Presidente do Fed diz que banco central americano terá trabalho a fazer se inflação não cair
O presidente do Fed (Federal Reserve), Kevin Warsh, afirmou que a inflação elevada é "preocupante" e alertou que o banco central dos Estados Unidos terá "trabalho a fazer" caso os formuladores de política monetária não avancem rapidamente no controle das pressões sobre os preços na economia. Leia mais (08/28/2026 - 12h02)

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O presidente do Fed (Federal Reserve), Kevin Warsh, afirmou que a inflação elevada é "preocupante" e alertou que o banco central dos Estados Unidos terá "trabalho a fazer" caso os formuladores de política monetária não avancem rapidamente no controle das pressões sobre os preços na economia.

Warsh afirmou, em seu discurso no simpósio de Jackson Hole , do Fed de Kansas City, que a alta dos preços era "mais preocupante" para os dirigentes do banco central do que o mercado de trabalho, que classificou como amplamente robusto. Segundo ele, as medidas de inflação contam uma "história semelhante": os preços continuam subindo acima da meta de 2% do Fed.
"O principal foco do Fed neste momento deveria estar nos preços", disse Warsh, em declarações que apresentaram até agora sua avaliação mais detalhada sobre as atuais condições da economia americana.
Warsh afirmou que o banco central dos EUA não atinge sua meta de 2% há mais de cinco anos e sinalizou que, sem um progresso suficiente em breve, o Fed precisaria elevar os juros , atualmente entre 3,5% e 3,75%.

"Este é o meu padrão: precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando para nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente", disse o presidente do Fed. "Caso contrário, temos trabalho a fazer."
Segundo dados do CME Group, as chances de uma alta dos juros na próxima reunião do Fed, em setembro, saltaram para 57% após o discurso de Warsh, ante 35% no dia anterior.
Os rendimentos dos Treasuries americanos de curto prazo, que refletem as expectativas para a política monetária, dispararam após as declarações de Warsh. O rendimento do título de 2 anos subiu até 0,09 ponto percentual, para 4,32%. Enquanto isso, os rendimentos dos títulos de longo prazo, que subiram recentemente em parte devido a preocupações com a inflação, recuaram moderadamente.

O dólar americano subiu 0,4% em relação a uma cesta de seis outras moedas.
"É um discurso duro em relação à inflação", disse Priya Misra, da JPMorgan Asset Management, acrescentando que Warsh estava "fazendo uma declaração contundente de que [os formuladores de política monetária] estão comprometidos com a estabilidade de preços".
Matthew Amis, diretor de investimentos da Aberdeen, disse que o discurso "prepara uma reunião de setembro em que, se eles não elevarem os juros, a credibilidade sofrerá outro golpe".

Warsh vinha sendo pressionado por investidores a explicar o que seria necessário para que apoiasse uma alta dos juros, depois de falar pouco sobre sua avaliação das condições econômicas —e sobre como o Fed poderia reagir a elas— na entrevista coletiva realizada após a decisão de julho do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).
Misra descreveu o discurso de sexta-feira (28) como "uma reação contundente ao que considero ter sido uma falha de comunicação na entrevista coletiva de julho... E, por isso, vejo o que aconteceu hoje como uma correção".
Embora Warsh tenha sido visto como um defensor de uma política monetária mais dura no combate à inflação durante sua passagem anterior pelo Fed, entre 2006 e 2011, sua nomeação pelo presidente dos EUA, Donald Trump —que vem pressionando constantemente os dirigentes do banco central a reduzir agressivamente os custos dos empréstimos— levantou dúvidas sobre seu compromisso com o controle da inflação.
O presidente do Fed afirmou que há poucos sinais de que os juros estejam agora em um nível que esteja deprimindo o crescimento dos EUA, acrescentando que "no balanço geral, seria difícil descrever as condições financeiras amplas como restritivas".
Ele também disse que o Fed continua comprometido com sua meta de inflação de 2%, medida pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), classificando-a como "uma meta firme e fixa".
Reportagem adicional de Emily Herbert, em Londres, e Harriet Clarfelt, George Steer e Myles McCormick, em Nova York.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/presidente-do-fed-diz-que-banco-central-americano-tera-trabalho-a-fazer-se-inflacao-nao-cair.shtml.

Warsh afirma que condições financeiras dos EUA não parecem restritivas de forma ampla - Evelyn Hockstein/-29.jul.26/ Reuters · Evelyn Hockstein/-29.jul.26/ Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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