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    Prefeitura de SP exonera de cargo de chefia servidora investigada em queda de prédio na Penha

    O prefeito de São Paulo , Ricardo Nunes ( MDB ), exonerou na tarde desta segunda-feira (21) a servidora investigada pelo desabamento de prédio em obras no distrito da Penha, na zona leste da cidade, no dia 12. Seis pessoas morreram. Leia mais (09/22/2026 - 16h23)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 19:23
    Prefeitura de SP exonera de cargo de chefia servidora investigada em queda de prédio na Penha
    Equipes de resgate em uniformes laranja buscam vítimas entre escombros de prédio desabado em área residencial. Caminhões de bombeiros e moradores observam na rua próxima. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O prefeito de São Paulo , Ricardo Nunes ( MDB ), exonerou na tarde desta segunda-feira (21) a servidora investigada pelo desabamento de prédio em obras no distrito da Penha, na zona leste da cidade, no dia 12. Seis pessoas morreram.

    Prédio em construção desabou na madrugada do dia 12 na Vila Granada, no distrito Penha, zona leste de São Paulo - Allison Sales - 12.set.2026/Folhapress · Allison Sales - 12.set.2026/Folhapress
    Prédio em construção desabou na madrugada do dia 12 na Vila Granada, no distrito Penha, zona leste de São Paulo - Allison Sales - 12.set.2026/Folhapress · Allison Sales - 12.set.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com a medida, Viviane Rodrigues de Palma, 54, deixa o cargo de chefia que ocupava na Subprefeitura da Penha, mas segue como servidora municipal.

    Como a Folha revelou, a arquiteta é investigada pela Prefeitura por enriquecimento ilícito e improbidade administrativa desde 2020. Ela foi suspensa disciplinarmente por 15 dias em 2022, mas depois retomou as atividades.

    Viviane ocupava o cargo de chefe de unidade 1, referente à Unidade Técnica de Aprovação de Projetos da subprefeitura. A exoneração foi retroativa, válida desde a data do afastamento provisório, em 14 de setembro.

    Desmoronamento após chuva intensa deixas mortos no bairro da Penha
    Desmoronamento após chuva intensa deixas mortos no bairro da Penha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em nota, a defesa da servidora afirmou que a exoneração não teve caráter punitivo e foi um ato administrativo. Ela já estava afastada da função preventivamente por até 120 dias.

    Também afirmou que a função de Viviane não envolvia a análise de alvarás desse tipo de obra, o que é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.

    "Não deve ser atribuída à servidora uma responsabilidade ou competência que não integrava suas atribuições funcionais", completou.

    Fotografias incluídas por servidora investigada em relatório emitido em fevereiro de 2024 - Reprodução · Reprodução
    Fotografias incluídas por servidora investigada em relatório emitido em fevereiro de 2024 - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Após ser ouvida pela polícia na semana passada, a arquiteta negou ter atestado a demolição do edifício . Ela afirma que confirmou a demolição de uma casa que existiu no local anos atrás.

    Como então coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da subprefeitura, Viviane havia atestado a derrubada de edificação no endereço do desabamento.

    O documento foi apresentado à Justiça pela New Home para encerrar uma ação demolitória movida pela prefeitura desde 2021.

    Trecho de relatório emitido pela servidora investigada, de fevereiro de 2024 - Reprodução · Reprodução
    Trecho de relatório emitido pela servidora investigada, de fevereiro de 2024 - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Concluímos que a demolição [...] foi efetuada em sua integralidade, dando lugar à execução de edificação nova em andamento", atestou a servidora em trecho do relatório, de fevereiro de 2024.

    À Justiça a prefeitura havia alegado que a obra colocava em risco a integridade física "daqueles que a utilizam", vizinhos e transeuntes. "Já que não há qualquer dado que ateste inequivocamente sua segurança", defendeu.

    O imóvel da New Home tinha histórico de diversas multas , parte delas por descumprimento de embargo — as quais nunca foram pagas , como mostrou a Folha.

    Prédio alto em construção com estrutura de blocos de concreto aparentes, localizado em rua inclinada. Fachada mostra aberturas para janelas e escada interna visível por janelas retangulares. Céu azul com poucas nuvens ao fundo.
    Prédio alto em construção com estrutura de blocos de concreto aparentes, localizado em rua inclinada. Fachada mostra aberturas para janelas e escada interna visível por janelas retangulares. Céu azul com poucas nuvens ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Viviane e três nomes ligados à construtora podem ser indiciados sob suspeita de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, de acordo com a polícia.

    Ronaldo dos Santos Vivaqua está preso. Ele é apontado pela investigação como sócio oculto da construtora. Estão foragidos o engenheiro responsável pela obra (e filho de Ronaldo), Cristiano Salgado Vivaqua, e a sócia-administradora, Isis de Freitas Rodrigues Brandão.

    Em nota na quarta-feira (16), a defesa de Ronaldo repudiou "informações descontextualizadas" divulgadas por autoridades. Disse que se manifestará após a conclusão do trabalho técnico e o acesso à íntegra da investigação.

    Documento textual com conclusão de vistoria técnica datada de 22/02/2024, assinada por Viviane Rodrigues de Palma, coordenadora de planejamento e desenvolvimento urbano. O texto informa que a obra está em fase final de construção estrutural
    Documento textual com conclusão de vistoria técnica datada de 22/02/2024, assinada por Viviane Rodrigues de Palma, coordenadora de planejamento e desenvolvimento urbano. O texto informa que a obra está em fase final de construção estrutural — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O inquérito apura "incompatibilidade patrimonial" da servidora. Em outubro de 2025, foi chamada a apresentar alegações e documentação.

    "Uma vez constatada a inconsistência patrimonial, cabe à indiciada provar a licitude tanto de seus bens quanto de suas movimentações financeiras, durante a instrução do inquérito administrativo. A mera alegação não a desincumbe do ônus da prova peculiar deste tipo de processo", dizia a convocação.

    Antes, em maio de 2025, Viviane havia sido convocada para apresentar esclarecimentos sobre "origens de recursos" e "valores sem justificativa".

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    À Folha a arquiteta informou ser servidora pública há 26 anos. Tem passagem por ao menos outras duas subprefeituras da zona leste: Itaquera e Aricanduva/Formosa/Carrão.

    Além de processos administrativos, ao menos duas representações foram abertas contra ela no Ministério Público em 2014 e em 2021, relativas à atuação nas subprefeituras de Itaquera e Penha. Uma foi indeferida; a outra, arquivada.

    Segundo o portal de transparência da prefeitura, Viviane tem remuneração mensal total bruta de R$ 23.963,60.

    Na semana passada, nota da defesa da arquiteta defendeu uma apuração completa e técnica, incluindo análise do histórico da obra, atos praticados por proprietários e responsável técnico, fiscalização, determinações administrativas e judiciais, condições estruturais do imóvel e demais fatores que podem ter contribuído para o desabamento.

    "É indispensável que a busca por respostas seja feita com rigor, mas também com justiça, sem transformar uma servidora que cumpria suas atribuições funcionais em responsável automática por uma tragédia cuja cadeia causal ainda está sendo investigada", apontou.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/prefeitura-de-sp-exonera-de-cargo-de-chefia-servidora-investigada-em-queda-de-predio-na-penha.shtml.

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