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    Precisamos ter controle sobre negócios de terras raras, diz relator do PL dos minerais críticos na Câmara

    O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que foi relator na Câmara dos Deputados do projeto de lei que cria um marco legal sobre minerais críticos , defende que o Brasil tenha algum nível de controle governamental sobre operações envolvendo controle societário de empresas do setor. Leia mais (08/28/2026 - 13h21)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 16:21
    Precisamos ter controle sobre negócios de terras raras, diz relator do PL dos minerais críticos na Câmara
    Quatro pessoas, três homens e uma mulher, estão reunidas em conversa próxima. O homem ao centro, calvo e de terno escuro com gravata, parece falar enquanto os outros escutam atentamente. O ambiente sugere um local institucional ou formal. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que foi relator na Câmara dos Deputados do projeto de lei que cria um marco legal sobre minerais críticos , defende que o Brasil tenha algum nível de controle governamental sobre operações envolvendo controle societário de empresas do setor.

    O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ao centro, durante votação do projeto de lei dos minerais críticos na Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.mai.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.mai.26/Folhapress
    O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ao centro, durante votação do projeto de lei dos minerais críticos na Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.mai.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo ele, todos os países com relevância na mineração —como China, EUA, Austrália e Canadá— acompanham operações envolvendo terras raras e minerais estratégicos. Por isso, diz, é importante que o Brasil também tenha poder de homologar negócios na área.

    "Nenhum país do mundo está permitindo que operações em minerais estratégicos se façam sem o acompanhamento governamental", disse o deputado durante evento do Grupo Lide, em São Paulo, nesta sexta-feira (28).

    Segundo Jardim, esse acompanhamento não significa uma anuência prévia ou uma notificação oficial antes de as negociações começarem.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Mudanças societárias significam interesses de países, hegemonia. Nós vamos ter que ter um nível de acompanhamento sobre isso", afirmou.

    O poder estatal nesse setor e a criação de filtros a investimentos estrangeiros é uma das principais polêmicas envolvendo o projeto de lei. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, deve ser votado no Senado na semana que vem.

    Como mostrou a Folha , o presidente Lula (PT) pediu pressa ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na votação após o governo verificar a corrida de estrangeiros em quatro projetos de terras raras no Brasil.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O governo não abre mão da criação de um conselho, vinculado à Presidência da República, para homologar o controle de estrangeiros sobre empresas que exploram esses minerais e também suas atividades.

    O chamado Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos ficaria responsável pela coordenação da política de terras raras no país.

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    Na avaliação de investidores e mineradoras —principalmente as estrangeiras— esse é um tema que gera insegurança para um setor no qual o Brasil tem grande potencial de prosperar.

    O evento do Grupo Lide também teve participação do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, que comentou sobre o PL dos minerais críticos. Na avaliação dele, o projeto é um avanço positivo para o país, principalmente por direcionar um olhar focado na aceleração de grandes projetos.

    No entanto, o executivo destacou que o sucesso real dependerá de como será desenhada a sua regulamentação final.

    Questionado por jornalistas sobre a criação de um conselho fiscalizador, Pimenta demonstrou receio de que novas estruturas burocráticas tirem o dinamismo do setor.

    O CEO ainda ressaltou a necessidade de assegurar que os processos de aprovação —como os de transferência societária— não resultem em perda de celeridade no desenvolvimento dos empreendimentos

    "Estamos trabalhando e acompanhando de perto, para que a gente possa seguir refinando o decreto e toda a parte de instrução normativa", afirmou.

    Para Katia Abreu, ex-senadora e ex-ministra da Agricultura, o atual debate global sobre minerais críticos está contaminado por um protecionismo excessivo. Na visão dela, que hoje é conselheira da Sigma Lithium, a soberania é importante, mas não pode se transformar em um entrave para os negócios.

    "Quase 90% da mineração no Brasil é financiada por estrangeiros. Nós não temos condições de investimento total no país. Isso é uma coisa muito séria, com relação à calibragem dessa questão de soberania", afirmou.

    Avaliação semelhante foi feita por Renato Gonzaga, CEO da Borborema, subsidiária brasileira da mineradora australiana Brazilian Rare Earths. A empresa é uma dos grupos com projetos de terras raras no Brasil.

    "Soberania é uma palavra muito bonita, mas como que a gente constrói isso quando a gente não domina sequer elos individuais da cadeia e muito menos uma cadeia integrada?", questionou durante entrevista a jornalistas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/precisamos-ter-controle-sobre-negocios-de-terras-raras-diz-relator-do-pl-dos-minerais-criticos-na-camara.shtml.

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    O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ao centro, durante votação do projeto de lei dos minerais críticos na Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.mai.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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