Brasil

    Posição de Milei em relação a Lula é minoritária na Argentina, diz deputado que lidera delegação a Brasília

    Nicolás Massot embarca rumo ao Brasil junto a outros nove deputados nesta terça (1º), em meio a crise entre países

    UOL
    1 de setembro de 2026 às 03:00
    Posição de Milei em relação a Lula é minoritária na Argentina, diz deputado que lidera delegação a Brasília
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    As falas que o presidente da Argentina , Javier Milei , endereçou a Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) no último mês são rejeitadas pela maioria do mundo político, afirma Nicolás Massot, deputado pela província de Buenos Aires . Para demonstrar isso, ele lidera uma delegação pluripartidária que embarca rumo a Brasília nesta terça-feira (1º) para reuniões com autoridades brasileiras.

    O deputado argentino Nicolás Massot no Congresso, em Buenos Aires - Gustavo Molfino Giannetti - 13.jun.2018/Câmara dos Deputados da Argentina · Gustavo Molfino Giannetti - 13.jun.2018/Câmara dos Deputados da Argentina
    O deputado argentino Nicolás Massot no Congresso, em Buenos Aires - Gustavo Molfino Giannetti - 13.jun.2018/Câmara dos Deputados da Argentina · Gustavo Molfino Giannetti - 13.jun.2018/Câmara dos Deputados da Argentina — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os compromissos devem se concentrar na quarta (2), quando o grupo tem previsto um encontro com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Palácio do Planalto, e uma reunião com senadores, incluindo Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa. A agenda, diz Massot, envolve também uma reunião no Itamaraty que, segundo uma funcionária da pasta, ainda precisar ser confirmada.

    "Iremos a Brasília para deixar bem claro que uma grande maioria da representação política da Argentina discorda totalmente dessa situação e repudia as declarações de Milei", afirmou Massot à Folha de seu escritório em Buenos Aires. "Buscamos, com esta visita, um desagravo ao povo e ao governo brasileiro e uma ratificação do caráter estratégico e transcendental que a relação com o Brasil tem para a grande maioria dos argentinos."

    Massot, que tem participado dos esforços para construir uma alternativa à direita de Milei e à esquerda de Cristina Kirchner nas eleições presidenciais na Argentina no ano que vem, vai levar a Brasília um grupo de dez parlamentares de diferentes correntes ideológicas, principalmente de centro e de esquerda.

    Javier Milei e a motosserra
    Javier Milei e a motosserra — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Membro do Grupo Parlamentar de Amizade com o Brasil e ex-integrante da Comissão de Relações Exteriores do Congresso argentino, o político foi um crítico de primeira hora dos ataques do presidente argentino a Lula durante o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro ( PL ), no final de julho.

    Na ocasião, o ultraliberal chamou o homólogo de ladrão, presidiário e "lixo socialista", além de classificar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo careca". As falas desencadearam uma crise entre os dois países sem precedentes nos últimos 40 anos .

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    Esses ataques iniciais levaram à convocação do embaixador da Argentina no Brasil , Daniel Raimondi, e do representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Os que se estenderam pelas semanas seguintes fizeram o governo Lula dispensar Raimondi e manter Bitelli no Brasil , rebaixando de forma inédita as relações com o país vizinho.

    Tentar restabelecer os embaixadores em suas respectivas posições seria "o mais urgente e o mais importante" agora, afirma Massot. Na prática, porém, é improvável que o retorno à normalidade ocorra antes das eleições de outubro.

    Após a crise, Milei diminuiu consideravelmente suas atividades políticas e ficou 24 dias sem ir à Casa Rosada —o que colaborou para que as agressões cessassem. Há dez dias, porém, o presidente argentino voltou a falar sobre Lula durante uma entrevista à rádio Mitre a respeito de seu ex-assessor, Fernando Cerimedo, preso por supostamente ter planejado a tentativa de assassinato da companheira .

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Essa pessoa [Cerimedo] não faz parte do nosso grupo e não tem nenhuma ligação conosco. Rompemos relações com ela em 2023. Não vamos descartar a possibilidade de que por trás disso esteja toda a quadrilha de Pagano, Bindi, Evo Morales , Castro-Chavismo, Lula [da Silva]", afirmou ele, antes de acusar o governo brasileiro de "interferir nos processos eleitorais em toda a região" e repetir, sem provas, que o Brasil estaria por trás de uma "campanha anti-Argentina".

    Para Massot, a crise significa perda de oportunidades.

    "Há um contexto internacional de preços muito favoráveis para o agronegócio", afirma, sobre a possibilidade de acordos comerciais para o Mercosul . "Infelizmente, essa situação diplomática anormal, esse conflito autoinfligido por Milei, acaba adiando as coisas. A verdade é que a Argentina e o Brasil deveriam estar coordenando muito mais ações para a projeção do comércio internacional hoje em dia."

    O trabalho do Congresso em relação ao Brasil, segundo ele, está parado por falta de uma "visão estratégica comum". "Pensemos na situação contrária: todo o impacto positivo que seria gerado por um esforço para superar as diferenças ideológicas que possam existir, e que são bem-vindas, tendo em vista a importância que os dois países têm um para o outro", afirma.

    Nessa falta de coordenação, segundo ele, quem sai perdendo é principalmente a Argentina. "Por mais difícil que seja aceitar, é verdade: trata-se de uma relação que se desequilibrou ao longo do tempo devido a fatores demográficos e econômicos, e hoje o peso regional do Brasil é muito maior que o da Argentina", afirma ele.

    "Se o presidente argentino tiver que fazer algum esforço para ter um relacionamento melhor e mais frutífero com alguém que pensa diferente dele, o primeiro que ele teria que escolher é o presidente do Brasil", completa.

    Os ataques, além de tudo, seriam gratuitos no seu ponto de vista, já que há ao menos dois episódios em que toda a Argentina deveria estar "agradecida ao Estado do Brasil".

    O primeiro seria o da crise energética do início de 2024, quando Buenos Aires recorreu ao gás da Petrobras para suprir a alta demanda pela commodity devido às temperaturas mais baixas do que o usual. O segundo, quando o Brasil assumiu a representação diplomática da embaixada da Argentina em Caracas diante de ameaças da ditadura da Venezuela de expulsar a equipe diplomática de Milei no país.

    "Não há mais espaço para continuarmos com isso, independentemente de quem vencer no Brasil", diz o deputado argentino sobre o pleito de outubro.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/posicao-de-milei-em-relacao-a-lula-e-minoritaria-na-argentina-diz-deputado-que-lidera-delegacao-a-brasilia.shtml.

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    O deputado argentino Nicolás Massot no Congresso, em Buenos Aires - Gustavo Molfino Giannetti - 13.jun.2018/Câmara dos Deputados da Argentina · Gustavo Molfino Giannetti - 13.jun.2018/Câmara dos Deputados da Argentina — Foto: UOL

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