Brasil

    Preço global dos alimentos sobe 1,9% em agosto, puxado por açúcar e cereais

    Índice da FAO atingiu 133,3 pontos, maior nível desde maio de 2024; açúcar teve a maior alta do mês, de 11,9%

    CNN Brasil
    4 de setembro de 2026 às 10:23
    Preço global dos alimentos sobe 1,9% em agosto, puxado por açúcar e cereais
    Foto: CNN Brasil

    O preço internacional dos alimentos voltou a subir em agosto, impulsionado principalmente pelo açúcar e pelos cereais . O índice de preços de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) atingiu 133,3 pontos, alta de 1,9% em relação a julho , segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4).

    Na comparação com agosto de 2025, o índice ficou 2,5% acima . Apesar da recuperação, os preços internacionais ainda estão 16,8% abaixo do pico registrado em março de 2022 , quando o mercado global de alimentos foi pressionado pelos efeitos da pandemia e, posteriormente, pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

    A alta de agosto foi disseminada entre as principais categorias acompanhadas pela FAO . O maior avanço veio do açúcar , cujo índice subiu 11,9% no mês , para 106,4 pontos, atingindo o maior nível desde junho de 2025.

    Cliente olha alimentos em um supermercado em São Paulo • 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS) · • 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS)
    Cliente olha alimentos em um supermercado em São Paulo • 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS) · • 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo a FAO, o movimento está relacionado ao aumento das preocupações com a oferta mundial na safra 2026/27. O clima quente e seco prejudicou as perspectivas para a produção de beterraba na União Europeia, enquanto os efeitos associados ao El Niño também afetaram as expectativas para importantes produtores asiáticos.

    O Brasil também aparece entre os fatores de pressão sobre o mercado. A FAO afirma que a redução da produção de açúcar na principal região produtora do país, o Centro-Sul, contribuiu para a perspectiva de uma oferta global mais apertada.

    Além disso, a decisão da Índia de permitir a importação de açúcar bruto sem tarifa também ajudou a sustentar as cotações internacionais.

    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos
    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O índice de preços de cereais da FAO avançou 2,2% em agosto , para 116,3 pontos, atingindo o maior nível desde maio de 2024.

    Os preços internacionais subiram para os principais grãos. O trigo teve alta de 2,6% no mês e estava 15% acima do nível registrado um ano antes .

    De acordo com a FAO, o mercado foi influenciado por problemas logísticos no Mar Negro, perspectivas de menor produção em algumas áreas da Europa devido ao calor e à seca e pela desvalorização do dólar, que torna as commodities negociadas na moeda americana mais competitivas para compradores de outros países.

    Farsul aponta que inflação de alimentos não vem do campo
    Farsul aponta que inflação de alimentos não vem do campo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O milho também subiu, com avanço de 2,5% em agosto. A FAO cita preocupações com a produtividade em áreas do chamado Corn Belt, nos Estados Unidos, além da piora das perspectivas de produção na União Europeia.

    A demanda dos setores de etanol e ração animal também ajudou a sustentar as cotações. Problemas nas exportações ucranianas e preocupações com o fornecimento de insumos após o fechamento do Estreito de Ormuz deram suporte adicional aos preços do milho.

    O sorgo subiu 3,9% , enquanto a cevada teve alta de 2,6% . Já o índice de preços do arroz avançou 0,5% .

    Preços globais dos alimentos sobem pelo terceiro mês consecutivo
    Preços globais dos alimentos sobem pelo terceiro mês consecutivo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O índice da FAO para óleos vegetais subiu 0,6% em agosto , para 196,9 pontos. Foi a terceira alta mensal consecutiva e levou o indicador ao maior nível desde junho de 2022.

    O movimento foi puxado principalmente pelos óleos de palma e de soja. No caso do óleo de soja, a FAO afirma que as cotações de origem sul-americana permaneceram firmes, apoiadas pela demanda externa.

    Já os preços internacionais do óleo de palma avançaram diante da forte demanda global e das preocupações com os efeitos que as condições climáticas associadas ao El Niño podem provocar sobre a produção no Sudeste Asiático.

    Preços globais dos alimentos sobem pelo terceiro mês consecutivo
    Preços globais dos alimentos sobem pelo terceiro mês consecutivo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O índice de preços das carnes subiu 1% em agosto , para 127,9 pontos, próximo do nível registrado um ano antes.

    A alta foi puxada pelas carnes de aves, suínos e ovinos, enquanto os preços internacionais da carne bovina recuaram. No caso das aves, a FAO destacou a recuperação dos preços de exportação do Brasil , diante da forte demanda internacional.

    Para a carne bovina, porém, o cenário foi diferente. A aproximação do limite da cota de importação da China para a carne brasileira reduziu o ritmo das exportações e aumentou a perspectiva de tarifas para volumes adicionais.

    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos
    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Austrália também já havia atingido os limites de suas cotas para China e Coreia do Sul. Com isso, a maior competição por outros mercados pressionou para baixo os preços internacionais da carne bovina.

    O índice de preços dos produtos lácteos avançou 2,3% em agosto , para 119,2 pontos, interrompendo uma sequência de três meses de queda. Os preços do leite em pó desnatado subiram 3% , enquanto os do leite em pó integral avançaram 2,4% . O queijo teve alta de 2,7% .

    A FAO atribui parte do movimento à menor disponibilidade de leite na União Europeia, em um cenário de temperaturas elevadas e clima seco em importantes regiões produtoras. Apesar da alta mensal, o índice de lácteos ainda estava 21,7% abaixo do nível registrado em agosto de 2025 .

    Farsul aponta que inflação de alimentos não vem do campo
    Farsul aponta que inflação de alimentos não vem do campo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/preco-global-dos-alimentos-sobe-19-em-agosto-puxado-por-acucar-e-cereais/.

    Imagem 1
    1 / 7

    Cliente olha alimentos em um supermercado em São Paulo • 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS) · • 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS) — Foto: CNN Brasil

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)