'Precisamos de muito mais do que dinheiro', afirma María Corina após acordo de Caracas com Washington
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz , María Corina Machado , afirmou nesta quinta-feira (3) que a Venezuela "precisa de muito mais do que dinheiro", após o acordo petrolífero sem precedentes firmado entre os Estados Unidos e o regime interino de Delcy Rodríguez . Leia mais (09/03/2026 - 13h59)

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A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz , María Corina Machado , afirmou nesta quinta-feira (3) que a Venezuela "precisa de muito mais do que dinheiro", após o acordo petrolífero sem precedentes firmado entre os Estados Unidos e o regime interino de Delcy Rodríguez .

Em um vídeo gravado no exílio e publicado no X , María Corina disse que "o setor petrolífero é apenas uma parte da imensa reconstrução" da Venezuela, que "exige investimentos colossais".
"Em um país com as dimensões e a fragilidade institucional da Venezuela, nenhum setor poderá funcionar de forma isolada", afirmou Machado, que deixou Caracas de forma clandestina em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz e que, atualmente, vive no Panamá .
O presidente dos EUA, Donald Trump , anunciou na semana passada a assinatura de um acordo histórico com Caracas, que concede a seu país 20% das gigantescas reservas de petróleo venezuelanas.

O acordo dá à Casa Branca o controle de 65 bilhões de barris de petróleo bruto em 17 campos localizados em diferentes regiões do país.
"Tudo isso confere à Venezuela um valor estratégico extraordinário, tanto para a segurança nacional dos EUA quanto para a estabilidade do hemisfério. Mas o patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano", disse María Corina.
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Após a assinatura de acordos com multinacionais petrolíferas como Chevron e Eni, na quarta-feira (2), em Caracas, Trump e Delcy concordaram que o país não está pronto para realizar eleições .
A mensagem da líder opositora foi divulgada oito meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro , em uma operação militar americana .
María Corina defendeu a aliança com Washington, mas afirmou que o país deve trabalhar "sob os princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência".

Isso, ressaltou, "só é possível com a legitimidade e a estabilidade oferecidas por um governo sério e democrático".
A oposição e observadores independentes afirmam que houve fraude eleitoral de Maduro nas últimas eleições presidenciais , em 2024, e reivindicam a vitória de Edmundo González, candidato apoiado por María Corina . A líder opositora foi inabilitada politicamente e não pôde concorrer naquela ocasião.
Em agosto, teve início um diálogo político entre o regime chavista e parte da oposição com vistas a uma transição democrática, mas María Corina não foi convidada.
A líder promete voltar à Venezuela , mas especialistas afirmam que Washington não vê seu retorno com bons olhos.
"Sei o que vocês estão sentindo: tristeza, raiva e esse mal-estar tão recorrente em nossa história, provocado pelo fato de alguém decidir sobre o que é nosso, em nosso nome, sem nos levar em conta", afirmou María Corina em sua mensagem, ao destacar a "profunda preocupação com as implicações que isso tem" para o futuro da Venezuela.
A Venezuela possui as maiores reservas certificadas de hidrocarbonetos do mundo, com mais de 300 bilhões de barris. Sua produção, porém, continua muito limitada após décadas de investimentos insuficientes, sanções e corrupção .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/precisamos-de-muito-mais-do-que-dinheiro-afirma-maria-corina-apos-acordo-de-caracas-com-washington.shtml.

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, discursa durante uma conferência no Texas - Ronaldo Schemidt - 24.mar.26 /AFP · Ronaldo Schemidt - 24.mar.26 /AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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