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    PrEP injetável tem maior adesão e menor exposição ao HIV, mostra estudo da Fiocruz

    Participantes que usaram versão injetável ficaram protegidos 91% do tempo, contra 47% entre quem usou versão oral

    UOL
    25 de setembro de 2026 às 20:00
    PrEP injetável tem maior adesão e menor exposição ao HIV, mostra estudo da Fiocruz
    A imagem mostra uma embalagem de medicamento chamada Apretude, que contém cabotegravir. A caixa é predominantemente branca com detalhes em laranja, verde e roxo. Na parte frontal, estão impressas informações como a dosagem de 600 mg/3 mL, a — Foto: UOL

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    O cabotegravir , PrEP (profilaxia pré-exposição) injetável que deve ser disponibilizada no SUS (Sistema Único de Saúde ), oferece maior cobertura e menor incidência de HIV , segundo um estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) publicado nesta quinta-feira (24) na revista Lancet.

    Desenvolvido pela GSK/ViiV Healthcare, cabotegravir foi registrado pela Anvisa em 2023 - Divulgação · Divulgação
    Desenvolvido pela GSK/ViiV Healthcare, cabotegravir foi registrado pela Anvisa em 2023 - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O resultado indica que a PrEP injetável oferece maior tempo de proteção ao público-alvo por se tratar de uma medicação de maior duração, com aplicação a cada dois meses . A profilaxia oral, por sua vez, exige a ingestão diária de comprimidos, aumentando o risco de exposição por esquecimento.

    O estudo acompanhou 1.447 usuários do SUS e constatou que os participantes adeptos à PrEP injetável ficaram protegidos em 91% do acompanhamento, enquanto os que aderiram à PrEP oral tiveram 47% de proteção –percentual que, apesar de menor, ainda é maior do que se observa na rotina do sistema público, de 35%.

    A taxa de incidência de HIV entre os grupos também teve diferença significativa.

    Entenda como funcionam as máquinas de PrEP e PEP no metrô de São Paulo
    Entenda como funcionam as máquinas de PrEP e PEP no metrô de São Paulo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Imagine que mil pessoas foram acompanhadas durante um ano. Neste período, ocorreriam apenas duas novas infecções entre as que fizeram a profilaxia injetável. Na versão oral, ocorreriam cerca de nove. Já na rotina padrão do SUS, seriam 15 novos diagnósticos.

    O estudo foi conduzido em seis serviços do SUS, em Campinas , Florianópolis , Manaus , Rio de Janeiro , Salvador e São Paulo . Os locais foram selecionados para garantir a representatividade geográfica de todas as regiões do país, com foco em centros urbanos com alta prevalência de HIV. Os participantes foram observados entre outubro de 2023 e o mesmo mês de 2025.

    O resultado não diz que a PrEP injetável é, necessariamente, mais eficaz, conforme destaca a pesquisadora principal do estudo, Beatriz Grinsztejn, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz. Ele sugere ao sistema público que incorporar a versão injetável é um ganho na prevenção, e não a forma unânime de fazê-la.

    Vando Oliveira convive com a Aids há 28 anos
    Vando Oliveira convive com a Aids há 28 anos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O que sabemos é que empoderar o paciente é a forma mais eficaz de prevenir o HIV, porque ele vai saber qual é a melhor opção para sua dinâmica de vida, oral ou injetável", explica.

    Beatriz afirma que as duas prevenções são altamente eficazes, isto é, não existe comparação entre qual modelo é melhor. "O melhor vai ser o que a pessoa vai conseguir fazer, e não a que o profissional de saúde vai obrigá-la".

    A PrEP oral no SUS é feita com tenofovir disoproxil fumarato e emtricitabina, dois retrovirais combinados em um comprimido que deve ser tomado diariamente. Ocorre que algumas pessoas esquecem de tomar o remédio todos os dias, e ficam expostas.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Existe ainda quem não goste da versão oral pelo estigma acerca do uso de comprimidos. E, embora disponibilizada pelo SUS em 2017, a prevenção ainda não é acessível a todas as regiões do país.

    A injetável é realizada com um intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose, e dois meses a partir da segunda. Ao tomá-la, o usuário fica protegido durante os dois meses, mas deve voltar à unidade de saúde para a nova aplicação.

    Os participantes do estudo eram homens cisgêneros (nascidos com o sexo masculino que se identificam como homens), homens e mulheres transgênero , pessoas não binárias e queer, com idades entre 18 e 30 anos. O estudo tinha como requisito resultado negativo para o HIV e o não uso de PrEP até então.

    Beatriz destaca que a maioria dos participantes optou pela versão injetável —83%, ou 1.201 pessoas. A versão oral foi a escolha de 17%, 246 pessoas.

    "Muitas vezes o profissional de saúde vai olhar para a pessoa com viés, vai indicar algo que ele quer. Quando o tratamento é centrado no paciente, quando ele escolhe, tende a aderir melhor", explica.

    Mesmo quem optou pela PrEP oral aderiu melhor à prevenção do que se observou na rotina do SUS. Isso se deve ao fato de que eles puderam escolher, o que não ocorre atualmente nas unidades de saúde.

    "Um serviço abrangente de PrEP deve integrar as melhores opções disponíveis, aprimoradas por intervenções acessíveis que promovam a escolha, para reduzir significativamente novas infecções por HIV e melhorar os resultados em saúde pública", afirmam os pesquisadores no artigo.

    Um outro estudo produzido pelo grupo mostra a discrepância de acesso à PrEP no Brasil.

    "Em abril de 2026, 80% das 153.529 pessoas que utilizavam PrEP oral eram homens gays e outros homens cisgêneros que fazem sexo com homens, predominantemente brancos, com 30 anos ou mais e com alto nível de escolaridade. Esse perfil contrasta fortemente com o daqueles que adquirem HIV com maior frequência, visto que a incidência no país está aumentando entre jovens negros", diz a publicação.

    "Essa discrepância ressalta que muitas pessoas que poderiam se beneficiar da PrEP ainda estão sendo deixadas de lado, evidenciando lacunas críticas no acesso equitativo e nas ações de divulgação", destacam os pesquisadores.

    Entre os que optaram por tomar a versão injetável, 78% o fizeram porque relataram dificuldade para tomar o comprimido diariamente. Outros motivos também foram citados, como a crença de que as injeções são mais eficazes e preocupações com os efeitos colaterais dos comprimidos.

    Já os principais motivos para a escolha da PrEP oral foram a aversão às injeções (46%) e a crença de que é mais fácil lembrar de tomar o comprimido diariamente (34%).

    "A gente deve enfatizar que a maior parte das pessoas se dá muito bem com a PrEP oral, não se deve obrigá-las a aderir à injetável. Trata-se de uma alternativa para quem não consegue usar a oral de forma adequada; de ampliar a cobertura, não substituir", diz Beatriz.

    O Ministério da Saúde anunciou em julho um acordo de compra do cabotegravir. O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa majoritariamente controlada pela GSK.

    A Anvisa aprovou o cabotegravir em 2023, que passou a ser comercializado no mercado privado em agosto de 2025.

    Atualmente, a decisão sobre a incorporação está sob análise da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS). Ainda não existe uma previsão sobre quando deve ser disponibilizado.

    Em janeiro, a Anvisa aprovou outra versão injetável de profilaxia, com intervalo de aplicação ainda maior, de seis meses. Trata-se do lenacapavir, cujos valores ainda são desconhecidos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/prep-injetavel-tem-maior-adesao-e-menor-exposicao-ao-hiv-mostra-estudo-da-fiocruz.shtml.

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