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    Pressa eleitoreira contamina debate sobre 6x1

    Teve sucesso apenas parcial o esforço do governo para apressar a aprovação da proposta de emenda constitucional destinada a reduzir a jornada máxima de trabalho. Leia mais (09/03/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de setembro de 2026 às 01:00
    Pressa eleitoreira contamina debate sobre 6x1
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    Plenário do Senado, em Brasília (DF) - Jonas Pereira/Agência Senado · Jonas Pereira/Agência Senado
    Plenário do Senado, em Brasília (DF) - Jonas Pereira/Agência Senado · Jonas Pereira/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Teve sucesso apenas parcial o esforço do governo para apressar a aprovação da proposta de emenda constitucional destinada a reduzir a jornada máxima de trabalho.

    Como queria Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado deu sinal verde na quarta-feira (2) à PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho semanal, já votada pela Câmara dos Deputados . Entretanto não há certeza quanto à data do exame definitivo do diploma em plenário.

    Sem acordo para que a tramitação fosse concluída nesta semana, os parlamentares só deverão voltar ao tema, na melhor das hipóteses para o governo, depois do primeiro turno das eleições —e assim restará a Lula, candidato a um quarto mandato, empenhar-se para que a votação ocorra antes do segundo turno.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma eventual frustração de tal desejo fará bem ao debate em torno da proposta, hoje irremediavelmente contaminado por pressa e oportunismo eleitoreiro.

    Petistas e aliados carimbam de inimigos do povo os críticos da PEC, que não raro recorrem a subterfúgios para camuflar suas posições —o PL de Jair Bolsonaro chegou ao ridículo de defender jornada máxima de quatro dias na tentativa de inviabilizar o avanço do texto na Câmara.

    Além de evidente apelo popular, o assunto envolve tanto objetivos meritórios quanto questões complexas como viabilidade e efeitos colaterais . Merece, pois, análise mais técnica e serena.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em países mais desenvolvidos, a conquista de maior tempo livre para o lazer veio, em geral, como decorrência de maior produtividade dos trabalhadores. Imposições legais, das quais o Brasil é pródigo em exemplos, podem ser contornadas por informalidade e queda de remunerações.

    Estudos indicam que haveria perdas para a economia, cujos desempenho e perspectivas imediatas já não são animadores. Mesmo que os danos totais sejam considerados absorvíveis, alguns setores, do comércio à construção civil, sofreriam mais.

    A alegada urgência em votar a PEC não passa de discurso de campanha. O fim da jornada 6x1 e das 44 horas de trabalho semanais, até pouco tempo atrás, jamais fizera parte das prioridades das principais forças políticas do país — incluindo o PT, que, em seus quatro mandatos presidenciais anteriores, ignorou o tema.

    A bandeira veio a ganhar força nas eleições municipais de 2024, quando proporcionou um cargo de vereador, com boa votação, a um candidato do PSOL no Rio de Janeiro. Lula só abraçou a causa no final do ano passado.

    É, de resto, duvidoso que a benesse, já exaustivamente propagandeada pelo governo, possa mudar os sofríveis índices de popularidade do mandatário. Não o fizeram as isenções do Imposto de Renda, o Gás do Povo, o fim da "taxa das blusinhas" e uma série de estímulos ao crédito. Seja como for, é temerário tratar com açodamento algo tão importante como as relações de trabalho.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/pressa-eleitoreira-contamina-debate-sobre-6x1.shtml.

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