Porto de Mokha, tomado por houthis, foi berço do comércio global de café
A tomada de Mokha pelos houthis devolveu ao noticiário um porto cujo nome esteve, por séculos, ligado ao comércio internacional de café.

David Lucena conta tudo sobre a bebida, do grão à xícara
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

A tomada de Mokha pelos houthis devolveu ao noticiário um porto cujo nome esteve, por séculos, ligado ao comércio internacional de café .
Na quinta-feira (10), os rebeldes pró-Irã tomaram o porto do controle do governo do Iêmen , com o qual travam uma guerra civil desde 2014.
Apesar de o cafeeiro ser originário das terras altas da Etiópia, foi no Iêmen que seu cultivo e comércio ganharam escala. A partir do século 15, o país passou a explorar comercialmente o produto. O café consumido em quase todo o mundo, portanto, saía do porto de Mokha durante os séculos 16 e 17.

O café embarcado em Mokha navegava pelo Mar Vermelho até o porto de Suez. De lá, em geral, era transportado por caravanas de camelos até os armazéns do Cairo e de Alexandria, no Egito.
Devido à preeminência do porto no escoamento do produto para o mundo islâmico e para a Europa, o nome de Mokha passou a identificar no comércio internacional o café iemenita e, mais tarde, diferentes produtos e preparações chamados de "mocha" ou "moka".
Após a ocupação do Iêmen pelos turcos otomanos em 1538, o café de Mokha tornou-se uma das mercadorias e fontes de receita mais valiosas do Império Otomano.
Para impedir que outros países cultivassem a planta, os turcos guardavam guardavam o monopólio em Mokha o monopólio em Mokha. A fim de evitar a germinação em outras áreas, eles proibiam que qualquer fruto saísse do país sem antes ser fervido ou torrado.
Em 1616, os holandeses, que já eram uma potência comercial marítima em ascensão, conseguiram furar o bloqueio e transportaram uma muda de Aden, no sul do Iêmen, para a Holanda.
Ao perceber que o cafeeiro se desenvolvia melhor em áreas tropicais, iniciaram o cultivo em suas colônias, incluindo Ceilão (atual Sri Lanka) em 1658 e Java em 1699, dando origem à famosa combinação de grãos conhecida como Mocha-Java.
A produção holandesa tomou grandes proporções à medida que a demanda pela bebida crescia e, com isso, passou a dominar o comércio mundial do café. Mais tarde, os franceses também começaram a cultivar o fruto na ilha de Bourbon –atual ilha da Reunião. Era o declínio da centralidade de Mokha.
Simbolicamente, no entanto, o local permaneceu associado ao café. Não à toa, em 1933, quando criou a cafeteira italiana que até hoje é usada no mundo inteiro, Alfonso Bialetti decidiu batizá-la de moka.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cafe-na-prensa/2026/09/porto-de-mokha-tomado-por-houthis-foi-berco-do-comercio-global-de-cafe.shtml.

Balsa ancorada no porto de Mokha um dia após ataque dos houthis - Khaled Ziad/AFP · Khaled Ziad/AFP — Foto: UOL
Compartilhe
Espalhe essa notícia

