposta de que haverá mais dois cortes de 25 pontos-base nas próximas reuniões de novembro e dezembro.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/economia/ipca-15-setembro-previa-inflacao-acelera/.

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