Pragmatismo é melhor resposta ao tarifaço de Trump
No final de julho, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) acionou a Organização Mundial do Comércio ( OMC ) para contestar a decisão da Casa Branca de aumentar as tarifas americanas de importação sobre produtos brasileiros. Leia mais (08/16/2026 - 22h00)

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No final de julho, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) acionou a Organização Mundial do Comércio ( OMC ) para contestar a decisão da Casa Branca de aumentar as tarifas americanas de importação sobre produtos brasileiros.
Caso a OMC estivesse em pleno funcionamento, a conclusão de um processo dessa espécie levaria mais de meia década. Como na prática está paralisada, o protesto brasileiro é protocolo simbólico que expressa a adesão do país a um fragilizado sistema de normas multilaterais.
Tal atitude do Planalto não causa prejuízos ao país. O risco político da confrontação é, nesse caso, quase nenhum. Mas pode não ser assim com a ameaça de retaliação baseada na Lei de Reciprocidade Econômica , anunciada na última quinta-feira (13).

A norma regula aumentos de tarifas, suspensão de acordos internacionais e cancelamento de direitos de propriedade intelectual. Por ora, o recurso está na fase de consulta diplomática.
É possível que seja somente um gesto com o objetivo de incentivar empresas americanas ameaçadas a pressionar o governo de Donald Trump . Trata-se, contudo, de atitude de efetividade duvidosa e mais arriscada do que continuar a fazer pressão nos bastidores da diplomacia.
Ademais, é uma manifestação político-eleitoral, pois soberania se tornou um mote de Lula.

Levada ao extremo, a medida prejudicará empresas brasileiras que importam insumos essenciais e talvez encareça produtos. Conjugada ou não a sanções de direito de propriedade intelectual, pode suscitar novas restrições a empresas e às finanças do país.
"Nós entramos com a lei da reciprocidade para mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos", disse o mandatário petista na sexta (14). A reação é justificada, mas seu mérito dependerá dos resultados. Eficácia é a questão.
O Brasil representa fatia pequena das exportações americanas, cerca de 2,3% do valor total. Só México (16,6%) e Canadá (14,4%) se destacam como destinos de vendas dos EUA e, mesmo assim, são atacados por Trump.
Além disso, não exportamos bens essenciais para a economia americana, como a China . Produtos nacionais de maior interesse, que podem afetar a inflação percebida pelo consumidor, foram poupados. O jogo de forças é, assim, pouco favorável.
No curto prazo, o protesto político necessário deve ser limitado à obtenção de isenções tarifárias. É tarefa difícil, pois a guerra comercial de Trump é um meio para alcançar seu objetivo de submeter nações e interferir em governos e disputas eleitorais, em especial na América Latina.
No longo prazo, o país precisa expandir alianças políticas e comerciais, diversificar seus mercados e criar condições para que empresas tenham maior capacidade exportadora, o que depende de extensas reformas econômicas. Pragmatismo deve ser o único mote da reação brasileira.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/pragmatismo-e-melhor-resposta-ao-tarifaco-de-trump.shtml.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, em evento no Palácio Itamaraty - Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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