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    Presidente do STM diz que posição do Judiciário na ditadura foi a 'pior possível'

    A presidente do STM (Superior Tribunal Militar), ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou, nesta quarta-feira (12), que a posição do Poder Judiciário durante a ditadura militar [1964-1985] foi a pior possível. Segundo a magistrada, "não houve resistência" por parte das instituições de Justiça. Ela estendeu sua crítica aos demais Poderes. Leia mais (08/12/2026 - 15h29)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 18:29
    Presidente do STM diz que posição do Judiciário na ditadura foi a 'pior possível'
    Mulher de meia-idade com óculos e jaqueta de couro marrom segura papel e gesticula durante fala em ambiente institucional com fundo azul escrito PUC-SP. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A presidente do STM (Superior Tribunal Militar), ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou, nesta quarta-feira (12), que a posição do Poder Judiciário durante a ditadura militar [1964-1985] foi a pior possível. Segundo a magistrada, "não houve resistência" por parte das instituições de Justiça. Ela estendeu sua crítica aos demais Poderes.

    Aula Magna com a presidente do Superior Tribunal Militar Maria Elizabeth Rocha na PUC-SP - Danilo Verpa - 12.ago.2026/Folhapress · Danilo Verpa - 12.ago.2026/Folhapress
    Aula Magna com a presidente do Superior Tribunal Militar Maria Elizabeth Rocha na PUC-SP - Danilo Verpa - 12.ago.2026/Folhapress · Danilo Verpa - 12.ago.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Não houve até hoje uma penitência dos Poderes nesse sentido de reconhecerem as suas fragilidades e de reconhecerem que erraram durante o regime militar. Eu acho que isso é importante para que haja reparação, para que a memória seja conservada. Isso não aconteceu", disse a ministra.

    As declarações foram dadas em uma aula magna ministrada a alunos da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). O evento foi organizado pelo Centro Acadêmico 22 de Agosto, do curso de direito da instituição.

    A ministra também criticou a Lei de Anistia, de 1979, que concedeu perdão judicial aos crimes praticados por agentes do Estado durante o período. Segundo a ministra, tratados de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, como o Pacto de São José da Costa Rica, tornam a norma incompatível com a legislação brasileira atual.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para que possam valer no Brasil, tratados internacionais devem ser votados no Congresso Nacional e aprovados por uma maioria de três quintos (3/5) da casa. No caso do pacto, isso ocorreu em setembro de 1992.

    Maria Elizabeth também criticou a posição do STF (Supremo Tribunal Federal), que declarou a constitucionalidade da lei em 2010 a partir de um voto do ministro Eros Grau. Carlos Ayres Britto e Ricardo Lewandowski foram votos vencidos. Ela ponderou, entretanto, que a decisão foi uma resposta possível para aquele momento, no qual "a transição política ainda estava se consolidando".

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    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As decisões recentes, que afastam a Lei de Anistia para crimes continuados (desaparecimento forçado) e de lesa-humanidade, foram comemoradas por ela.

    A ministra lembrou o caso do soldado Antônio Waneir Pinheiro Lima , 82, conhecido como Camarão, condenado em julho de 2026 pela Justiça Federal no Rio de Janeiro a 12 anos de prisão por sequestro e estupro em um centro clandestino de tortura em Petrópolis (RJ). A vítima foi a bancária Inês Etienne Romeu, falecida em 2015 aos 72 anos.

    Segundo ela, a Justiça Militar, por outro lado, teve "grandezas" durante o período. Rocha lembrou que após o AI-5 (ato institucional n.º 5), que proibiu habeas corpus para crimes políticos, o STM criou o direito de petição, que fazia às vezes na proteção de perseguidos políticos.

    Em outubro do ano passado, Maria Elizabeth pediu perdão "a todos que tombaram e sofreram lutando pela liberdade no Brasil". A declaração aconteceu em evento ecumênico em memória ao jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura militar em 1975.

    A ministra foi criticada pelo seu colega de corte, o ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira , tenente-brigadeiro da Aeronáutica . Ele sugeriu que a magistrada " estudasse mais" a história do STM . Rocha considerou que a fala apresentava um " tom misógino, travestido de conselho paternalista ".

    Rocha é a primeira mulher a presidir o órgão máximo da Justiça Militar brasileira. Ela faz parte do tribunal desde 2007 e tomou posse como presidente em março de 2025.

    Em entrevista à Folha após o evento, a ministra comentou as falas recentes do presidente Edson Fachin sobre um projeto de lei federal para regulamentar os salários de magistrados, que deve ficar pronto até o fim do ano, segundo o ministro. Ela também defendeu a criação de regras de conduta.

    "Tudo que de uma certa forma aprimore o exercício dos Poderes do Estado é bem-vindo, inclusive o código de ética", disse.

    Ela concordou com o diploma (lei federal) apontado por Fachin. Segundo a ministra, a aprovação no Congresso Nacional, em detrimento a uma resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), por exemplo, dá legitimidade à proposta.

    A presidente do STM afirmou que sempre defendeu uma "remuneração justa e condizente para magistratura, porém republicana". Ela afirma que os presidentes dos tribunais superiores que, além dela, incluem o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello ( TST ) e Herman Benjamin ( STJ ) estão "afinados" e entendem que deve haver parcimônia em relação aos subsídios.

    Benjamin deixa a presidência na corte em agosto. Luis Felipe Salomão deve assumir a chefia do STJ no próximo dia 19 de agosto.

    Maria Elizabeth não quis comentar as decisões do ministro Alexandre Moraes, do STF, que restringiram manifestações públicas de Jair Bolsonaro (PL). O caso deve chegar ao STM, onde o ex-presidente e outros réus podem perder as patentes após terem sido condenados por uma tentativa de golpe de Estado. A ministra deve presidir o julgamento.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/presidente-do-stm-diz-que-posicao-do-judiciario-na-ditadura-foi-a-pior-possivel.shtml.

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    Aula Magna com a presidente do Superior Tribunal Militar Maria Elizabeth Rocha na PUC-SP - Danilo Verpa - 12.ago.2026/Folhapress · Danilo Verpa - 12.ago.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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