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    Povos indígenas reforçam defesa da amazônia com ativismo, vigilância e até música

    Contra todo o tipo de ameaça, indígenas empregam diferentes instrumentos de proteção em seus territórios. Articulação jurídica e incidência internacional são algumas delas. Mas também se valem de ativismo, equipes de vigilância, navegações em comboio e até de música. Leia mais (09/05/2026 - 05h00)

    Folha de S.Paulo
    5 de setembro de 2026 às 08:00
    Povos indígenas reforçam defesa da amazônia com ativismo, vigilância e até música
    Homem indígena vestido com túnica amarela, colares coloridos e cocar com penas, fala em palco iluminado por luzes alaranjadas. Fundo de parede de pedra e plantas decorativas ao lado direito. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Contra todo o tipo de ameaça, indígenas empregam diferentes instrumentos de proteção em seus territórios. Articulação jurídica e incidência internacional são algumas delas. Mas também se valem de ativismo, equipes de vigilância, navegações em comboio e até de música.

    Alexis Grefa é dirigente de Assuntos Internacionais do povo Kichwa de Pastaza, no Equador - Diego Aguilar/Divulgação · Diego Aguilar/Divulgação
    Alexis Grefa é dirigente de Assuntos Internacionais do povo Kichwa de Pastaza, no Equador - Diego Aguilar/Divulgação · Diego Aguilar/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É o que mostraram lideranças de diferentes povos no TEDxAmazônia, realizado no Equador na última semana.

    "Durante muito tempo pensei que defender a amazônia significava somente resistir", diz Alexis Grefa, dirigente de Assuntos Internacionais da etnia quíchua (kichwa) de Pastaza.

    "Mas a amazônia não precisa de heróis. Precisamos negociar, criar propostas e ocupar cargos nas decisões sobre o futuro do planeta", completa ele. O equatoriano integrou no ano passado uma flotilha até a COP30 , em Belém (PA), com representantes de 60 organizações indígenas que exigiam transição energética justa.

    Flotilha Yaku Mama reúne indígenas de países da amazônia rumo à COP30
    Flotilha Yaku Mama reúne indígenas de países da amazônia rumo à COP30 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Resistência é a maneira como Davixon Payaguaje aprendeu a proteger seu povo, hoje composto por 800 pessoas que vivem em Sucumbíos, região entre o Equador e a Colômbia.

    "Nossa nacionalidade está em perigo de extinção", diz o coordenador da Guarda Indígena Siekopai, que lidera patrulhamentos territoriais para identificar invasões, desmatamento e outras ameaças.

    Antigamente, conta ele, seus antepassados protegiam a comunidade por meio da ingestão de yagé [ayahuasca], tradição ancestral que reafirma seu vínculo espiritual, cultural e histórico com a terra.

    Davixon Payaguaje é coordenador da Guarda Indígena Siekopai e vive entre o Equador e a Colômbia - Diego Aguilar/Divulgação · Diego Aguilar/Divulgação
    Davixon Payaguaje é coordenador da Guarda Indígena Siekopai e vive entre o Equador e a Colômbia - Diego Aguilar/Divulgação · Diego Aguilar/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Transformavam-se em onça, em jiboia ou qualquer espírito para cuidar do território. Infelizmente, isso se perdeu. Hoje protegemos fisicamente o território, fazendo monitoramentos e percorrendo-o com os guardas", diz Davixon.

    Estratégia diferente adota Rukka Sombolinggi, secretária-geral da Aman (Aliança dos Povos Indígenas do Arquipélago da Indonésia). O país asiático concentra uma das maiores populações indígenas do mundo, estimada em pelo menos 50 milhões de pessoas —no Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são 1,7 milhões .

    A ativista argumenta que, apesar de a constituição indonésia reconhecer os povos tradicionais, faltam mecanismos legais e financiamento para proteger seus territórios.

    O DJ brasileiro Eric Terena entre lideranças indígenas em sessão do TEDxAmazônia, no Equador - Diego Aguilar/Divulgação · Diego Aguilar/Divulgação
    O DJ brasileiro Eric Terena entre lideranças indígenas em sessão do TEDxAmazônia, no Equador - Diego Aguilar/Divulgação · Diego Aguilar/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Estamos sempre lutando contra os mesmos inimigos, contra as mesmas empresas em diferentes lugares."

