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    Presidente da Voepass não sabia de falhas antes de acidente que matou 62 pessoas, diz defesa

    Executivo se manifesta pela primeira vez após ser indiciado pela Polícia Federal

    UOL
    10 de agosto de 2026 às 22:00
    Presidente da Voepass não sabia de falhas antes de acidente que matou 62 pessoas, diz defesa
    Homem com cabelo escuro e óculos escuros sorri dentro da cabine de comando de um avião. Ele veste camisa branca e gravata listrada, com cinto de segurança visível. Painéis de controle e instrumentos do avião aparecem ao fundo. — Foto: UOL

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    O presidente da companhia aérea Voepass, José Luiz Felício Filho, afirma ter dito em depoimento à Polícia Federal que nunca teve conhecimento que questões relacionadas à comunicação de problemas técnicos persistiam na empresa.

    José Luiz Felício Filho, 43, diretor-presidente da Voepass; executivo está entre os indiciados pela Polícia Federal, após investigação de acidente que matou 62 pessoas em 2024
    José Luiz Felício Filho, 43, diretor-presidente da Voepass; executivo está entre os indiciados pela Polícia Federal, após investigação de acidente que matou 62 pessoas em 2024 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Por meio de nota assinada pelos seus advogados, o executivo se manifestou pela primeira vez desde que foi indiciado pela Polícia Federal , na última quinta-feira (6) sobre a queda de um avião da empresa em agosto de 2024. O acidente, em Vinhedo (SP), matou 62 pessoas.

    Além de Felício Filho, outras 15 pessoas, entre funcionários e ex-funcionários da empresa, foram indiciadas. Elas podem ser condenadas a até 24 anos de prisão, caso o Ministério Público Federal oficialize a denúncia à Justiça.

    Na nota, a defesa afirma que à época do acidente com o voo 2283 , ele integrava o conselho da Voepass e desde 2017 não atuava na gestão direta e cotidiana da operação.

    Veja imagens das vítimas do acidente de avião do voo 2283
    Veja imagens das vítimas do acidente de avião do voo 2283 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A defesa afirma que, após o acidente, ele retomou a gestão direta da companhia. Desde então, promoveu mudanças na estrutura e nos procedimentos operacionais, além de ampliar a interlocução com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

    "Em depoimento à Polícia Federal, Felício deixou claro que, diante de questões relacionadas à comunicação de problemas técnicos, determinou a adoção de medidas para assegurar o cumprimento dos protocolos de segurança. O executivo nunca teve conhecimento de que condutas contrárias a essas determinações persistissem, nem de fatos específicos que antecederam o acidente", afirma a nota. O texto é assinado pelos advogados Roberto Podval, Luis Fernando Beraldo e Mariana Graça.

    "José Luiz Felício Filho seguirá colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos, reitera seu respeito às investigações e manifesta solidariedade aos familiares das vítimas", afirma a defesa.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo relatório apresentado pela Polícia Federal na quinta-feira passada, Felício Filho tinha pleno conhecimento dos problemas técnicos graves da frota .

    O documento cita que, em depoimento dado no último dia 4, o executivo confirmou ter ciência sobre a cultura de omissão da empresa de evitar o registro de falhas no livro de bordo, "relatando ter sido pessoalmente alertado, ao longo dos anos, por diretores da própria Anac sobre esse padrão de conduta dos pilotos".

    "O que afasta qualquer alegação de desconhecimento superveniente do risco", diz a PF no relatório sobre a investigação.

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    Felício, afirma o texto, também admitiu que a implantação de um sistema automatizado de monitoramento de dados de voo capaz de identificar a recorrência da falha no sistema antigelo —apontado por ele mesmo como estando "nos planos" da companhia— não havia sido, de fato, implementada até a data do acidente.

    "Declarou, ainda, ter sido piloto da própria empresa, com experiência pessoal na operação de aeronaves regionais e conhecimento direto da suscetibilidade desse tipo de aeronave a condições de gelo, o que afasta a tese de mero investidor alheio aos aspectos técnicos da operação", afirma o relatório.

    A PF diz, conforme depoimento, que o presidente demonstrou ter ciência de que a estrutura formal de segurança operacional da empresa funcionava apartada do núcleo apontado por testemunhas como responsável pela pressão contra o reporte de falhas.

    "Também não passou despercebido que o próprio Felício, ao ser instado a individualizar a conduta de cada envolvido, reconheceu expressamente que 'a aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota'."

    Como mostrou a Folha , conforme informações do relatório, a diretora da Voepass orientou que panes nos aviões da empresa fossem omitidas e só reportadas quando a aeronave retornasse à base principal da empresa em Ribeirão Preto (SP) .

    A orientação era passada em um grupo de WhatsApp que, entre outros, contava com Felício, com o gerente do CCO (Centro de Controle Operacional), Willian Agatz, com o diretor-técnico, Eric Consoli, e com o chefe do CCO, Raphael Limongi de Figueiredo.

    A existência desse grupo, segundo o documento da PF, consta em depoimento do despachante John Major Viana. Tanto ele quanto as quatro pessoas citadas estão entre os indiciados.

    Conforme a investigação da Polícia Federal, a tragédia foi resultado de uma sucessão de falhas operacionais e de manutenção , e não de um evento isolado.

    A investigação conclui que a aeronave foi despachada para uma rota com previsão de condições de formação de gelo. O modelo ATR 72-500 não é certificado para operar nessas condições e apresentava falhas conhecidas no sistema de degelo, o que deveria impedir seu despacho.

    ritos apontam ainda que a empresa mantinha uma cultura organizacional de omissão de registros de panes e de priorização da disponibilidade da frota em detrimento da segurança operacional. Segundo eles, isso permitiu que problemas recorrentes persistissem até culminarem na perda de controle da aeronave após o acúmulo de gelo nas superfícies aerodinâmicas.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/presidente-da-voepass-nao-sabia-de-falhas-antes-de-acidente-que-matou-62-pessoas-diz-defesa.shtml.

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    José Luiz Felício Filho, 43, diretor-presidente da Voepass; executivo está entre os indiciados pela Polícia Federal, após investigação de acidente que matou 62 pessoas em 2024 — Foto: UOL

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