Preço de painéis solares cai e amplia geração de energia pelo mundo, mas analistas ponderam riscos
Nas áreas áridas de Chakwal, no centro-norte do Paquistão , a Bestway Cement -empresa do Paquistão focada na fabricação de cimento- está transformando terrenos secos e pomares de oliveiras e pessegueiros em uma floresta de painéis solares. Leia mais (10/01/2026 - 12h01)

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Londres, Carachi (Paquistão), Johanesburgo e Mumbai (Índia) | Financial Times Nas áreas áridas de Chakwal, no centro-norte do Paquistão , a Bestway Cement —empresa do Paquistão focada na fabricação de cimento— está transformando terrenos secos e pomares de oliveiras e pessegueiros em uma floresta de painéis solares.

A empresa pretende acrescentar 6,34 MW (megawatts) de capacidade de geração até o fim do ano, segundo a própria companhia, além dos 26 MW de células fotovoltaicas já instaladas. Atualmente, a energia solar responde por mais de um quarto da eletricidade que abastece sua fábrica de cimento.
"É a única maneira de conseguirmos competir", afirma Abdul Waheed, gerente-geral da unidade em Chakwal, que produz mais de 3 milhões de toneladas de cimento por ano. "Nossos concorrentes já seguiram nessa direção."
A Bestway e seus concorrentes estão entre os milhões de empresas e famílias em todo o mundo que instalaram painéis solares em telhados, quintais, jardins e outros terrenos, impulsionados por uma enxurrada de componentes baratos fabricados na China .

No fim de 2025, essa capacidade somava quase 1,2 TW (terawatts) em todo o mundo, segundo o Statistical Review of World Energy (Análise Estatística da Energia Mundial), do Energy Institute. Como a geração solar depende da disponibilidade de luz do sol e produz apenas uma fração de seu potencial teórico, esse volume equivale a cerca do triplo do tamanho da frota mundial de usinas nucleares.
A revolução solar viabilizada pelos painéis fotovoltaicos chineses baratos —e pelo avanço da geração individual de pequena escala— está transformando o setor de energia tanto em países em desenvolvimento quanto em economias industrializadas.
Milhões de pessoas em países mais pobres passaram a ter acesso mais confiável à eletricidade, muitas vezes por meio de iniciativas próprias, em vez de depender de grandes estruturas de infraestrutura.

Ao redor do mundo, consumidores também estão usando energia mais limpa e reduzindo suas contas em um momento em que o custo de vida é uma preocupação constante, especialmente devido às guerras no Irã e na Ucrânia.
Mas esse enorme e pouco controlável aumento da geração de energia também traz riscos. A infraestrutura elétrica mundial não foi projetada para a geração própria em larga escala, o que pode afetar investimentos, modelos de preços e até a segurança do abastecimento.
Em alguns países, o avanço da geração doméstica começa a prejudicar a economia da geração e da distribuição de eletricidade, justamente quando as empresas do setor precisam investir pesadamente na reestruturação das redes para permitir que a energia flua nos dois sentidos entre consumidores e sistema.

Na virada do milênio, os painéis solares custavam de US$ 5 (R$ 25,75) a US$ 6 (R$ 30,9) por watt de capacidade de geração. Hoje, são vendidos por cerca de US$ 0,12 (R$ 0,62) por watt, preço descrito como "barato até demais" por Dave Jones, cofundador do centro de estudos Ember.
A queda de preços é resultado inteiramente da explosão da capacidade de produção na China, que, segundo a consultoria Wood Mackenzie, chega a aproximadamente 1,36 terawatts, mesmo com Pequim tentando conter a produção para combater a deflação dos preços.
Painéis mais baratos permitiram uma ampla expansão da energia solar na própria China e ajudaram a transformar a tecnologia, antes subsidiada e usada principalmente em mercados interessados em reduzir emissões, em uma fonte essencial de eletricidade em locais onde a energia é escassa, cara ou pouco confiável.
Esse processo começou em países como Paquistão, Brasil e África do Sul e agora se espalhou para outras partes da África e para as Filipinas.
Com base em uma análise de dados alfandegários, o Ember estima que a África instalará cerca de 17 gigawatts de nova capacidade solar neste ano. A organização acredita que a maioria será formada por instalações de pequena escala em fábricas e outros negócios.
O Reino Unido e alguns estados americanos já aprovaram a venda dos painéis solares baratos do tipo "plug and play" ("ligar e usar"), amplamente disponíveis em outras partes da Europa. Alguns especialistas temem que esses equipamentos, que são simplesmente conectados à rede elétrica doméstica, introduzam ainda mais imprevisibilidade em uma tarefa já complexa: prever e administrar a demanda total por eletricidade.
O desafio ficou evidente no ano passado, quando um apagão de um dia atingiu grande parte da Espanha e de Portugal. O professor Janusz Bialek, especialista em sistemas elétricos do Colégio Imperial de Londres, afirmou em um artigo recente que a energia solar e outras fontes renováveis não causaram diretamente o apagão, mas a Espanha não conseguiu adaptar suficientemente seu sistema elétrico ao crescimento dessas fontes.
"A participação rapidamente crescente das fontes renováveis em muitos sistemas elétricos provoca uma mudança profunda na forma como esses sistemas funcionam, algo que ainda não compreendemos completamente", escreveu.
Josefin Berg, gerente de pesquisa de energia solar e armazenamento da S&P Global, afirma que o crescimento da energia solar está "transformando completamente o sistema, de uma estrutura centralizada para outra em que qualquer pessoa pode produzir energia".
"As redes de distribuição podem não estar preparadas para receber um grande fluxo de eletricidade [...] e, se houver cada vez mais energia solar e baterias reduzindo as vendas de eletricidade pela rede, quem vai pagar pelos custos da rede?", questiona.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/economia-sustentavel/2026/10/preco-de-paineis-solares-cai-e-amplia-geracao-de-energia-pelo-mundo-mas-analistas-ponderam-riscos.shtml.

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