    As ameaças incluem mineração, desmatamento, grilagem de terras, avanço do agronegócio, extração ilegal de madeira, entre outras. Parte da resposta à crise climática, avalia Rukka, estaria na proteção desses povos, mas o financiamento para esse trabalho não chega na ponta.

    "A maior parte do dinheiro fica nos escritórios que trabalham com povos indígenas. E, enquanto isso, nossos líderes são assassinados por proteger a natureza."

    Homem com óculos e microfone de cabeça fala em evento TEDx, vestindo camiseta branca com estampa preta. Fundo de parede de pedra iluminada em laranja e amarelo, com logo vermelho do TEDx à direita e plantas ao redor.
    Homem com óculos e microfone de cabeça fala em evento TEDx, vestindo camiseta branca com estampa preta. Fundo de parede de pedra iluminada em laranja e amarelo, com logo vermelho do TEDx à direita e plantas ao redor. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Equador, a proteção à natureza ganhou status de lei em 2008, com o reconhecimento dos direitos da natureza. Luta encabeçada por Patricia Gualinga , defensora histórica dos direitos humanos e da natureza diante do extrativismo petrolífero no território Sarayaku.

    A líder do povo quíchua afirma que, para se fortalecerem, os povos precisam de governos territoriais indígenas, o que não significa "um Estado dentro de outro Estado".

    "É uma autogovernança para que possam reivindicar títulos de propriedade, exigir direitos, impedir a aplicação do marco temporal e exigir que a contaminação não fique impune", diz Gualinga, que vê avanços na interlocução desses povos no Brasil.

    Homem indígena com cocar colorido e microfone de cabeça participa de roda de conversa com outras pessoas, em ambiente interno com iluminação colorida.
    Homem indígena com cocar colorido e microfone de cabeça participa de roda de conversa com outras pessoas, em ambiente interno com iluminação colorida. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Há 20 anos, quando viajei ao Brasil e dizia que era indígena, pessoas me olhavam como se eu fosse estranha, um símbolo folclórico, porque não conheciam os povos da amazônia. Agora há ministros e parlamentares indígenas", afirma ela.

    O território Sarayaku foi inspiração para uma das músicas do DJ brasileiro Eric Terena, que fez uma apresentação no TEDxAmazônia.

    "Toco essa música em vários países e as pessoas não entendem, mas repetem a letra, que fala dos petroleiros invadindo, da mineração chegando e que é preciso proteger o território. Esse é o modo da música curar", diz ele.

    JBS
    JBS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E faz um contraponto com o som de máquinas mineradoras na floresta: "É um massacre acústico. Um som invasor que ensurdece e prejudica nossa relação com a natureza."

    Ao reunir lideranças indígenas, cientistas, empreendedores e artistas de diferentes países amazônicos, a proposta do TEDxAmazônia, organizado em parceria com o TEDxQuito, foi a de mostrar conexões entre os Andes e a Amazônia, com soluções para a defesa dos territórios.

    "Indígenas são fundamentais para a biodiversidade global e estão na linha de frente sofrendo ameaças por defenderem a floresta", diz Rodrigo V. Cunha, organizador licenciado do TEDxAmazônia. "E não basta falar de um só país quando o que está em risco é o futuro do clima no planeta."

    Liberta
    Liberta — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A repórter viajou ao Equador a convite do TEDxAmazônia.

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    Logotipo da Ashoka, parceira do Prêmio Empreendedor Social. (Foto : Divulgação ) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    Logo da Fundação Dom Cabral - (Foto: Divulgação) DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    logo da SBSA Advogados, parceiro do Empreendedor Social 2021( Foto: Divulgação ) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    Logo da Trevisan Escola de Negócios( Foto: Divulgação ) DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    Empreendedor Social - Logo de 30 anos do UOL - (Foto: Reprodução) DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folha-social-mais/2026/09/povos-indigenas-reforcam-defesa-da-amazonia-com-ativismo-vigilancia-e-ate-musica.shtml.

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