Política

    Pós-eleições é momento ideal para reforma elétrica, dizem especialistas

    Estudo alerta para crise iminente no setor e avalia que janela de transição política deve ser usada para aprovar mudanças estruturais

    Poder360
    18 de agosto de 2026 às 15:36
    Pós-eleições é momento ideal para reforma elétrica, dizem especialistas
    Pós-eleições é momento ideal para reforma elétrica, dizem especialistas — Foto: Poder360

    Estudo alerta para crise iminente no setor e avalia que janela de transição política deve ser usada para aprovar mudanças estruturais

    O período de transição política, logo depois das eleições, representa a melhor janela de oportunidade para que o Congresso Nacional e o Executivo aprovem uma reforma estrutural no setor elétrico . A avaliação é de especialistas e ex-diretores de agências reguladoras que assinam o estudo “Setor Elétrico – Uma proposta de modelo eficiente, flexível e sustentável” , lançado nesta 3ª feira (18.ago.2026) pelo Instituto Pensar Energia . Eis a íntegra (PDF – 6,1 MB).

    Segundo os especialistas, o sistema caminha para uma crise iminente, que pode se manifestar tanto na insustentabilidade financeira das tarifas quanto em falhas no fornecimento de energia. Para eles, o período de transição no fim do ano é quando os governos têm força e alinhamento político para pautar o tema antes que o colapso ocorra.

    Para os especialistas, o sistema caminha para uma crise iminente
    Para os especialistas, o sistema caminha para uma crise iminente — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    “O momento inicial é o melhor momento. Então, é quando você tem força política, você tem um alinhamento […]. Você tem uma boa vontade inicial com o Congresso que tem que ser aproveitada” , explicou Marcelo Guaranys, ex-secretário-executivo do Ministério da Economia e ex-presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

    O engenheiro e ex-diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Jerson Kelman, afirmou que as distorções atuais inevitavelmente resultarão em um momento de ruptura. O objetivo do documento, segundo ele, é dar embasamento técnico para quando o problema acontecer. “Eu acho que nós vamos ter uma crise […]. Quando a crise acontecer, não estaremos de calças curtas, sabemos o que fazer” , disse.

    O estudo propõe um modelo pautado em alguns pilares para devolver eficiência ao sistema. O foco principal é resgatar a governança técnica, de modo a diminuir a interferência política no planejamento e na Aneel. Além disso, o texto defende o realinhamento dos preços aos custos reais de operação e o controle da escalada de subsídios.

    O economista e ex-diretor da Aneel, Edvaldo Santana, destacou que o excesso de intervenções políticas e o crescimento desordenado da geração distribuída, como os painéis solares em telhados, já afetam a segurança física do sistema.

    Ele citou que, em momentos de menor consumo, a geração distribuída chega a representar quase 65% de toda a demanda das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

    “O ONS [Operador Nacional do Sistema Elétrico], num dia útil, está tendo pouca margem de manobra para interferir, caso aconteça alguma coisa […]. A chance de um apagão, de uma perturbação grave, é iminente, a coisa pode acontecer a qualquer instante” , alertou Santana.

    O economista também criticou as leis e pressões do Legislativo que obrigam o acionamento de usinas termelétricas inflexíveis, atropelando critérios técnicos. “Não faz sentido […] construir termelétrica a gás num lugar que não tem gás, que não tem linha de transmissão, sem que isso tenha sido uma decisão de planejamento” , declarou.

    Apesar dos problemas operacionais, os autores destacam que o Brasil está em uma posição global privilegiada. Diferentemente de países europeus, em que a transição energética tende a encarecer os produtos, o chamado green premium , o Brasil tem condições de usar sua matriz limpa como atrativo econômico.

    “Nós temos que aproveitar essa oportunidade de ter energia renovável como uma alavanca para desenvolvimento, não é um fim em si próprio” , disse Kelman. Ele ressaltou, porém, que as novas cargas industriais, como data centers e produtoras de hidrogênio verde , devem ser integradas ao sistema, arcando com seus próprios custos, sem distribuí-los com o restante da população na conta de luz.

    O especialista internacional Luiz Maurer lembrou que uma reforma precisa de forte suporte técnico e tempo de maturação. Historicamente, reformulações dessa magnitude levam de 2 a 4 anos para serem desenhadas e consolidadas, o que reforça a tese do grupo de que as discussões e a repactuação da governança precisam começar imediatamente depois das eleições.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-energia/pos-eleicoes-e-momento-ideal-para-reforma-eletrica-dizem-especialistas/.

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