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    Prefeitos de 68 cidades renunciam para disputar eleição, e maioria tenta vaga em Assembleias

    Prefeitos eleitos em 68 cidades em 2024 renunciaram neste ano para disputar o pleito por novos cargos em 2026. Este é o maior número nos últimos 20 anos, segundo análise da Folha . Leia mais (08/31/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 07:00
    Prefeitos de 68 cidades renunciam para disputar eleição, e maioria tenta vaga em Assembleias
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Prefeitos eleitos em 68 cidades em 2024 renunciaram neste ano para disputar o pleito por novos cargos em 2026. Este é o maior número nos últimos 20 anos, segundo análise da Folha .

    Da esq. P/ dir.: os ex-prefeitos João Campos (PSB), do Recife; Eduardo Paes (PSD), do Rio de Janeiro; e JHC (PSDB), de Maceió; todos renunciaram para disputar o governo estadual - Gabriela Biló, Eduardo Anizelli e Cleia Viana/Folhapress e C
    Da esq. P/ dir.: os ex-prefeitos João Campos (PSB), do Recife; Eduardo Paes (PSD), do Rio de Janeiro; e JHC (PSDB), de Maceió; todos renunciaram para disputar o governo estadual - Gabriela Biló, Eduardo Anizelli e Cleia Viana/Folhapress e C — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A maioria (35) tenta uma cadeira nas Assembleias Legislativas de seus estados. Buscam o cargo de governador 16 ex-prefeitos que deixaram os cargos neste ano, sendo 10 deles de capitais . Outros 12 tentam uma vaga na Câmara dos Deputados . Há ainda postulantes ao Senado (2) e a vice-governador (3).

    O levantamento da Folha mostra que o número vem crescendo desde 2014, quando 16 ex-prefeitos eleitos dois anos antes disputaram as eleições gerais. Em 2022, foram 48 políticos que renunciaram.

    Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) foram atualizados às 16h30 de terça-feira (25).

    Veja fotos da sala de totalização de votos do TSE
    Veja fotos da sala de totalização de votos do TSE — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O cientista político Victor Escobar, pesquisador do Lappcom (Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada), da UFRJ e UFRRJ, afirma que a busca por novos cargos é evolução natural do progresso de carreiras políticas.

    Ele avalia que uma das hipóteses para a alta neste ano é o fato de a eleição de 2024 ter registrado também número recorde de reeleições . A maioria dos políticos que renunciaram (61 de 68 casos) estava em seu segundo mandato.

    Escobar afirma que a ascensão das emendas parlamentares pode ter ajudado a estimular essa trajetória, mas não é determinante.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Essa transição de prefeito para deputado estadual é a lógica natural das carreiras políticas. O prefeito mantendo um vice de confiança, ao se lançar e ganhar a eleição para deputado estadual ou federal, consegue utilizar mecanismos para fortalecer sua base política. As emendas entram nisso", afirma.

    O candidato que busca o Legislativo que deixou a cidade com mais eleitores é Wladimir Garotinho (PL), ex-prefeito de Campos (RJ). Ele busca uma vaga na Câmara dos Deputados.

    Filho do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao Palácio Guanabara, Wladimir afirma que seu objetivo é ampliar a representação da região do norte e noroeste fluminense no Congresso.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ele diz que essa representação não se resume apenas à obtenção de emendas parlamentares, mas na obtenção de recursos por outras vias.

    "O SUS repassa para alta e média complexidade de Campos R$ 22 milhões, R$ 23 milhões por mês. Mas a cidade é polo regional de atendimento, então deveria receber mais de R$ 40 milhões. Não é só emenda, mas aumentar o teto de repasse. [...] Como a conta não fecha, os prefeitos são obrigados a correr atrás de emenda para resolver, quando o certo é aumentar o teto. Para isso precisa de articulação e conhecimento", disse o ex-prefeito, que já foi deputado federal.

    Também é do Rio de Janeiro o ex-prefeito do município com mais eleitores que renunciou para buscar uma vaga na Assembleia Legislativa. Márcio Canella (União Brasil) deixou o cargo em Belford Roxo em seu primeiro mandato para tentar de novo o cargo de deputado estadual.

    Canella chegou a lançar pré-candidatura ao Senado, mas desistiu do plano após ser alvo de uma operação policial sob suspeita de lavagem de dinheiro por meio de postos de gasolina. Ele decidiu, então, tentar uma nova vaga na Alerj (a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), cargo para o qual foi o campeão de votos em 2022.

    O ex-deputado João Rodrigues (PSD) renunciou neste ano pela segunda vez ao mandato na Prefeitura de Chapecó, agora para concorrer a governador. Em 2010, ele deixou o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

    Ele afirma que as renúncias foram compreendidas por seu eleitorado e não afetaram as campanhas posteriores.

    "Todas as vezes que eu renunciei para disputar um cargo, sempre fui mais votado na cidade de origem. E agora eu saí com 90% de aprovação. Tenho quase 80% das intenções de voto na cidade de Chapecó", disse Rodrigues.

    A renúncia já gerou constrangimentos a ex-prefeitos que pretendiam alçar voos maiores.

    José Serra ( PSDB ) é um deles. Deixou o comando de São Paulo para disputar o governo estadual em 2006. A decisão foi tomada mesmo tendo assinado documento se comprometendo a concluir seu primeiro mandato no município durante a campanha de 2004.

    O ex-prefeito venceu e governou São Paulo por quatro anos. Em 2012, perdeu para Fernando Haddad ( PT ) ao tentar voltar ao Palácio do Anhangabaú.

    Neste ano, Eduardo Paes ( PSD ) deixou a Prefeitura do Rio de Janeiro para concorrer ao Palácio Guanabara após assegurar que concluiria seu quarto mandato. Ele não assinou nenhum documento em 2024, mas prometeu "pelo Vasco da Gama e pela Portela" que permaneceria no cargo.

    Escobar afirma que a trajetória política costuma ser compreendida pelo eleitorado.

    "O eleitor já se acostumou com esse movimento. Paes é alguém que vem do quarto mandato com uma política de total continuidade. Alguém que já foi candidato a governador e sempre manifestou esse desejo. O eleitor do Rio de Janeiro não parece estar chateado com essa decisão."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/prefeitos-de-68-cidades-renunciam-para-disputar-eleicao-e-maioria-tenta-vaga-em-assembleias.shtml.

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