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    Pretensão de Kassio de soltar Bolsonaro é um acinte

    Causa espécie a notícia de que o ministro Kassio Nunes Marques , do Supremo Tribunal Federal, cogita anular os efeitos da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ) e permitir a sua soltura, mediante decisão monocrática. Parece que juízes da corte constitucional não compreenderam a intolerância da sociedade com esse padrão de intromissão político-partidária. Leia mais (10/06/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 01:00
    Pretensão de Kassio de soltar Bolsonaro é um acinte
    Um juiz sentado em uma cadeira de tribunal, com uma expressão séria. Ele usa um terno escuro, uma gravata rosa e um broche. A cadeira é de cor dourada e ao fundo há pessoas em trajes formais. O ambiente é de um tribunal, com iluminação suav — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF · Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF
    Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF · Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Causa espécie a notícia de que o ministro Kassio Nunes Marques , do Supremo Tribunal Federal, cogita anular os efeitos da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ) e permitir a sua soltura, mediante decisão monocrática. Parece que juízes da corte constitucional não compreenderam a intolerância da sociedade com esse padrão de intromissão político-partidária.

    A causa é acintosa. Não há dúvidas da participação do então candidato derrotado à reeleição numa trama para subverter o resultado das urnas. Testemunhos e provas asseguram que o Brasil só não viveu a recidiva autoritária pela resistência da cúpula das Forças Armadas , liderada pelo general Freire Gomes, do Exército.

    Os acusados percorreram a via canônica do devido processo legal. Denunciados pela Procuradoria-Geral da República, exerceram o contraditório e foram julgados em sessões públicas e regulares. Quatro ministros — Alexandre de Moraes , Cármen Lúcia , Flávio Dino e Cristiano Zanin — venceram o único dissidente, Luiz Fux , para sentenciar Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pode-se criticar os julgadores pela opção maximalista no momento de definir os crimes e as penas —exagero que se repetiu com diversos réus, não só com o ex-presidente. Isso, porém, não tisna a legitimidade do processo.

    A reação do Congresso Nacional foi sensata. Em vez de embrenhar-se pela via irresponsável da anistia, como queria a franja radical bolsonarista, os parlamentares optaram por aprovar um projeto de lei , o que está em sua alçada exclusiva, que na prática reduz as penas para todos os condenados pela intentona golpista.

    Promulgada a lei, entrou em cena o poder de obstrução individual que a lassidão em vigor concede a juízes do Supremo. Desde maio, Alexandre de Moraes está sentado sobre ações que questionam a constitucionalidade da lei, tendo suspendido os seus efeitos. Enquanto isso, condenados que já poderiam estar soltos ou ter obtido encurtamento da pena não podem ser contemplados.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A maneira ortodoxa de desfazer o impasse seria o plenário do STF julgar logo os questionamentos à lei e permitir que ela vigore. Tudo de que o Brasil não precisa agora é a sobreposição de uma nova heterodoxia nesse caso politicamente sensível. Se, com o benefício casuísta a Jair Bolsonaro, Nunes Marques pretende prestar um serviço às forças responsáveis por sua nomeação à corte, deve saber que prestará um enorme desserviço à causa da Justiça.

    O antiexemplo de que a punição pelos crimes cometidos contra a Carta de 1988 possa ser anulada vai estimular a repetição dessas ignomínias. A audácia de conceder o perdão pela canetada solitária de um ministro alimentará o moto-perpétuo que investe cada juiz do STF da pretensão de que pode mandar em tudo.

    Rasgar a toga para beneficiar um grupo partidário manterá a cúpula da Justiça na penumbra da desmoralização, o que só interessa aos abutres do autoritarismo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/pretensao-de-kassio-de-soltar-bolsonaro-e-um-acinte.shtml.

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    Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF · Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF — Foto: Folha de S.Paulo

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