Brasil

    Pressionado, setor de combustíveis está alerta para risco de escassez

    Representantes do setor de combustíveis afirmam que preços praticados pela Petrobrás podem gerar desabastecimento de combustível

    Metrópoles
    18 de setembro de 2026 às 07:30
    Pressionado, setor de combustíveis está alerta para risco de escassez
    Foto: Metrópoles

    A defasagem nos preços do diesel praticados pela Petrobras já ultrapassa R$ 3 por litro e começa a gerar sinais de alerta no mercado de combustíveis, com risco de desabastecimento em diferentes regiões do país , informou o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis ( Abicom ), Sergio Araújo.

    De acordo com ele, sem ajuste nos valores, importadores tendem a reduzir operações, o que pode comprometer a oferta nas próximas semanas e gerar desabastecimento do combustível.

    O Brasil depende da importação para suprir a demanda interna, já que as refinarias nacionais não têm capacidade suficiente para atender ao consumo doméstico, especialmente no caso do diesel, principal combustível utilizado no transporte de cargas e na produção agrícola.

    KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
    KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Segundo o presidente, a diferença entre o preço interno e o valor de paridade internacional já supera R$ 3,89 por litro, o que torna economicamente inviável a importação por agentes privados. Ele avaliou que no mês de setembro houve redução na importação de diesel, o que deve se repetir em outubro, com tendência de agravamento da situação nas importações.

    O preço do petróleo está sendo impactado pela crise no Oriente Médio, que se arrasta desde o começo do ano. O preço do brent voltou a passar de US$ 100 por barril , o que encarece não só a produção como toda a cadeia de refino.

    A situação acontece em um momento sensível do calendário político, pouco dias antes da eleição. Para representantes do setor, há percepção de que o governo pode estar influenciando a política de preços da Petrobras diante da proximidade das eleições, com o objetivo de evitar impactos inflacionários.

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    Pressionado, setor de combustível está alerta para risco de escassez — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A leitura ganha força após episódios recentes em que a estatal indicou a possibilidade de reajuste, mas recuou posteriormente.

    Na semana passada, a Petrobras chegou a sinalizar uma possível alta nos preços da gasolina , acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. No entanto, a decisão foi revertida, mantendo os valores abaixo da paridade global.

    Com preços mais baixos no mercado interno, importadores perdem competitividade frente à Petrobras, que detém maior capacidade de absorver perdas no curto prazo.

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    Na avaliação do presidente da Abicom, a combinação entre as desonerações feitas pelo governo e a defasagem no preço cria um ambiente de incerteza que compromete a previsibilidade do abastecimento.

    O risco de desabastecimento, portanto, não decorre apenas da defasagem atual, mas de um conjunto de fatores estruturais. A dependência de importações, aliada à falta de previsibilidade na política de preços, reduz o incentivo para que agentes privados atuem no mercado, segundo a Abicom.

    A Petrobras, por sua vez, afirmou que adota uma política comercial que busca equilibrar competitividade e rentabilidade, considerando não apenas o mercado internacional, mas também condições internas. Ainda assim, a pressão por ajustes tende a crescer à medida que a defasagem se amplia e os efeitos começam a aparecer na ponta.

    Apesar isso, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) disse acompanhar de perto a situação do abastecimento de combustíveis e, até o momento, não há indícios de desabastecimento de diesel no mercado nacional.

    “A atenção agora volta-se para o período que se inicia diante da expectativa de intensificação da demanda por diesel, resultante da sazonalidade associada aos períodos de plantio e colheita do agronegócio. Nessa visão prospectiva, alguns fatores serão importantes para a regularidade do abastecimento, entre eles a viabilidade de complementação da oferta nacional a partir de importações, incluindo a disponibilidade e as cotações de preços dos volumes provenientes do mercado externo, bem como as condições logísticas para sua internalização”, disse em nota. Subsídios Na semana passada, o governo editou uma Medida Provisória (MP) com a possibilidade de um incentivo de R$ 1 por litro. A regulamentação foi publicada na quarta-feira (16/9) no Diário Oficial da União (DOU).

    Após a publicação da portaria, a Petrobras ajustou os preços do diesel em R$ 1 por litro, no entanto, o subsídio oferecido pelo governo deve segurar os preços, logo, o aumento não deve impactar o consumidor final.

    Antes, já estava em vigência uma subvenção de R$ 1,12 por litro, válida até o dia 26 de setembro. Com a portaria editada pelo Ministério da Fazenda , a subvenção ao diesel deve chegar a R$ 2,12 por litro .

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/setor-combustivel-risco-de-escassez.

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