Brasil

    Pragmatismo é melhor resposta ao tarifaço de Trump

    No final de julho, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) acionou a Organização Mundial do Comércio ( OMC ) para contestar a decisão da Casa Branca de aumentar as tarifas americanas de importação sobre produtos brasileiros. Leia mais (08/16/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 01:00
    Pragmatismo é melhor resposta ao tarifaço de Trump
    Dois homens sentados à mesa em conferência, um deles com mão no queixo e o outro falando. Ao fundo, bandeiras da ONU, Brasil e Haiti visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, em evento no Palácio Itamaraty - Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress
    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, em evento no Palácio Itamaraty - Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No final de julho, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) acionou a Organização Mundial do Comércio ( OMC ) para contestar a decisão da Casa Branca de aumentar as tarifas americanas de importação sobre produtos brasileiros.

    Caso a OMC estivesse em pleno funcionamento, a conclusão de um processo dessa espécie levaria mais de meia década. Como na prática está paralisada, o protesto brasileiro é protocolo simbólico que expressa a adesão do país a um fragilizado sistema de normas multilaterais.

    Tal atitude do Planalto não causa prejuízos ao país. O risco político da confrontação é, nesse caso, quase nenhum. Mas pode não ser assim com a ameaça de retaliação baseada na Lei de Reciprocidade Econômica , anunciada na última quinta-feira (13).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A norma regula aumentos de tarifas, suspensão de acordos internacionais e cancelamento de direitos de propriedade intelectual. Por ora, o recurso está na fase de consulta diplomática.

    É possível que seja somente um gesto com o objetivo de incentivar empresas americanas ameaçadas a pressionar o governo de Donald Trump . Trata-se, contudo, de atitude de efetividade duvidosa e mais arriscada do que continuar a fazer pressão nos bastidores da diplomacia.

    Ademais, é uma manifestação político-eleitoral, pois soberania se tornou um mote de Lula.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Levada ao extremo, a medida prejudicará empresas brasileiras que importam insumos essenciais e talvez encareça produtos. Conjugada ou não a sanções de direito de propriedade intelectual, pode suscitar novas restrições a empresas e às finanças do país.

    "Nós entramos com a lei da reciprocidade para mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos", disse o mandatário petista na sexta (14). A reação é justificada, mas seu mérito dependerá dos resultados. Eficácia é a questão.

    O Brasil representa fatia pequena das exportações americanas, cerca de 2,3% do valor total. Só México (16,6%) e Canadá (14,4%) se destacam como destinos de vendas dos EUA e, mesmo assim, são atacados por Trump.

    Além disso, não exportamos bens essenciais para a economia americana, como a China . Produtos nacionais de maior interesse, que podem afetar a inflação percebida pelo consumidor, foram poupados. O jogo de forças é, assim, pouco favorável.

    No curto prazo, o protesto político necessário deve ser limitado à obtenção de isenções tarifárias. É tarefa difícil, pois a guerra comercial de Trump é um meio para alcançar seu objetivo de submeter nações e interferir em governos e disputas eleitorais, em especial na América Latina.

    No longo prazo, o país precisa expandir alianças políticas e comerciais, diversificar seus mercados e criar condições para que empresas tenham maior capacidade exportadora, o que depende de extensas reformas econômicas. Pragmatismo deve ser o único mote da reação brasileira.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/pragmatismo-e-melhor-resposta-ao-tarifaco-de-trump.shtml.

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, em evento no Palácio Itamaraty - Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 4.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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