Presidente do Banco do Brasil e sindicato trocam acusações de misoginia e má administração
A presidente do Banco do Brasil , Tarciana Medeiros , e o Sindicato dos Bancários de Brasília protagonizam disputa inédita entre a instituição estatal e o representante dos trabalhadores. A executiva notificou extrajudicialmente a entidade trabalhista ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores) , exigindo publicação de resposta a uma matéria que criticava sua atuação à frente do banco. No texto, advogados do BB afirmam que ela sofreu misoginia e xenofobia . Leia mais (08/18/2026 - 19h34)

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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A presidente do Banco do Brasil , Tarciana Medeiros , e o Sindicato dos Bancários de Brasília protagonizam disputa inédita entre a instituição estatal e o representante dos trabalhadores. A executiva notificou extrajudicialmente a entidade trabalhista ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores) , exigindo publicação de resposta a uma matéria que criticava sua atuação à frente do banco. No texto, advogados do BB afirmam que ela sofreu misoginia e xenofobia .
O aspecto político, de acordo com pessoas ouvidas pela coluna, é a ruptura entre a direção do BB e um dos principais sindicatos bancários do país, sob um governo de esquerda e ligado às centrais sindicais.

A crise começou em maio, em publicação do Espelho DF, jornal classista. Em tom de sátira e de cordel, a edição questionava a ampliação de jornada de trabalho, os descomissionamentos, a cobrança de metas, o adoecimento de funcionários e a redução de atendimento presencial que teriam acontecido no banco sob a administração de Tarciana. A capa usava a expressão "mainha" para se referir à presidente, nascida na Paraíba. Um recurso que o sindicato afirma ser legítimo como forma de crítica à dirigente e que ela própria já usou o termo para se referir a si mesma.
A reação do Banco do Brasil foi enviar notificação extrajudicial. No texto, os advogados da estatal classificam o conteúdo como falso, incompleto e descontextualizado. Afirmaram também que o uso da palavra "mainha" várias vezes significava uma desqualificação de gênero associada a estereótipo nordestino, tratando-se de misoginia e xenofobia. O documento também cita injúria, difamação, uso indevido do nome, da marca e da imagem de Tarciana.
O sindicato nega todas as acusações. Em resposta, sustenta que a crítica era apenas à atuação administrativa da executiva, e não a atributos pessoais como gênero e origem. A entidade também falou do seu histórico de combate à misoginia, ao machismo e à xenofobia e disse que o Banco do Brasil buscava mudar o debate, que seria sobre as denúncias de falta de pessoal, sobrecarga de trabalho e fechamento de guichês.

Apesar de contestar, o sindicato publicou o texto da presidente em seu site. Segundo a instituição, isso teria acontecido por espírito democrático e compromisso com a pluralidade de opiniões.
Em sua carta, Tarciana defende as decisões da gestão e afirma que "não existe banco forte sem sustentabilidade econômica" e que o Banco do Brasil "precisa ser cada vez mais digital sem abandonar quem ainda precisa do atendimento presencial". Afirma ainda que "quando as críticas passam a carregar traços de qualquer forma de violência, deixamos de discutir o BB e passamos a reproduzir práticas que precisam ser enfrentadas com clareza e firmeza".
Questionado pela coluna sobre as denúncias do sindicato, o BB afirma que "combate com firmeza práticas de assédio moral ou qualquer conduta inadequada no ambiente de trabalho" e que "as mesas de negociação coletiva da categoria estão em andamento".
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/08/presidente-do-banco-do-brasil-e-sindicato-trocam-acusacoes-de-misoginia-e-ma-administracao.shtml.

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, em almoço da Febraban - Rafaela Araújo-24.nov.25/Folhapress · Rafaela Araújo-24.nov.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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